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Walter Gomes 08/10/2011 - 15h00

É mesmo para arrepiar


Paradoxalmente, as soluções para o Brasil enfrentar a crise internacional (2008-2009), que volta a amedrontar países desenvolvidos e emergentes, são também a fonte de vários dos seus problemas internos. Nos últimos anos, o crédito cresceu desordenadamente. No final do segundo mandato de Lula da Silva, a evolução atingiu a marca de 45% do tamanho da economia nacional.

 

O dinheiro caro, mas de acesso facilitado pelas medidas populistas do governo de então, incentivou os brasileiros à gastança. Multidões foram às compras. Adquiriram serviços e bens – os indispensáveis, os necessários e, na onda do “eu agora posso”, os supérfluos também. Ignoraram ou não perceberam a cilada. A taxa de juros sobre empréstimos é a segunda maior do mundo. A dos cartões de crédito oficializa a agiotagem que financia campanhas milionárias de candidatos ao Executivo e ao Legislativo.


Veja como está a situação na República Surrealista dos Trópicos. Levantamento assinado por oito dos mais respeitados economistas brasileiros – da iniciativa privada e do quadro funcional de órgãos do governo – mostra que o pagamento de dívidas pessoais (vencidas e a vencer) compromete entre 20% e 23% dos rendimentos das famílias. É semear a inadimplência.

 

AH, AS ILUSÕES


Os colonizadores estão de volta para ditar normas aos colonizados.


Às vezes, como é o caso da relação Fifa-Brasil, com a aquiescência de autoridades deslumbradas com a realização da Copa do Mundo nos estádios nacionais – em construção ou em remodelação.


Em nome de brasileiros revoltados com a subserviência dos governantes – da União e dos estados – às exigências da Federação Internacional de Futebol, o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), protesta:


“Isso agride a cidadania e os direitos dos consumidores. São inaceitáveis os termos definidos pela Fifa. A revisão na Casa Civil foi feita por gente que não entende de leis brasileiras, inclusive a Constituição.”


BECO SEM SAÍDA


Uma incursão ao âmago da crise internacional.


Os especialistas estão assustados com os complicadores crescentes. Eles aconselham cautela redobrada a governantes e governados. O momento, dizem, é preocupante.


Dispensam-se otimismo patriótico e expectativa lotérica.


Não há tranquilidade possível enquanto a Europa não se redimir. Até lá, o capital sem pátria aposta nas economias de países emergentes.

 

PONTO DE RELEVO


É complicada a estratégia do jogo político de mineiro.


O deputado Marcos Montes, aliado do projeto eleitoral de Aécio Neves para 2014, troca o DEM pelo PSD.


Ora, Gilberto Kassab, líder da sigla renascida, além de ligadíssimo a José Serra, apoia a presidente Dilma Rousseff, provavelmente candidata à reeleição.


É, SIM, VERSÁTIL


Uma conclusão despretensiosa, porque simples. O recriado PSD não tem compromisso ideológico, conforme declaração do presidente nacional, Gilberto Kassab.


Como deseja agradar a todas as tendências do eleitor brasileiro, o partido adota um posicionamento pluralíssimo: direita, esquerda e centro. Pode, portanto, fazer aliança com as (quase) três dezenas de legendas com registro na Justiça Eleitoral – do DEM ao PCdoB, do PSDB ao PT, do PMDB ao PR.


Vai depender da circunstância e do interesse imediato.


ONDA QUE AFOGA


Veja como caminha o PSDB – um passo trôpego ali e outro acolá.


Três constatações de pesquisa nacional encomendada pelo partido:

 

1. A guerrilha interna (aecistas e serristas) enfraquece a legenda;


2. Os tucanos foram ofuscados pelos petistas;


3. A social-democracia tem perdido espaço no debate político e no diálogo com a sociedade.


Pós-escrito: o partido não está bem nos grandes centros eleitorais de referência. Em alguns nem apresenta candidato próprio a prefeito.


O NEGÓCIO É O SEGUINTE


Uma proposta simples e eficiente do advogado Thiago Massicano. Em vez de aumentar o imposto sobre importação de automóveis, o governo incentivaria a indústria nacional com a diminuição da alta carga tributária sobre o produto nativo.


Serviço de utilidade pública: só os iniciados (ou bem assessorados) devem investir em ações. O mercado está mais volátil do que nunca.


Está cheio de furos o barco do voto em lista. Henrique Fontana (PT-RS), relator da reforma política na Câmara e defensor do instituto, fala que “não é bem assim”. É pior: em verdade, a embarcação vai naufragar.


O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) presta exames para o mestrado em Ciência Política, na UnB (Universidade de Brasília).


Quando há necessidade, como no momento complicado de agora, o PSDB recorre a Fernando Henrique Cardoso. Quinta-feira (13), o ex-presidente terá espaço nobre no programa do partido em rede nacional de rádio (20h às 20h10) e tevê (20h30 às 20h40).


Logo após assumir o terceiro mandato de presidente da Fiesp, Paulo Skaf fez uma dupla confissão. Vai lutar para “um dia governar São Paulo”. Primeiro, a capital; na sequência, o estado.

 

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