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o repórter 12/11/2011 - 17h00

No ar, uma novela política

Gilberto Kassab conseguiu o que queria: recriou o PSD. O partido abriu-lhe espaço nacional. Ao mesmo tempo, transformou-o numa interrogação do tamanho das críticas que recebe e das suspeitas que desperta. O prefeito paulistano excluiu de seu currículo referência sobre ideologia e alianças definitivas. Aumentou o diâmetro do círculo de desafetos – a cúpula do DEM que o diga. Em compensação, ampliou o leque de amigos. Ao lado do nome de José Serra, tucano que considera “exemplo de homem público”, escreveu o de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, para quem prevê “coleção de sucessos”. O relacionamento político com os dois incentiva o crescimento de especulações a respeito do que Kassab planeja para o futuro imediato (2012) e próximo (2014). Um assessor dele disse ontem, num encontro fortuito com o birô da coluna: “De deputado a governador, cabem todas as hipóteses.”

No PSDB, José Serra, antes cortejado por tucanos da cúpula e da base, passou a ser um complicador para o partido. O instante político dele é desconfortável; o eleitoral, preocupante. Esse desenho descolorido resulta das duas negativas campanhas (2002 e 2010) para a Presidência da República e da luta interna na social-democracia. Entretanto, como o enredo da política tem passagens de suspense, a provável candidatura de Fernando Haddad (PT) à prefeitura paulistana, imposição de Lula da Silva, talvez seja o fato que possa “ressuscitar” Serra. Candidato, improvável porque é um projeto de alto risco, o tucano terá o apoio de Gilberto Kassab. Do governador Geraldo Alckmin, também.


Já Eduardo Campos é uma liderança ascendente. A influência política dele extrapolou o Nordeste. Em São Paulo, por exemplo, empresários e políticos veem nele a marca do vencedor. Acumula vitórias desde a disputa do primeiro mandato – o de deputado estadual, em 1990 – até a reeleição para o governo, ano passado. O neto de Miguel Arraes tanto é jeitoso quanto ambicioso. Impedido pela Constituição de candidatar-se a novo período no Palácio do Campo das Princesas, em 2014, Campos pode voltar à Câmara (onde passou 12 anos), concorrer ao Senado ou ao poder federal. Aí entra Kassab, como base de sustentação no maior colégio eleitoral do país.

 

TODOS TÊM CULPA


Na educação o país tem longo e angustiante caminho a percorrer.

Aumenta o número de matrículas no ensino médio, mas é pouco representativo o número de alunos que completam os 12 anos de educação básica.

De cada dois, só um conclui o ciclo.


Essa estatística do desencanto reprova os governantes da Nova República, de José Sarney que herdou o mandato de Tancredo Neves, a Dilma Rousseff, no fim do primeiro ano no poder.


VERSÃO É FALSA


Flagrante de maldosa deturpação da realidade.

 

Diz-se ali e acolá que o Brasil é uma ilha de burocracia cercada de servidores públicos por todos os lados.

 

Às estatísticas internacionais: para cada mil habitantes, a Espanha tem 53 funcionários; os Estados Unidos, 73; a Inglaterra, 91.


Segundo o Ministério do Planejamento, são 34 na pátria amada, idolatrada, salve, salve.


LUTA PELO VOTO


PT se prepara para o embate nas urnas de 2014.


A voz do anúncio é a de Ruy Falcão, presidente nacional da sigla que, no ano referencial, completa três mandatos no Palácio do Planalto. E quer o quarto via recandidatura de Dilma Rousseff.


Objetivo da sigla é de criar também condições para ganhar o governo nos estados onde coleciona derrotas consecutivas. Jamais os petistas venceram, com candidatura própria, nos três principais centros políticos do país – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Também em unidades federativas intermediárias como Ceará, Pernambuco, Amazonas e Paraná.


Em três décadas de catequese eleitoral, os melhores desempenhos do Partido dos Trabalhadores em batalhas por executivos regionais ocorreram no Acre, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Sergipe e na Bahia.


Pós-escrito: vice de Anthony Garotinho, a petista Benedita da Silva assumiu o poder fluminense quando o então governador se desincompatibilizou (abril de 2002) para concorrer ao Palácio do Planalto. Garotinho, hoje filiado ao PR, era à época do PSB.

 

TESTE NAS URNAS


Orlando Silva quer o julgamento popular.


Para isso, o ex-ministro do Esporte, baiano com domicílio eleitoral em São Paulo, vai concorrer à vereança da capital na eleição do próximo ano.

 

Eficientíssimo na maior cidade do país, o PCdoB oferece-lhe invejável suporte.

 

O NEGÓCIO É O SEGUINTE

A escolha é em fevereiro, mas a guerra de informação e contrainformação está em curso. Jilmar Tato (SP) e José Guimarães (CE) disputam a liderança do PT na Câmara. É possível que optem pelo revezamento – um ano para o paulista; outro para o cearense.

 

Blairo Maggi, rico empresário nascido no Rio Grande do Sul e com militância política em Mato Grosso, estado que governou e agora representa no Senado, está prestes a trocar o PR pelo PMDB.

 

Fernando Haddad participa domingo, em Brasília, do Encontro Nacional da Juventude do PT. No partido, está consolidada a candidatura do ministro da Educação à prefeitura de São Paulo.

 

Embora não faça como Lula da Silva que desfila com a camisa do time, Fernando Henrique Cardoso também é torcedor do Corinthians.

 

Flávio Dino (PCdoB-MA), da nova geração de adversários do clã Sarney, disparou nas pesquisas de avaliação dos pretendentes a prefeito de São Luís. O ex-deputado, hoje presidente da Embratur, assustou Roseana (PMDB), ano passado, na corrida ao governo.

 

Getúlio Vargas, neto, filiou-se ao PPS. Sob a bandeira da sigla, o gaúcho disputa mandato de vereador no Rio de Janeiro.

 

Para refletir: “Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos” (Bob Marley, cantor e compositor jamaicano).

 

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Walter gomes

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