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o repórter 26/11/2011 - 15h00

O esboço de um desenho

Embora o PT e o PMDB estejam afinados no Senado e na Câmara – e, por enquanto, demonstrem interesse de repetir em 2014 a coligação vitoriosa em 2010 –, as duas legendas têm problemas mal administrados para a eleição municipal do próximo ano.

Nos maiores centros do país vão caminhar separadamente, respeitadas as exceções de praxe. Uma delas é o Rio de Janeiro. Incentivada pelo governador Sérgio Cabral, filho, e pela presidente Dilma Rousseff, a articulação evoluiu e transformou-se em realidade. Os petistas, em troca da indicação do candidato a vice, vão apoiar a reeleição de Eduardo Paes. Trata-se de um peemedebista com estágio demorado no PFL (hoje, DEM) e, mais curto, no PSDB. O prefeito carioca, à época em que exerceu o mandato de deputado, foi crítico áspero – às vezes, debochado; outras, mal-educado – de Lula da Silva.


Nas outras cidades, inclusas 25 capitais – Brasília não tem prefeito nem vereador –, a disposição no peemedebismo é de lançar candidatura própria. No PT, a orientação favorece a aliança preferencial com o PMDB, desde que não tenha chance no embate municipal.

A união, pregada por dirigentes nacionais, tem o aval do Palácio do Planalto.

 

Mais do que provável, praticamente certo. Em São Paulo, as duas siglas serão antagonistas na corrida ao governo municipal.


O PMDB entra em campo com Gabriel Chalita, deputado federal com 560 mil votos (2010). O PT lança o ministro da Educação, Fernando Haddad. O protegido de Lula da Silva estreia em disputa de mandato popular.

 

TEMA DO PASSADO


Criação de imposto é assunto excluído da pauta dos deputados.


Vale, pelo menos, até fevereiro de 2013, quando termina o período de Marco Maia na presidência da Câmara.


“Trata-se de assunto transitado em julgado, e fim de papo”, proclama o petista gaúcho.


POVO QUER SABER


Posição de ordem jurídico-republicana.


O advogado Luís Carlos Alcoforado não vai recorrer da decisão do STJ de quebrar os sigilos bancário e fiscal do governador Agnelo Queiroz (PT-DF).


Explica porque: “O trâmite do processo será mais rápido e, assim, logo a sociedade terá certeza de que ele não cometeu deslize algum.”


Mais: “Todo homem público precisa de ter suas contas sempre abertas.”

 

JOGADA DE RISCO


Liberais se contrapõem aos sociais-democratas.


Quem faz a proclamação é o líder do DEM no Senado, o goiano Demóstenes Torres:


“Há necessidade de o partido ter candidato a presidente da República. É preciso sair dessa polarização PT e PSDB. A eleição de 2014 não vai ser bipartidária.”


E quem seria o presidenciável? José Agripino, César Maia, José Carlos Aleluia, Rosalba Ciarlini, Ronaldo Caiado ou o próprio Demóstenes?

 

MARCA DO ESTILO


Reação de um senador (dos sérios) diante da reforma política.


Trata-se de Cristovam Buarque do PDT do Distrito Federal.


Insatisfeito com propostas apresentadas pela Comissão Especial do Senado, ele acusa de esbulho o encaminhamento das mudanças.

 

– Há perigo real de se fazer mudança na legislação eleitoral, e não uma reforma republicana – adverte.


Ex-ministro da Educação, no primeiro mandato presidencial de Lula da Silva, e ex-governador do DF – era filiado ao PT no exercício dos dois cargos –, Cristovam defende o fim da reeleição para cargos no Executivo e uma só recondução consecutiva nas eleições proporcionais.


É, de fato, um visionário.


AH, A TARTUFICE


Uma explicação sob o manto da “modéstia”.


No seu versátil e inteligente – aí sem aspas – espaço na Internet, César Maia explica por que é candidato a vereador no Rio de Janeiro, cidade que governou três vezes.


Ele, também ex-deputado federal, foi buscar a resposta em Grandezas e misérias da vitória, livro de Georges Clemenceau, primeiro-ministro da França (1917): “E quanto a mim, sou o que era. Qualidades e defeitos a serviço da pátria, com um completo desinteresse das honrarias e graus, que em geral pesam na balança do êxito. É uma força não esperar nada mais que de si mesmo.”


O NEGÓCIO É O SEGUINTE


Rosa Maria Weber, indicada para a Suprema Corte, vai ser sabatinada, quarta-feira (30), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

 

Troca-troca eleitoral entre o PCdoB e o PT. Em São Paulo, os comunistas apoiam Fernando Haddad; em Porto Alegre, os petistas estão prestes a fechar com Manuela D’Ávila.


Agenda político-eleitoral de Aécio Neves, senador em campanha para presidente da República, em 2014. Próximo mês, visita Recife (8) e Salvador (9).

 

Bruno Araújo (PE) posiciona-se para suceder ao deputado-líder do PSDB, Nogueira Duarte (SP), na próxima sessão legislativa.

 

Excluídos pequenos equívocos sobre fatos e circunstâncias, vale a leitura da biografia de João Goulart, presidente da República deposto pelo golpe militar de 1964. Assina-a Jorge Ferreira, professor de História do Brasil na Universidade Federal Fluminense. São 713 páginas, incluída a bibliografia.
Preço: R$ 44.

 

Dia 1º de dezembro, a presidente Dilma Rousseff recebe, no Palácio do Planalto, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.

 

Para refletir: “Ao Estado cabe fazer o que é útil; ao indivíduo, o que é belo” (Oscar Wilde, escritor irlandês).

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