HOMENAGEM 08/03/2016 - 16h12

Depoimentos de mulheres sobre músicas que levam seus nomes

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta terça-feira, 8, O POVO Online revela histórias de Marina, Renata, Maria, Verônica e Amélia, mulheres cujos nomes intitulam músicas que inspiram gerações
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Lígia Costa ligiacosta@opovo.com.br
carlos campos/guabiras
Diversos compositores se inspiraram na figura da mulher para compor e intitular suas músicas

A música, palavra originada da expressão grega musiké téchne (“a arte das musas”), é uma manifestação criativa adotada por vários artistas para homenagear as mulheres, sejam reais ou imaginárias.

No Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta terça-feira, 8, O POVO Online descreve a ligação de mulheres com músicas intituladas com seus nomes.

A música "Maria, Maria", composição do cantor Milton Nascimento, tem uma relação muito forte com a ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele. Em 1986, Maria escolheu esta canção para embalar sua campanha eleitoral. Após obter vitória nas urnas, ela se tornou a primeira mulher prefeita no Brasil.

"Essa música teve um simbolismo muito grande e estabeleceu relação com as mais diferentes mulheres em Fortaleza e lá fora. 'Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta'. Cada uma se identificava comigo por conta da música e todas as mulheres se incluíam nesse rol", relembra a ex-prefeita e integrante do Crítica Radical, grupo de enfrentamento à política e de combate ao capitalismo.

Não mais voltada para uma perspectiva eleitoral, "Maria, Maria" ainda faz parte da vida de Maria Luiza, seja em suas festas de aniversário ou em outros eventos dos quais participa.

"Em geral, as pessoas buscam novamente a música para me homenagear. As pessoas se emocionam muito lembrando o momento da campanha. A mulher tem essa coisa do amor, da paixão e a música trouxe esse conteúdo que permanece até hoje", complementa.

As músicas costumam marcar momentos da vida de muitas pessoas, e das mais variadas formas, seja positiva ou negativamente. Renata Viana, editora-adjunta do Núcleo de Imagem do jornal O POVO, diz ter uma música, cuja letra não a agrada, como parte ainda integrante do seu dia a dia.


"Renata Ingrata", propagada na voz do cantor Latino, já foi substituída por outras canções no ranking das mais tocadas, mas rende à editora o apelido "ingra", abreviação de ingrata.

"Quando essa música estava no auge era muito chato. As pessoas tiravam onda. Fui para uma consulta de emergência e o médico chamou: 'Renata'. E em seguida perguntou: 'Mas você não é a ingrata não, né?'. Graças a Deus que essa música não faz mais sucesso", conta e sorri.

Hoje, Renata diz não se importar com o duradouro apelido, mas ressalta sobre o que as músicas deveriam abordar, caso se proponham a falar de uma mulher.

"Para além de exaltar a beleza, o corpo, a doçura e o sexo, as músicas têm que se voltar mais à condição da mulher como ela é hoje: com admiração, exaltação; com a ideia de: 'Quero essa mulher porque ela é sensacional, inteligente e não precisa de ninguém'", sugere Renata.

Verônica Rodrigues de Freitas também não estabeleceu nenhum tipo de afinidade com a música que leva o seu nome. Porém, a jornalista reconhece que a canção, imortalizada pela voz de Maurício Reis, acabou entrando para a história de sua vida.  

"O nome veio do meu pai. Nas proximidades de onde ele morava, no Parque Araxá, havia uma Verônica, que era chamada de "Vezinha". Segundo ele, quis pôr o mesmo nome na filha para poder chamá-la de outra forma: "Vevé". E é como continuo sendo chamada por ele", relata.


Tal como a cantora Maria Bethânia, o nome Verônica foi sorteado em meio a tantos outros papeizinhos e, como um capricho do destino, assim prevaleceu. "Havia um impasse. Minha mãe queria outro nome, Maria de Lourdes, como o de sua mãe. Ainda na maternidade, veio a ideia de fazer um sorteio e o nome foi decidido no papelzinho".

Quanto à música de exaltação à uma certa Verônica, a jornalista recorda que a canção soava como uma "chatice" durante a sua infância.

"Os amigos de meu pai não hesitavam em entoar o refrão assim que me viam. A melodia vinha, geralmente, acompanhada de um leve beliscão no braço, para chamar minha atenção. Um tormento. A música, afinal, é um clássico do cancioneiro brega. Achava bem feia. Torcia a cara quando ouvia. Mas é uma canção de amor. Amor carnal, na minha visão hoje", reconsidera.


Marina Sales é servidora pública e diz já ter sido abordada por várias pessoas que cantarolam a canção de Dorival Caymmi ao saber do seu nome.

"Nem sei desde quando cantam para mim 'Marina, Morena, Marina, você se pintou'. Já foram tantas vezes que incomoda, mesmo que em algumas vezes possa ser uma forma de homenagem", observa Marina, que também vê na letra uma forma preconceituosa de se referir à mulher, cujo ato de pintar o próprio rosto é criticada.


Já a engenheira civil Amélia Spíndola diz ter a música "Amélia", composição de Ataulfo Alves e Mário Lago, como uma "pérola da MPB" que marcou a sua existência.


"Tenho recordações de pessoas cantando-a para mim, quando eu dizia o meu nome. Meus amigos e familiares sempre fazem referência à 'Amélia, a mulher de verdade', quando nos encontramos", rememora a engenheira, que ainda costuma fazer referência ao verso da canção para que as pessoas memorizem seu nome.
 
"Geralmente completo com alguma frase, em tom de brincadeira, que se contrapõe a submissa e passiva Amélia descrita na música. Frase tipo: 'Eu sou a Amélia que é a mulher de verdade, que batalha seu lugar no mundo'. A Amélia da música era a mulher de verdade".

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