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Walter Gomes 21/01/2012 - 14h00

Na República da indecisão

A reforma ministerial ganha múltiplas versões. Por isso, vicejam as especulações, cujo denominador comum é a imprecisão. Já não se espera o enxugamento da equipe. O pensamento da hora alia-se à expectativa de mudanças pontuais. A melhor aposta, porém, é na prevalência da indefinição.

Não se identifica um líder partidário da base governista que tenha sido convidado a ir ao Planalto ou ao Alvorada tratar da reforma. Em parte, aliás, foi realizada com o expurgo de auxiliares acusados de corrupção.


Na verdade, fora do núcleo duro - reduzido grupo da corte palaciana -, a presidente da República não dá pistas a respeito do alcance de seu plano.

Certo é o afastamento até fevereiro - portanto, bem antes do prazo oficial de desincompatibilização -, dos ministros concorrentes a mandato na eleição de outubro. Dois estão confirmados, ambos do PT:

1. Fernando Haddad (Educação) postula a prefeitura de São Paulo;

2. Iriny Lopes (Política para as Mulheres) é candidata ao governo de Vitória.

Desistiram de participar da corrida eleitoral deste ano os titulares da Pesca, Luís Sérgio (PT), e da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB). O petista, deputado pelo Rio de Janeiro, tentaria voltar ao Executivo de Angra dos Reis. O socialista (?) diz que se preserva para disputar o governo de Pernambuco, em 2014.

Substituições tidas como certas, porque perderam o prazo de validade são as dos ministros Afonso Florence (PT), do Desenvolvimento Agrário; Mário Negromonte (PP), das Cidades; e Paulo Sérgio Passos (PDT), dos Transportes. Florence e Negromonte representam a Bahia na Câmara Federal. Passos é um técnico.

Pós-escrito: a paulista Ana de Hollanda, sem bandeira partidária, desistiu de deixar o Ministério da Cultura. Parece que a irmã de Chico Buarque adaptou-se ao perverso jogo do poder. Não está garantida, porém.

Pós-escrito (II): por motivo de saúde %u2013 recentemente foi operado de um tumor no cérebro %u2013, o deputado Mendes Ribeiro, filho (PMDB-RS) talvez seja substituído na pasta da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A VELHA ROTINA

Dez governadores aguardam julgamento do pleno da Corte Eleitoral.

As peças de acusação referem-se, sobretudo, ao uso da máquina púbica em campanha eleitoral %u2013 própria ou de protegidos políticos.

Três são do PMDB: André Puccinelli (MS), Roseana Sarney (MA) e Sérgio Cabral, filho (RJ). Do PT, dois: Marcelo Déda (SE) e Tião Viana (AC). Antonio Anastasia (MG) e Siqueira Campos (TO) formam a dupla do PSDB. Cid Gomes (CE) e Wilson Martins (PI) representam o PSB. O recriado PSD entra na lista com o amazonense Omar Aziz.

Rosalba Ciarlini (DEM-RN), assim como os tucanos José Anchieta Júnior (RR) e Teotônio Vilela (AL) foram absolvidos. No entanto, o roraimense e o alagoano ainda têm pendências nos seus estados e em Brasília.

TEMPO DE ADUBAR

Marina Silva tenta sair do isolamento imposto pela derrota de 2010.

Sem filiação partidária desde que se desligou do PV, sigla pela qual conquistou quase 20 milhões de votos como candidata à Presidência da República, tem encontrado dificuldades para criar uma legenda a sua imagem e semelhança.

Dia 7 de fevereiro, exatos oito meses antes do primeiro turno da eleição municipal, a ex-senadora acriana dá um passo estratégico. Lança, no Recife, o Movimento por uma Nova Política.

Trata-se da base de orientação dos seus seguidores para a campanha de candidatos a prefeito e a vereador.

Antes participa do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, de terça (24) a domingo (29).

CORTE QUE ENERVA

Certo não é; possível, sim.

Ouve-se no esvaziado Congresso Nacional e em alguns gabinetes da Esplanada dos Ministérios declarações assim:

"Mais do que a reforma (?) do primeiro escalão, um assunto aumenta o nível de preocupação da presidente da República. É o tamanho do corte no Orçamento da União."

No Palácio do Planalto, fala-se em subtração de, mais ou menos, R$ 60 bilhões. Nas antessalas dos ministros de Estado, a previsão acresce R$ 10 bilhões.

Em ano eleitoral, como este 2012, a dimensão do contingenciamento deixa nervosos deputados e senadores da base palaciana.

Pós-escrito: a propósito de dinheiro, Guido Mantega desmente, pela terceira ou quarta vez neste mês, que esteja prestes a deixar a Pasta da Fazenda.

O NEGÓCIO É O SEGUINTE

Veja só o barulho previsto por economistas: o governo precisa cortar R$ 60 bilhões no Orçamento da União para atingir, neste exercício fiscal, a meta do superávit almejado.

Diplomata de carreira, Marco Antonio Dias Brandão assumiu a embaixada do Brasil no Cairo, capital do conturbado Egito.

Henrique Eduardo Alves defende consulta popular sobre o financiamento público de campanha. Apoiado pela direção do PMDB, o líder da sigla na Câmara propõe que o eleitor opine no pleito de 2014.

Jovair Antunes, líder do PTB na Câmara dos Deputados, dá os passos iniciais para candidatar-se a prefeito de Goiânia.

Reempossado na presidência nacional do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi testa a aceitação dos cariocas ao projeto de candidatar-se à Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

A bancada do PR na Câmara sugere o deputado Luciano Castro (PR-RO) para o Ministério dos Transportes. É baixo o percentual de sucesso.

O chanceler Antonio Patriota esteve em Havana para oficializar a agenda de visita da presidente Dilma Rousseff, dia 31, a Cuba.

Para refletir: "A morte é como o som de um trovão distante num dia de piquenique" (Edith Wharton, escritora estadunidense).

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