Ano passado, o PSDB perdeu a disputa presidencial travada com o PT. Não fora a participação do PV, o desfecho teria ocorrido no primeiro turno. Os tucanos ganharam, porém, o poder em estados que contabilizam bilionário PIB (Produto Interno Bruto) e agrupam a maioria dos eleitores do país. A social-democracia conseguiu a renovação do mandato de dois governadores – o de Minas Gerais e o de Alagoas – e elegeu os chefes do Executivo de seis unidades federativas: PR, SP, GO, TO, RR e PA.
Veja só como é uma eleição dois anos depois da antecedente. Nas capitais dos importantes centros político-econômicos que conquistou, o tucanato só apresenta candidatura própria e com potencial de votos em São Paulo e Belém. No caso da capital paraense, a bandeira tucana precisa ser hasteada pelo senador Flexa Ribeiro.
Quatro postulantes inscreveram-se para a prévia que divide, ainda mais, a complicada seção paulistana do Partido da Social Democracia Brasileira. Os grão-duques da legenda temem que se repita o ocorrido em 2008, quando Geraldo Alckmin, hoje no Palácio dos Bandeirantes, foi excluído na primeira etapa do pleito municipal. Por isso, imaginam para 2012, uma aliança com o PSD ou com o PMDB. Há receptividade nas duas agremiações desde que o PSDB indique o candidato a vice-prefeito. No caso do peessedê, Guilherme Afif Domingos deve ser cabeça de chapa – Henrique Meirelles, outro nome citado, senta no banco de reservas. Gabriel Chalita está definido como o nome do peemedebismo.
Em Belo Horizonte, o PSDB repete o apoio ao prefeito Marcio Lacerda (PSB), eleito em 2008 numa aliança com o PT. Lacerda é favorito a renovar o mandato. Em Curitiba, os tucanos também fecham com um socialista – Luciano Ducci, candidato à reeleição. Entretanto, quem lidera as pesquisas para o governo da cidade é Gustavo Fruet, tucano enjeitado pelo seu partido e adotado, imediatamente, pelo PDT.
CENTRAL DE APOIO
Um antídoto chamado superávit fiscal.Guido Mantega, homem público discreto com uma porção mágica de otimismo, confia na eficiência da política econômica para refrear os efeitos da crise internacional no Brasil.
O ministro da Fazenda explica que o saldo positivo nas contas públicas “é a principal arma” para evitar o contágio dos males vindos da Europa.
VOZ DA SENSATEZ
Fernando Henrique Cardoso e a demissão de ministros.
O ex-presidente da República desaprova os que tentam continuar no cargo, “como tem acontecido em todos os governos”.
Tanto faz que seja pela volúpia do poder ou pelo receio da repercussão negativa, sublinha o sociólogo.
Arremate:
“Quando se perde a condição de permanência, o gesto da retirada é construtivo. A insistência de ficar é destrutiva.”
BLOCO NAS RUAS
Projeto político para Gleisi Hoffmann implantar em 2014.Incentivada pela velha guarda do partido, a Juventude do PT no Paraná cuida do futuro da senadora, referência ascendente em Brasília e no estado.
A chefe da Casa Civil da Presidência da República é a opção do petismo para concorrer ao Executivo paranaense. O confronto dela será com Beto Richa (PSDB), governador favorecido no primeiro embate travado com a adversária.
Beto derrotou a petista em 2008, na campanha para a prefeitura de Curitiba.
VOLTA AO PASSADO
Contribuição social sobre fortunas.Eis a marca do projeto de lei da médica-deputada Jandira Feghali, carioca da bancada comunista na Câmara.
A parlamentar pretende que o pagamento do tributo caiba a quem tiver patrimônio acima de R$ 4 milhões.
Os recursos arrecadados, conforme a proposta, serão incluídos no orçamento da Saúde Pública.
ESTÁ BEM CLARO
Eduardo Campos preocupa Dilma Rousseff.O governador de Pernambuco é uma incógnita protegida pela simpatia e habilidade, conforme depoimento de um assíduo interlocutor da presidente da República.
Há algum tempo sem mandato popular, o amigo do poder ouviu recentemente da afilhada-sucessora uma curiosa interrogação:
“Qual a ambição dele, o que ele vai querer em 2014?”
A resposta parece simples. Campos pretende sair do Campo das Princesas, em Recife, para um palácio em Brasília, preferencialmente o da Alvorada. A alternativa é o do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República.
O NEGÓCIO É O SEGUINTE
Dilma Rousseff participa em Malabo, capital da Guiné Equatorial, da III Cúpula América do Sul-África. Vai ser em maio do próximo ano.
O instituto de capacitação político-estratégica do PSD vai ser inaugurado dia 7 de dezembro, em Brasília. Chama-se Espaço Democrático.
Vieira da Cunha (PDT-RS) foi incluído na lista da qual sairá o próximo ministro do Trabalho e Emprego. O deputado é criticado pelos herdeiros políticos (e financeiros) de Leonel Brizola. O caudilho, cunhado de João Goulart, foi governador (pelo voto direto) de dois estados: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Convite por R$ 1 mil dá direito a participar de jantar em homenagem a Fernando Henrique Cardoso, 5 de dezembro, em São Paulo.
A organização é do PSDB.
Marco Antonio Diniz Brandão é o novo embaixador do Brasil no Egito.
Embora não faça como Lula da Silva que desfila com a camisa do time, Fernando Henrique Cardoso também é torcedor do Corinthians.
Para refletir: “No Brasil, quem tem ética parece anormal” (Mário Covas, político brasileiro).
Walter Gomes
waltergomes@opovo.com.br
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