Confusa e sem uma liderança nacional, a oposição busca um difícil discurso de unidade para enfrentar a agenda de apelo popular do Palácio do Planalto. Semana passada, a presidente da República surpreendeu os opositores, com o pacote de bondades oferecido ao País. Bom para a população, interessante para a indústria e excelente para o comércio. Faltam 10 meses para a eleição de prefeitos e vereadores. Quando os eleitos tomarem posse em janeiro de 2013, o eleitorado estará a menos de dois anos da convocação para a escolha de presidente da República, governadores, um terço de senadores e do total de deputados (federais e estaduais).
O PSDB diz uma coisa e o DEM, embora não conteste a palavra tucana, usa outra mensagem para sensibilizar o eleitor. O PPS, legenda pequena a caminho de se tornar nanica, é audaz, mas sua representação parlamentar encolhe a cada apuração das urnas eletrônicas.
A legenda tinha maior presença à época em que se apresentava como real sucessora do PCB – o Partidão. Em alguns momentos, tem-se a impressão de que a apatia atingiu tucanos e democratas. Mal que, parece, contaminou também os ex-comunistas, hoje adeptos da social-democracia – a maioria – e do liberalismo.
Qual a saída? – pergunta-se ali e acolá. Repetem-se os escândalos nos escalões do poder. A parte da sociedade escandalizada com as mutretas e os ilícitos do governo quer o fortalecimento da oposição. No Parlamento, deputados e senadores discordantes do Planalto denunciam. Os meios de comunicação repercutem os fatos decepcionantes, mas a punição chega sempre com atraso.
PARA-RAIOS EFICAZ
Assim é, se lhe parece.
Na iniciativa privada, principalmente no setor da indústria, vão do nervosismo à apreensão as expectativas a respeito dos reflexos no Brasil da crise na Europa.
Mas, no governo, o clima é outro.
Exemplo: a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, espalha otimismo:
“Vejo um momento positivo no Brasil. Melhora acentuadamente a distribuição de renda e aumenta o consumo. O cenário mostra que o país acertou ao investir no mercado interno. É uma proteção contra a crise.”
BECO SEM SAÍDA
Melancólico fim de um falastrão, na Esplanada dos Ministérios.
Enquanto viveu Leonel Brizola, a quem se dedicou como versátil auxiliar, Carlos Lupi era personagem menor, mas agradável. Ninguém desgostava dele, carioca sem pose e contador de boas piadas.
Quando morreu o fundador do PDT – duas vezes governador do Rio de Janeiro e uma do Rio Grande do Sul –, surgiu outro Lupi. Mesmo assim, ainda bem melhor do que aquele que se viu impelido a deixar o Ministério do Trabalho e Emprego.
Plantou vento e colheu tempestade. Perdido em cipoal de denúncias, está também ameaçado de ser substituído na presidência nacional da democracia trabalhista.
UM PASSO ADIANTE
Contribuição social sobre fortunas.
Eis a marca do projeto de lei da médica-deputada Jandira Feghali, carioca da bancada comunista na Câmara.
A parlamentar pretende que o pagamento do tributo caiba a quem tiver patrimônio acima de R$ 4 milhões.
Os recursos arrecadados, conforme a proposta, serão incluídos no orçamento da Saúde Pública.
BAÚ DE NOTÍCIAS
Dilma Rousseff passa o aniversário, dia 14, em Porto Alegre, onde moram filha e neto.
Neste final de semana, o senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, visita Natal, Recife e Salvador.
O cearense José Guimarães está bem posicionado para ganhar a liderança do PT na Câmara dos Deputados.
É frágil o diálogo do empresário Jorge Gerdau Johannpeter, ideólogo do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
PERGUNTAR NÃO PAGA IMPOSTO
Curiosidade, apenas.
Qual será a tradução dessa fadiga político-ética do país na vida real? Como será nas eleições?
O NEGÓCIO É O SEGUINTE
Chega ao público A história das constituições brasileiras – 200 anos de luta contra o arbítrio. O livro é assinado pelo professor Marco Antonio Villa.
Surpresa: Paulo Hartung, duas vezes governador do Espírito Santo, desistiu da candidatura a prefeito de Vitória. Seria um passeio.
O que é esperado no PT paulista: mais um dos seus na Esplanada dos Ministérios. Nome citado para a Pasta das Cidades, hoje com o PP: deputado José Filippi. Se der certo, o suplente José Genoíno assume.
Vaga cobiçada no Ministério das Relações Exteriores. Em 2012: aposenta-se o embaixador Ruy Nogueira, secretário-geral da Pasta.
A reforma política vai-se com 2011. Volta à pauta do Parlamento em 2012. Para valer na eleição de 2014, os ajustes – não se espera nada além – precisam de conclusão até outubro de 2013.
Neste sábado, em Buenos Aires, Dilma Rousseff assiste à posse de Cristina Kirchner, reconduzida à presidência da Argentina.
Realiza-se no fim de semana, em São Paulo, o Congresso Nacional do PPS. Item número um: candidatura própria à Presidência da República, em 2014.
Para refletir: “Toda vez que um justo grita, um carrasco vem calar. Quem não presta fica vivo; quem é bom, mandam matar” (Cecília Meireles, poeta brasileira).
Walter Gomes
waltergomes@opovo.com.br
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