entrevista. teatro 09/04/2016 - 17h00

Politicamente assombrado

Carri Costa, ator e diretor da peça Malassombro, comenta o teor político em sua última criação e revela o que o inspira na política nacional
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Jáder Santana jadersantana@opovo.com.br

“Uma sátira de terror cearensesíssima” é como o ator e diretor cearense Carri Costa define Malassombro, sua peça que estrou em setembro do ano passado. Refletindo com bom humor sobre o atual contexto político e social do Brasil e apropriando-se de elementos simbólicos do momento, o espetáculo acompanha uma noite chuvosa e sombria na mansão dos Vampetas. Na ocasião, um casal de black bloc’s invade a casa e entra em conflito com seus funcionários, que tentam solucionar a confusão enquanto precisam satisfazer as necessidades do proprietário.

Conversamos com Carri sobre a importância do debate político em suas montagens e sobre o papel da comédia para representar e contornar “a perfídia dos fatos”.

O POVO - Quando você escreveu Malassombro?
Carri Costa - A ideia inicial dessa dramaturgia se deu em 2000. De lá pra cá coube maturá-la dentro da ordem de pesquisa de nossa CIA, considerando a atualidade, a inserção de um tempo/espaço e nossa verve moleque. Nossas comédias tem como característica comun indicar os absurdos do contemporâneo de maneira sutil e inteligente. Elas agitam através da risada e são sempre relacionadas ao Brasil atual, mesmo que estejam falando de um acontecimento mundial.

OP - De onde veio a inspiração para a peça? Algum evento ou fato em particular serviu como disparador dessa escrita?
Carri - Temos trabalhado vários tipos de comédia nesses 22 anos de companhia cearense de molecagem: a comédia romântica, comportamental, a sátira, e agora eis que vem a mais “politizada”, digamos assim. Vivemos um momento delicado em nossa jovem democracia e como sempre vi as artes tendo um papel fundamental no despertar das consciências e emoções, não me vejo noutro papel que não seja como partícipe nesse luta pela estabilidade de nosso estado de direito. Nossa arte é resultado de nosso tempo, de nosso meio. Todos os acontecimentos nos levam à reflexão e por conseguinte a um posicionamento e a uma ação em nossa arte.

OP - O que te atraiu no universo da política? É um universo rico e inspirador para o teatro?
Carri - Somos seres políticos e fazer um "teatro de situações" significa representar uma história, não apresentá-la. Isso significa renunciar ao "drama" de uma única pessoa surgido dos problemas particulares e individuais de sua relação com outras, e em vez disso dedicar-se aos problemas de todos os outros dentro de um drama coletivo, problemas que surgem da "situação" de um conflito dialético das relações e explodem nela.

OP - E para a comédia? Como o atual momento político pode render boas risadas?
Carri - Costumo dizer que a comédia é a arte da surpresa. Quando nos apropriamos dos rompantes políticos de nosso tempo e satirizamos com a agilidade e interpretação devidas o resultado é o riso, sim. Produzimos um teatro de atores. Ao lado de diálogos entre os personagens, oferecemos uma grande liberdade de improvisação. Esta é a arte que todos os membros da CIA Cearense de Molecagem usam brilhantemente, possibilitando o contato espontâneo com os espectadores que, muitas vezes, reagem com palpites e comentários. Nós brincamos com as possibilidades, e nossos heróis populares lutam com a malícia e a vontade de sobreviver do "louco" contra a perfídia dos fatos.

OP - Que semelhanças tua peça guarda com o atual momento político que vivemos? É possível estabelecer algum ponto de contato? As pessoas que assistem ao espetáculo vão reconhecer as situações?
Carri - Através de nossa leitura dos acontecimentos propomos uma cearensidade na dramaturgia e na encenação e ela ratifica nossa postura crítica e satírica. Como resposta o público estabelece um nível de identidade real. Os fatos dominam o desenvolvimento dos personagens que serão implicados na situação: um puxão na alavanca aciona um mecanismo paradoxo, aumenta-o, duplica-o, coloca-o em posição inversa, acelera-o, leva-o a explosão! Ampliamos os fatos e eis que acontece a surpresa e o riso.

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