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Walter Gomes 01/10/2011 - 17h00

À guisa de exortação


Parece que Dilma Rousseff ultrapassou a fase de afilhada-sucessora de Lula da Silva. É certo que chegou à Presidência da República graças ao padrinho, hors-concours em esperteza política e outros penduricalhos menos elogiosos. Há espaço, porém, para se imaginar que, se ele não a tivesse ungido, talvez as urnas do ano passado tivessem sido magnânimas com o projeto da irregular oposição. Assim, de repente, fica difícil imaginar outra solução plausível, independentemente do gênero de quem fosse apresentado ao respeitável público.


Após o bom desempenho na primeira grande missão no exterior, à parte a ladainha da mulher perseguida e torturada que falava ao mundo da tribuna da ONU, chegou a hora de a senhora Rousseff mostrar-se por inteiro. Está no direito dela o hábito de não se expor. Mas é criticável quando deixa a impressão de alheamento sobre as ocorrências no dia a dia do País.


São importantíssimas a presença e a mensagem de quem dirige. A mineira-gaúcha não foi votada só para ser gerente. O eleitor a escolheu para líder, cuja palavra, mais do que referência, deve ser voz de comando. Mas não é só isso. A chefe do Governo brasileiro – ou da República Surrealista dos Trópicos, como preferem alguns – é mandatária num regime democrático. Pressupõe-se que tenha disposição para diversificar o diálogo. Então, que a Presidente materialize o gesto provavelmente desejado.

 

CONHECE O ASSUNTO

A propósito da campanha municipal do próximo ano. Convém antes recordar a disputa do voto de 2008. Em 20 das 26 capitais de estados – em Brasília não há eleição para prefeito – os vitoriosos no primeiro turno foram os que, durante o horário gratuito, tiveram mais exposição na tevê. No segundo, o tempo no vídeo é igual para os dois finalistas.

Quem se interessa pelo assunto, o birô da coluna recomenda o livro Emoções ocultas e estratégias eleitorais.

De autoria de Antonio Lavareda, sociólogo e cientista político, a obra foi editada pela Fundação Getúlio Vargas.


AINDA ESTÁ POUCO

Nove mulheres entre os 100 parlamentares de maior influência no Congresso. Segundo levantamento do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), cinco são deputadas. Duas do PCdoB: Alice Portugal (BA) e Manuela D’Ávila (RS); uma dupla do PSB: Ana Arraes (PE), prestes a receber a toga do Tribunal de Contas da União, e Luiza Erundina (SP); uma do PMDB: Rose de Freitas (ES).

As quatro senadoras: Kátia Abreu (PSD-TO), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Marta Suplicy (PT-SP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

 

ONDA QUE AFOGA

Veja como caminha o PSDB – um passo trôpego ali e outro acolá. Três constatações de pesquisa nacional encomendada pelo partido:

 

1. A guerrilha interna (aecistas e serristas) enfraquece a legenda;


2. Os tucanos foram ofuscados pelos petistas;


3. A social-democracia tem perdido espaço no debate político e no diálogo com a sociedade.


Pós-escrito: o partido não está bem nos grandes centros eleitorais de referência. Em alguns nem apresenta candidato próprio a prefeito.

 

FORA DO CONTEXTO

Há improvisação na novelesca política econômica do país. A crise internacional é a base do enredo; o protagonismo, do ministro da Fazenda. Veja o que ele diz: “Se a coisa complicar, vamos ter de repensar tudo e ver o que precisa ser feito.”

O suspense-comédia no complemento da fala de Guido Mantega: “Não vamos precipitar nos antecipando aos fatos.”

 

É PRECISO AVALIAR


Muitos são os apelos do PSDB, mas José Serra resiste. Talvez seja o que de mais acertado tenha de fazer, disse ao birô da coluna um grão-duque do tucanato. Segundo lugar nas pesquisas para a prefeitura paulistana – o primeiro é de Marta Suplicy, abandonada pela cúpula do PT – e líder em rejeição, ele prefere resguardar-se para 2014.


No caso de Serra manter a posição, muito provável, o governador Geraldo Alckmin tem uma preferência: Bruno Covas, jovem deputado-secretário de Meio Ambiente de São Paulo. Bruno é neto do lendário Mário Covas, um dos fundadores do MDB (rebatizado PMDB) e do PSDB.


O NEGÓCIO É O SEGUINTE


Muito provável: o PR deve perder um senador para o PMDB. Trata-se do mineiro Clésio Andrade, também presidente da Confederação Nacional dos Transportes.


Três bancadas levam o Palácio do Planalto ao sobressalto: evangélicos, peemedebistas e ruralistas.


João Capiberibe (PSB-AP) vai ser diplomado senador pela Corte Eleitoral de seu estado, determina o Supremo. Próximo passo: assumir o mandato. Sai, portanto, Gilvan Borges (PMDB), terceiro colocado no pleito de 2010.


O voto em lista está morto e sepultado antes de os parlamentares votarem a reforma (?) política.

 

Dilma Rousseff participa da reunião Brasil-União Europeia nesta segunda-feira (3/10), em Bruxelas. De lá, vai a Sófia, capital da Bulgária, onde nasceu seu pai, Pétar (chamado Pedro, no Brasil).


Bastante provável, conforme os sussurros no Banco Central e a expectativa do mercado, nova queda dos juros. Na reunião do próximo mês, o Copom derruba a taxa Selic de 12% para 11%, apesar de a inflação situar-se na faixa de 6,5%.

 

Para refletir: “A mais potente arma na mão do opressor é a mente do oprimido” (Steven Biko, ativista contra o racismo na África do Sul).

 

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