No Brasil, o exagero da multiplicidade de partidos com representação no Congresso Nacional alimenta os problemas políticos. Desde o governo José Sarney, o primeiro da Nova República, ficou claro que tantas legendas levam à ampliação de espaços para o fisiologismo. A influência das grandes siglas – o PMDB é um exemplo sugestivo – fortalece a pregação do toma lá dá cá. Há mais a citar: a pilantragem dos “proprietários” de agremiações partidárias nanicas que negociam seus horários no rádio e na tevê.
São óbvias as consequências. Como lembra Marcos Coimbra, sociólogo-presidente do Instituto Vox Populi, não houve, a partir da redemocratização do País, um hóspede do Palácio da Alvorada que tenha passado ileso. As dificuldades crescem na proporção do fracionamento na Câmara e no Senado.
Afirmação dele que os cidadãos repetem: “O entendimento para conseguir maiorias sempre foi complicado e caro.”
É isso mesmo. Sarney viveu momentos dramáticos. Sob pressão irresistível, por pouco não renunciou ao mandato que herdara de Tancredo Neves. Fernando Collor, apesar das denúncias contra ele na imprensa e os gritos de protesto dos caras-pintadas nas ruas, só deixou o Executivo federal porque cultivou incompatibilidades insuperáveis no Legislativo. Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva preferem, até hoje, não detalhar como foi possível navegar no mar tempestuoso de interesses subalternos de congressistas.
Surpreendentemente, Dilma Rousseff abre o segundo ano de governo com mínimas turbulências no Parlamento, embora seja considerada primária no jogo político e mão fechada quando se trata de liberação dos recursos das emendas de deputados e senadores.
NO FOGO CRUZADO
A caça a juízes corruptos e similares.
Implacável com o ilícito, a ministra Eliana Calmon, do STJ, encerra em setembro o
mandato de 24 meses na corregedoria do Conselho Nacional de Justiça.
O pernambucano Francisco Falcão, também um magistrado da linha dura, é o nome da vez para a sucessão.
Pós-escrito: no Superior Tribunal de Justiça, a aposentadoria compulsória de Calmon dar-se-á em 2014, quando a baiana completa 70 anos, idade limite para o funcionalismo público.
OS PORTA-VOZES
Liderança de bancadas no Senado.
Das quatro grandes siglas na Casa, só o PT ainda não definiu o comando. Walter Pinheiro (BA) e Wellington Dias (PI) concorrem à sucessão de Humberto Costa.
Foram reconduzidos os líderes do PMDB, Renan Calheiros (AL); do PSDB, Álvaro Dias (PR); e do DEM, goiano Demóstenes Torres.
PREVISÃO É RUIM
Um cenário sem retoques.
Debruçados sobre o mapa político, alguns analistas do pré-processo eleitoral veem sinais negativos para o PSD nos grandes centros urbanos do país.
A primeira grande decepção, dizem, será em São Paulo, centro de decisão da sigla recriada, mas trôpega.
ROTA DE COLISÃO
Marco regulatório das comunicações.
O tema, embaraçoso, divide opiniões à direita e à esquerda desde a metade do segundo mandato de Lula da Silva, época em que foi concluído o projeto coercivo.
Surpreendeu o apoio do então presidente da República à proposta de Franklin Martins, seu ministro da Comunicação Social.
Há tentativas de reabrir essa trilha que pode levar ao abismo da censura. Helena Chagas, sucessora de Martins desde o início do governo Rousseff, escondeu o mapa.
Uma boa notícia para quem defende, sem adjetivá-la, a liberdade de imprensa.
BRIGA DE JOÕES
Multiplicam-se os desentendimentos no PT do Recife.
Por causa dos atritos na disputa pela indicação partidária para a eleição de outubro, o prefeito João da Costa, em campanha para renovar o mandato, é chamado de traidor pelo antecessor imediato, João Paulo, que deseja voltar ao cargo.
O disse que disse entre os dois abriu caminho para companheiros até recentemente distantes da querela.
Por enquanto, o senador Humberto Costa e o ex-deputado Maurício Rands aguardam o desenrolar dos fatos.
Mais adiante, talvez troquem a missão de pacificadores pelo papel de pretendentes ao governo da capital pernambucana.
O NEGÓCIO É O SEGUINTE
François Hollande, da esquerda, tem 31% das intenções de voto para a presidência da França. Candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, conservador, chega aos 24,5%. A ultradireitista Mariane Le Pen crava 20%. O instituto Fiducial assina a pesquisa.
No mês de maio, prefeitos realizam Marcha a Brasília. Parte considerável dos quase 5,6 mil municípios do país encontra-se em estado de insolvência.
Sandra Werneck, cineasta de entusiasmados admiradores, conclui a composição do elenco de Marina e o tempo. O filme é sobre Marina Silva. Na tela, Lucy Ramos será a ex-senadora.
Furou o balão de ensaio do projeto da volta de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara dos Deputados, próximo ano.
Renan Calheiros (AL) é pule de dez para ser reconduzido à liderança do PMDB no Senado.
Em vigência desde 1940, o Código Penal vai mudar. A comissão da reforma planeja encaminhar o anteprojeto ao Congresso entre o fim de maio e o início de junho.
O Ibope informa: os três governadores mais populares do País são, pela ordem, Eduardo Campos (PSB-PE), Beto Richa (PSDB-PR) e Sérgio Cabral, filho (PMDB-RJ).
Walter Gomes
waltergomes@opovo.com.br
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