Criador de fatos político-administrativos que lhe garantem presença na vida pública fluminense, o engenheiro carioca César Maia é candidato a vereador. Com estágio no PCB, à época da ditadura militar, passou pelo PDT – sob o governo Leonel Brizola, foi secretário da Fazenda –, PMDB, PTB e PFL (rebatizado DEM). Foi três vezes prefeito da capital e em dois mandatos representou o estado na Câmara dos Deputados. Ano passado, tentou eleger-se ao Senado. Começou como favorito, mas, à medida do fracasso da campanha presidencial do tucano José Serra, a quem apoiava, perdeu espaços e, ao final, a eleição. Ficou em terceiro lugar. Os vencedores foram Lindbergh Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB), que renovou o mandato.
Em aliança com Anthony Garotinho (PR), o plano inicial era para César voltar à prefeitura carioca. Entretanto, com o argumento de que “é necessário renovar”, lançou o filho – deputado Rodrigo Maia, ex-presidente nacional do Democratas. O herdeiro, apesar da influência do pai e de Garotinho, antigo adversário, precisa, em verdade, do apoio de um santo milagroso para derrotar o recandidato Eduardo Paes (PMDB), ex-correligionário e hoje desafeto da família Maia.
César reconhece que o cenário é favorável à reeleição de Paes – a quem iniciou na política –, assim como a seu projeto de se eleger vereador e ajudar na montagem de uma grande bancada de oposição. Acredita que assim terá palanque privilegiado “com provável repercussão nacional”. Em 2012, faltarão dois anos para a Copa do Mundo e quatro para os Jogos Olímpicos do Rio. Diz que vai exercer “fiscalização implacável sobre as obras, as execuções orçamentárias e todas as rubricas envolvidas nos preparativos para os dois eventos”. O Rio de Janeiro ficou pequeno na política. Sérgio Cabral, governador falastrão, é a amostra da velhacaria (PMDB); a representação parlamentar – estadual e federal – está em
contínua decadência.
É, SIM, VERSÁTIL
Uma conclusão despretensiosa, porque simples. O recriado PSD não tem compromisso ideológico, conforme declaração do presidente nacional, Gilberto Kassab. Como deseja agradar a todas as tendências do eleitor brasileiro, o partido adota um posicionamento pluralíssimo: direita, esquerda e centro. Pode, portanto, fazer aliança com as (quase) três dezenas de legendas com registro na Justiça
Eleitoral – do DEM ao PCdoB, do PSDB ao PT, do PMDB ao PR.
ELENCO DE APOIO
Os espaços do PT no Parlamento e no primeiro escalão do governo. A tendência de maior presença é a CNB (Construindo um Novo Brasil). Agrega 41 deputados, 11 senadores e 12 ministros. Mensagem ao Partido, em segundo lugar, ocupa 21 cadeiras na Câmara, uma no Senado e três gabinetes na Esplanada. Na terceira posição situa-se o Movimento PT. Tem oito deputados e um ministro. Com um lugar na Câmara, outro no Senado e o titular de uma Pasta, segue-se Articulação de Esquerda. Detalhe: há nove deputados sem posicionamento oficial.
Veja a desproporção na aliança de apoio ao governo Rousseff. Enquanto os petistas comandam 16 ministérios, o PMDB – 80 deputados e 14 senadores – dirige seis.
LUTA PELO PODER
Gabriel Chalita esteve perto de integrar o governo Rousseff. Seria ministro da Educação, mas, a pedido de Lula da Silva, Fernando Haddad foi mantido no cargo. Por necessidade estratégica, o ex-presidente quer retirar o deputado da disputa pela prefeitura de São Paulo. Em troca, o neopeemedebista iria, antes da reforma do primeiro escalão, para o lugar de Haddad, olhado de soslaio por parte considerável do PT.
A afilhada-sucessora não gosta da ideia; Chalita, consolidado como candidato do PMDB, tampouco.
NA MARÉ VAZANTE
O DEM perdeu alguns deputados para o ressuscitado PSD. Agora o partido está ameaçado de outro desfalque na Câmara.
Maria Auxiliadora Seabra Rezende, cujo nome parlamentar é professora Dorinha, foi denunciada por ilicitude na compra de material didático à época em que foi secretária de Educação de Tocantins.
Desmembrada dos autos, a parte referente à deputada, que tem direito a foro especial, foi transferida para o Supremo Tribunal
Federal, a pedido do ministro Marco Aurélio.
O NEGÓCIO É O SEGUINTE
Dilma Rousseff viaja, dia 18, a Pretória para participar da Cúpula do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul). Além da capital executiva, Dilma Rousseff deve visitar a legislativa – Cidade do Cabo.
Cristão-novo no PMDB – deixou recentemente o PR –, o deputado Sandro Mabel posiciona-se como alternativa para concorrer ao governo de Goiás, em 2014.
Gabriel Chalita dedica a Michel Temer o livro que está prestes a lançar: Sócrates e Thomas More – Correspondências imaginárias. O vice-presidente da República apadrinha a candidatura do deputado, neopeemedebista originário do PSB, a prefeito de São Paulo.
Marcada para dia 26 a posse de Ana Arraes no Tribunal de Contas da União.
Uma mera observação: a retomada do ciclo inflacionário coincide com juros altos e o dólar (moeda de conversão no mercado internacional) em alta.
A jornalista Clara Becker assina o perfil do ministro Fernando Haddad na revista Piauí, edição nas bancas.
Para refletir: “Uma das razões por que escrevo é descobrir como termina a história” (José Eduardo Agualusa, escritor angolano).
Walter Gomes
waltergomes@opovo.com.br
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