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Walter Gomes 24/09/2011 - 17h00

O esboço da realidade possível


PMDB e PT encontram dificuldades para transformar em votos majoritários nas capitais a força nacional que têm. Para a eleição do próximo ano nos centros de maior importância, os peemedebistas são favoritos apenas no Rio de Janeiro. Mantido o cenário de agora, Eduardo Paes será reeleito.


Em São Paulo, o PMDB é fraco, embora o líder estadual seja o vice-presidente da República. Michel Temer, tem mais sorte política do que prestígio nas urnas. Ele lança Gabriel Chalita, ex-PSB, que chegou à Câmara com mais de meio milhão de votos. É um postulante com crescimento provável, mas está fraco nas aferições dos institutos de opinião. Já o PT é forte. Faz contraponto ao PSDB, sempre cotadíssimo. No momento, dois ex-prefeitos lideram as pesquisas: Marta Suplicy, sob a bandeira do petismo, e José Serra, um tucano em processo de desgaste. Marta assume o projeto, mas Serra diz que prefere consultar as urnas de 2014. Lula da Silva, com a roupagem de “coronel” do asfalto, comanda a operação para fazer Fernando Haddad candidato do Partido dos Trabalhadores. O ministro da Educação está entre os últimos na avaliação dos eleitores, mostram as pesquisas.


Márcio Lacerda (PSB), bem avaliado, cuida da recondução à prefeitura de Belo Horizonte. É apoiado por frente partidária que inclui o PSDB de Aécio Neves. O peemedebista Leonardo Quintão, derrotado (diferença pequena) por Lacerda em 2008, pode desafiá-lo ano que vem. Dividido, o PT aguarda os acontecimentos para definir o que irá fazer. Depende de entendimento, cercado de complicadores, entre os grão-duques da sigla em Minas Gerais, os ex-prefeitos Patrus Ananias e Fernando Pimentel.


Tanto o PT quanto o PDT e o PMDB são partidos de referência no Rio Grande do Sul. Para 2012, porém, os gaúchos de Porto Alegre optam por Manuela D’Ávila (PCdoB), política em vertiginosa ascensão. José Fortunati (PDT), em campanha para reeleger-se, é o segundo da fila. O PMDB anda meio sem rumo. Por isso, próximo ano, participa do processo como coadjuvante.


Os petistas estão bem nos três grandes colégios do Nordeste: Salvador, Recife e Fortaleza. Sobem ao ringue curitibano o prefeito (recandidato) Luciano Ducci (PSB) e Gustavo Fruet, prestes a vestir a camisa do PDT. Ducci tem o apoio do PSDB, até dia desses a legenda de Fruet. O ex-tucano é incentivado pelo PT dos ministros Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo.

 

FASCÍNIO DO PODER


O PSD é partido chapa-branca no plano federal e na área regional.


No país, apoia a presidente Dilma Rousseff. Já agora, a nascente bancada no Congresso vota de acordo com o Palácio do Planalto.


Entre os chefes de executivos estaduais que estão distantes da sigla reinventada pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab, destaca-se o tucano paulista Geraldo Alckmin.


Quando se trata do Nordeste, teve ajuda para a subscrição de assinaturas nas três principais unidades federativas – Bahia, Pernambuco e Ceará.


Jaques Wagner (PT), governante baiano, facilitou a troca de camisa nas legendas de sua base. O cearense Cid Gomes (PSB) foi mais longe: tirou quadros do DEM, em processo de aguda subnutrição eleitoral no estado, e do PSDB, ainda respirando sem a utilização de aparelhos. Em território pernambucano, os pessedistas nada fazem sem o “sim” de Eduardo Campos, governador e presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro.

 

ATO DE PRUDÊNCIA


Itamaraty muda de tom nas relações com o Irã.


O chanceler Antônio Patriota surpreendeu ao declarar que o país asiático precisa conquistar a “confiança total do Brasil”.


Mais: deve demonstrar à comunidade internacional que “seu programa nuclear é apenas para fins pacíficos”.

 

SAÍDA NA JOGATINA


Recursos dos jogos de azar para o financiamento da Saúde.


É o que defende o governador (reeleito) do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, filho. Desde a época de deputado estadual, o peemedebista – “por pragmatismo”, explica – acha que convém legalizar o que hoje é contravenção.


Para ele, trata-se de uma fonte de financiamento importante para muita coisa, “inclusive para a saúde pública”.


– Ora, vamos ser objetivos. Não pode casa de bingo, aí descobrem bingos ilegais. Não pode cassino, descobrem cassinos ilegais. Considero até falta de bom senso, hipocrisia. Se há demanda, vai existir oferta. Vamos, então, organizar a oferta no Congresso Nacional.

Vamos fazer uma lei direita, organizada, que controle esse dinheiro – falou Cabral.


O NEGÓCIO É O SEGUINTE


Em 2012, resultantes de aposentadorias compulsórias, duas vagas no Supremo. Cezar Peluso completa 70 anos em setembro; Carlos Ayres Britto, em novembro.

 

Vindas do PT de antigamente, duas ex-senadoras articulam a criação de um partido.

Marina Silva (ex-PV) e Heloísa Helena (ex-PSol). Planejam a nova legenda para a eleição de 2014.


Há dois meses lançado em São Paulo, só na semana passada chegou a Brasília o livro César – A vida de um soberano. A obra do historiador inglês Adrian Goldsworthy é apontada pela crítica internacional como a mais completa sobre o imperador romano. São 700 páginas que descrevem o general, o político e o cidadão.


Mercado eleva para 5,28% a previsão do índice de inflação de 2012. O governo, para aliviar a carga de apreensão, anuncia 4,8%.


Dirigem o Instituto Lula, sede em São Paulo, quatro membros da equipe do então chefe do governo da República. Paulo Okamoto é o presidente. Clara Ant, Luiz Dulci e Paulo Vanuchi completam o grupo.


Para refletir: “Escrever não é nada mais senão ter o tempo de dizer: estou morrendo” (Gaëtan Picon, crítico de arte e ensaísta francês).

 

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