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O Repórter 18/02/2012 - 15h00

A política sem adereços

Diz-se, amiúde, que Delfim Netto se penitencia dos equívocos cometidos na política e na economia do País. Há quem não o perdoe pela participação no governo dos militares. Acusam o então jovem professor universitário de ter “alugado” o seu talento e a sua criatividade à ditadura fardada. O octogenário de hoje, marcado, sobretudo, porque foi um dos subscritores do AI-5, documento que oficializou o regime ditatorial no País é, em verdade, um ideólogo do fabianismo (*).

Feito o registro para situar o personagem, polêmico naqueles anos e agora também, seguem-se observações dele a respeito das marchas e contramarchas da conturbada economia mundial e seus reflexos na República Surrealista dos Trópicos.

 

Com as devidas aspas:


“Em época de crise internacional, é natural que o protecionismo aumente. Essa máxima situa a China como principal alvo da investigação do governo brasileiro contra a concorrência desleal. E tem de ser intensificada. Com o dólar barato, aumenta perigosamente, para a indústria brasileira, a importação de produtos chineses. No caminho oposto, nós exportamos empregos para os chineses. Espera-se que o governo prossiga com a receita de medidas antidumping.”


Pós-escrito: Nos oito anos do Planalto, Lula da Silva costumava ouvir Delfim. Gosta dele. Com a presidente Dilma Rousseff, são apenas protocolares as relações do ex-ministro (Fazenda, Agricultura e Planejamento), ex-embaixador (na França) e ex-deputado.

 

(*) De concepção britânica, o fabianismo é um movimento político-ideológico socialista (sem Karl Marx), democrático e reformista de forte influência no Labour Party (Partido Trabalhista Inglês). Teve origem na Fabian Society , fundada em Londres, fim de 1883 e início de 1884, por um grupo de intelectuais na faixa dos 30 anos.

 

DIREITO DE OPINAR


Cada cabeça uma sentença, diz o adágio.Quando se trata de debate político, identifica-se, e não é registro raro, a marca da distorção a respeito do trabalho jornalístico.

 

Para o leitor comparar, seguem duas opiniões reveladas por personagens de partidos partícipes da coligação do poder federal.

 

José Dirceu (PT-SP), ex-ministro da Casa Civil, proclama:

“A imprensa, aliada à oposição encurralada, opta por desqualificar o que Lula fez e Dilma está fazendo.”

E o deputado Fábio Trad
(PMDB-MS):


“O jornalismo investigativo tem feito grande bem ao País, ao denunciar deslizes éticos de agentes do poder. As críticas da mídia são bem-vindas. O que me preocupa é a agressiva disposição do PT de monopolizar o aparelho estatal como se fosse a única força política do País.”

 

JOIA DA COROA


O PMDB entra numa disputa em que se expõe a uma situação melindrosa.

 

Apresenta o cristão-novo Gabriel Chalita, ex-PSB, como o preferido nacional entre todos os candidatos da sigla na eleição de outubro.


Deputado de 560 mil votos, tem sido presença radiante nas inserções peemedebistas na televisão.

 

Postulante à prefeitura de São Paulo, Chalita está mal posicionado nas pesquisas de intenção de voto, embora supere em dois ou três pontos o petista Fernando Haddad. Quem lidera – possivelmente por pouco tempo – é Carlos Russomano (PRB).

 

Michel Temer, vice-presidente da República, é o patrono do projeto de Gabriel Chalita, um escritor cooptado pela política. Com ele na prefeitura, o controlador do consórcio nacional peemedebista crê que o seu partido “dê uma larga passada” para reconquistar, em 2014, o Palácio dos Bandeirantes.

 

MÃO LAVA OUTRA


Uma insinuação com jeito de represália.


Depois de 13 meses de surpreendente fidelidade ao governo Rousseff, à parte desencontros de ordem fisiológica, deputados do PMDB passam a admitir, “como natural”, a cessão de relatorias de medidas provisórias a colegas oposicionistas.

 

Alguns concordam em remover obstáculos à convocação de ministros sob suspeita. O alvo imediato seria Guido Mantega, da Fazenda, mas a alusão merece pouca fé.

 

PERGUNTAR NÃO PAGA IMPOSTO


Curiosidade, apenas.


Quem formula a questão é o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE): “Será que o governo do PT considera os brasileiros parvos crédulos?”.


O NEGÓCIO É O SEGUINTE


Ficou com a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) a presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para apurar a violência contra as mulheres. Formada por 24 membros, a CPMI divide-se igualmente entre as duas casas do Congresso.

 

Vem aí o livro Os tempos de Getúlio Vargas. O autor, José Carlos Mello, vai além da política. Aborda os múltiplos romances do álgido ditador que depois se elegeu, pelo voto direto, presidente da República.

 

O Itamaraty está satisfeito. Recebeu, até o meio da semana, a confirmação da presença de 21 chefes de Estado ao Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável.

 

Na viagem à Alemanha, de 5 a 6 de março, Dilma Rousseff visita, em Hannover, a Feira Internacional de Tecnologia. Está agendada também reunião de trabalho da presidente brasileira com a chanceler Angela Merkel.

 

Com o retorno da ex-ministra Iriny Lopes (PT) à Câmara, o PMDB perde uma cadeira. Volta para Vitória (ES) o suplente Camilo Cola.

 

O baiano Antonio Carlos Magalhães, neto, renovou o mandato de líder do DEM na Câmara. A recondução alenta o projeto de ele concorrer, pela segunda vez, à prefeitura de Salvador. A primeira, sem sucesso, ocorreu em 2008.

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