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o repórter 23/10/2011 - 01h30

A hora é para compor

Nada melhor do que negociar um acordo para a votação do Código Florestal no Senado. Na hipótese de confronto, o Palácio do Planalto sofrerá derrota semelhante à que lhe foi imposta pela Câmara. Em assunto de alta complexidade técnica e plurais interesses econômico-político-sociais, como é o estatuto em debate, o risco de complicadores cresce na proporção da elasticidade das posições fechadas. Não falta quem queira aparecer com solução mágica ou proclamar a inviabilidade do que está prestes a ser referendado pelos senadores.

Como no Congresso – e em outros plenários da sociedade brasileira – poucos conhecem, de fato, os detalhes da proposta aprovada pelos deputados e agora sob análise dos senadores. A embromação integra a agenda do disse que disse. O texto jurídico-ambiental está longe da perfeição, mas, no momento, é o possível.

 

TROCA DE CAMISA


Uma questão de sobrevivência política. Assim se explicam dois tucanos – um do Norte, o outro do Sul – que mudaram de lado porque foram derrotados na luta interna da social-democracia. Sem mandato, ambos estão isentos de punição, conforme a Lei Eleitoral.


Duas vezes governador do Pará (administrou o estado de 1995 a 2002), Almir Gabriel rompeu com o PSDB em dezembro de 2009. Ano passado, apoiou Ana Júlia Carepa, recandidata à chefia do Executivo paraense. A petista perdeu para Simão Jatene (PSDB). Almir Gabriel concorre, em outubro de 2012, à prefeitura de Belém pelo PR. Campanha difícil.


Gustavo Fruet, deputado de três mandatos (1998 a 2010) e sempre classificado entre os mais atuantes pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), é candidato a prefeito de Curitiba pelo PDT. Deixou o PSDB por causa da opção do governador do Paraná, Beto Richa, de integrar-se ao projeto de reeleição de Luciano Ducci (PSB), que fora seu vice à época em que administrou a capital paranaense. Fruet lidera as pesquisas de intenção de voto.

 

AJUDA E TANTO

 

É bilionária a renúncia fiscal do governo brasileiro. Próximo ano, o Tesouro Nacional deixa de arrecadar R$ 145 bilhões. Tamanha soma representa 3,22% do PIB.


Em 2009, somados incentivos e isenções, o percentual ficou em 2,81 do Produto Interno Bruto.

 

VISTO E OUVIDO


Conclusão de observador do troca-troca no Parlamento brasileiro. Pelos cálculos da direção do PSD, sua bancada na Câmara passou das cinco dezenas. É mais ou menos por aí – pouco mais, pouco menos.


Ocorre, porém, que a sigla recriada não conseguiu cooptar deputados de influência no plenário ou nas comissões permanentes da Casa.


Quase todos têm pouca visibilidade, exceto os envolvidos em deslizes éticos. Alguns com processo em trâmite no Supremo.

 

ASSIM É DEMAIS


Era só o que faltava na República Surrealista dos Trópicos. A intervenção da Fifa – um balcão de negócios – nas leis brasileiras. Basta, chega, fora.

 

UM DURO EMBATE


Intensifica-se e agita-se a sucessão paulistana. Marta Suplicy contraria o ex-presidente da República e reafirma o projeto de voltar à prefeitura.


Ela vai às prévias, se for o caso. Está disposta a enfrentar Fernando Haddad, preferido de Lula da Silva.


Ao conseguir a retirada de dois pré-candidatos com razoáveis esquemas de votos – os deputados Carlos Zaratini e Jilmar Tato –, a senadora ampliou apoios. Fortaleceu-se bastante para o confronto interno.

 

PERGUNTAR NÃO PAGA IMPOSTO


Curiosidade, apenas. E, agora, depois de tanta mutreta denunciada, ainda existe “presunção de inocência”, como proclama a presidente Dilma, para o ministro

Orlando Silva?

 

O NEGÓCIO É O SEGUINTE


Kátia Abreu renovou o mandato de presidente da CNA (Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil). Senadora por Tocantins, ela, ex-DEM, é o nome mais representativo do PSD no Congresso Nacional.

 

Substituição na Empresa Brasileira de Comunicação, estatal controladora da TV Brasil. Tereza Cruvinel perde a presidência para Nelson Breve.

 

Fiel seguidor do avô – três vezes governador da Bahia, uma por eleição indireta –, o deputado Antônio Carlos Magalhães, neto, programa candidatura ao Palácio de Ondina em 2014. O deputado é líder do DEM na Câmara.

 

Chega às livrarias Religião para ateus. O trabalho tem a assinatura do filósofo suíço Alan de Botton.

 

Fato superveniente na sucessão do Recife: se o PT tergiversar, o PSB terá candidato próprio ao Executivo da cidade. Consultado pelo governador Eduardo Campos, o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) aceita desafiar o petista João da Costa, prefeito recandidato.

 

Gleisi Hoffmann é o nome do PT para desafiar o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), candidato natural à reeleição em 2014. A ministra da Casa Civil é senadora com mandato até janeiro de 2019.

 

Para refletir: “Aqueles que dizem que a arte não deve propagar doutrinas geralmente se referem a doutrinas contrárias às suas” (Jorge Luis Borges, escritor argentino).

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Comentários
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espaço do leitor
antonio alberto victoi 23/10/2011 07:51
Já ouvi várias finiões sobre o que seja democracia. Penso que pode-se dizer que quase todas são mais ou menos corretas, dependendo da situação. Neste caso da DILMA x código florestal, de ela aceitar a vontade da maioria, no senado, a meu ver, é decisão de estadista só merece o aplauso de todos. DÁ LHE AMADA DILMA.
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