vertical s/a 22/07/2012

BNB e Vale Grande: crédito, assessoria e prejuízo

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A rigor, o Banco do Nordeste (BNB) não cometeu irregularidade. Todavia, na concessão de empréstimos ao frigorifico Vale Grande, do Mato Grosso, o Banco foi imprudente. Emprestou dinheiro afrouxando as normas internas. E um detalhe: o BNB prestou serviços de assessoria financeira, conforme contrato assinado no começo de 2009. A empresa acabou entrando com plano de recuperação judicial em outubro de 2010 e o BNB apareceu como o banco credor com maior valor a receber: cerca de R$ 100 milhões.Na sentença da Justiça do Mato Grosso, porém, o BNB ficou definido que o Banco só teria direito a R$ 54,6 milhões.

 

Leia mais 

- Confira, na íntegra, a nota do BNB 

 

REGRAS FORAM AFROUXADAS
A primeira operação aconteceu no final de 2008. A Agência de São Paulo deu parecer favorável a cerca de R$ 30 milhões de empréstimo a Vale Grande. Em Fortaleza, a Central de Operações (Cenop) aprovou um valor um pouco menor. Algo em torno de R$ 2 milhões a menos. Da Central, a Proposta de crédito seguiu para análise em outro comitê, que ratificou, e para a Diretoria, que manteve o valor, para capital de giro. Na época, a análise técnica apontou tranquilidade, dada a regularidade financeira da empresa.

Alguns dias depois de ter obtido a aprovação, a empresa apresentou Proposta para sacar todo o valor aprovado (R$ 30 milhões). No encaminhamento da Proposta de liberação, a Agência avisou à Direção que estava a abrir mão do rigor em dois aspectos: as condições oferecidas eram diferentes do padrão do produto Giro Simples. Na prática, exigências mais frouxas quanto a encargos, garantias e carência. A empresa ganhou o direito de pagar encargos com taxa pós-fixada, tomando por base o CDI, enquanto pela regra padrão seria taxa-pré-fixada.

ASSESSORIA NA REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA
No início de 2009, a o BNB enviou à Vale Grande carta-proposta para prestação de serviços como assessor financeiro. Após aprovar os empréstimos, o banco se ofereceu para trabalhar na reestruturação e passivos da empresa. Em economês, o BNB se ofereceu como Financial Advisor. Pediu 0,5% sobre o saldo devedor do endividamento a ser trabalhado. A Vale Grande aceitou a abordagem do credor. O serviços foram prestados pelo Ambiente de Cadastro e Análise de Serviços Financeiros, por cerca de R$ 400 mil. O Ambiente é área subordinada à Superintendência Financeira, comandada na época pelo então superintendente e atual diretor financeiro, Fernando Passos.

 

Em fevereiro de 2009, novo pedido de crédito pela Vale Grande. Desta vez cerca de R$ 120 milhões, também a partir da agência de São Paulo. Após ok da agência, a Cenop (Fortaleza) baixou o limite para algo em torno de R$ 100 milhões. Novamente para capital de giro. Outro comitê, o Comac, ratificou a análise técnica e a Diretoria assinou os cerca de R$ 100 milhões. Tempo médio entre a entrada do pedido em São Paulo e o ok da Direção: 10 dias.

SINAL AMARELO ACESO
O sinal amarelo já estava acendendo. A analise técnica verificou aumento de endividamento e menor liquidez. Viu claramente que a empresa lidava com passivos e ativos e curto prazo com maior dificuldade. Em abril, a empresa obteve a aprovação do BNB para sacar cerca de R$ 15 milhões - deduzindo dos R$ 100 milhões aprovados. Detalhe: em mais um ato de perigosa generosidade, o BNB aceitou como garantia uma fazenda com hipoteca em 2º grau. O referido imóvel foi oferecido já estando hipotecado a outro banco. Tudo fora do recomendado pelas normas de então. Um mês depois,em maio, a empresa pediu para sacar mais R$ 55 milhões. Em quatro dias, recebeu um Sim.

 

A PRIMEIRA RENEGOCIAÇÃO
Em setembro de 2009, portanto, apenas quatro meses depois, o BNB recebeu a primeira proposta de renegociação de dívidas da Vale Grande. Na época cerca de R$ 100 milhões era o total. A fila de credores tinha: Santander, Bradesco, Bradesco-Gradn Cayman, Banco do Brasil, Citibank, Banco Votorantim e o BNB. A consultoria contratada pela Vale Grande apontou a necessidade de suspender temporariamente os pagamentos aos bancos e um plano de reescalonamento da dívida. Vistoria do BNB verificou prejuízo da Vale Grande de cerca de 500 milhões e Patrimônio Líquido negativo na casa de R$ 40 milhões.

O DIZ QUE O BANCO

Em nota, o BNB disse que tem autorização para operar em todo o País. Nas tais operações, informou usar dinheiro captado no mercado mercado, sem usar recursos do FNE. Segundo a nota, a prestação de assessoria financeira está prevista no estatuto social. O BNB nega ter tido prejuízo com o grupo. “A parte da dívida que foi objeto de deságio no plano de recuperação judicial foi assumida pelos avalistas das operações, os quais proveram garantias reais hipotecárias para a mesma”. A nota afirma que as propostas do grupo foram auditadas em junho de 2010. “Conforme a referida auditoria, antes de passar pelo comitê do qual o Sr. Fernando Passos fazia parte (juntamente com mais dois gerentes de seu nível), as propostas de concessão de LRC passaram por dois comitês técnicos que já haviam se manifestado a favor .” Segue: “O Sr. Fernando Passos, portanto, participou de um comitê técnico na aprovação do LRC, não tendo participado da aprovação das propostas de crédito”. Segundo a nota, o Banco Central também auditou e não apontou nenhuma irregularidade. A íntegra da nota está em http://bit.ly/QazUYW

 

 

100 mi de reais foi o valor aproximado do total da dívida acumulada pela Vale Grande o BNB. 

 

JIPE
A Ford apresentou a nova versão policial do jipe T4. Ele será exposto na Feira Internacional de Tecnologia, Serviços e Produtos para Segurança Pública, de hoje a terça, em São Paulo. Já é usado na Policia e Bombeiros do Ceará, PRF e FAB. Fabricado em Horizonte, ainda é primo pobre no portfólio da montadora. 

 

SÁ CAVALCANTE
O grupo Sá Cavalcante, do Maranhão, mas com DNA cearense, fez emissão de debêntures no valor de R$ 350 milhões. Usará o dinheiro para investir nos shopping centers do grupo. Bradesco e Itaú são os coordenadores, mas o Bradesco lidera. Pretende fechar o ano com R$ 400 milhões de receita e cerca de R$ 100 milhões de Ebitda. Nalista de invstimentos, os shoppings Rio Poty, em Teresina; Ananindeua, no Pará; Guarulhos, em São Paulo; e Moxuara, em Cariacica (ES). 

 

HOJE A NOITE

A secretária-executiva da Unidade de Parcerias Público-Privadas da Prefeitura de Fortaleza, Silvana Fujita, participa do Vertical S/A desta semana. Ela explica como Fortaleza pretende tocar o projeto de shoppings populares noCentro, retirando os ambulantes das ruas. Na Agenda Positiva, doces de salgados. No Ócio, a professora de economia Alessandra Araújo (UFC) viaja pelo mundo.

Hoje em horário alternativo na TV O POVO, Às 23 horas. 48 UHF, 23 NET, 11 TV Show e www.opovo.com.br  

 

CAFÉ COM MARINA ABIFADEL

 

SOBRE EDUCAÇÃO SUPERIOR

 

Marina tomou um café no Espaço O POVO de Cultura & Arte
Marina Abifadel, 30, é diretora da Faculdade da Grande Fortaleza (FGF), no João XXIII. Ela diz que o setor sofre com a baixa escolarização do ensino médio.

VERTICAL S/A - Se você fosse abrir um campus hoje, você abriria novamente na periferia de Fortaleza?
Marina Abifadel - Sem sombra de dúvidas. É o lado emergente da Cidade. Há muito tempo que vem crescendo, que vem se valorizando, mostrando a sua cara.

VSA - E essa dita classe C está mesmo investindo mais em educação?
Marina - Sim. É a grande oportunidade, sobretudo por conta dos novos financiamentos como o Fies. A legislação mudou agora, pode ser financiado em até 100%, sem fiadore incluindo a matrícula.
Ou seja, ampliou ainda mais a inserção das pessoas.

VSA - Quais são os planos da FGF?
Marina- Investir em educação a distância e no ensino profissionalizante. Nesse caso ensino médio, técnico. Fizemos pesquisa de mercado e é o público que pretendemos atingir e é isso que o mercado espera. Hoje são 13 cursos em infraestrutura, saúde, administração e TI.

VSA - O Brasil tem alto déficit de jovens no ensino superior. O que o setor privado poderia
fazer mais?
Marina - Falta financiamento para o setor. E a demanda do ensino médio ainda é muito limitada, não chega a 60% no Brasil, nos jovens de 15 a 17 anos.

VSA - O que o aluno observa quando vai escolher uma faculdade?
Marina - Localização, preço e qualidade. A qualidade é importante, mas ele não conseguiu perceber isso de modo diferenciado entre as instituições. A qualidade pesa quando não tem.

VSA - A qalidade é percebida por faculdade ou por curso?
Marina- Por curso. Ele identifica numa mesma instituição as diferenças.

VSA - A concorrência no ensino superior é educada?
Marina - Ela é extremamente agressiva. Mas acredito que há um imenso oceano azul para desbravarmos, se juntos conquistarmos maior escolarização no ensino médio e mais financiamentos. 

 

JOGO RÁPIDO

Nem veio Dilma nem Mantega para a festa de 60 anos do Banco do Nordeste. A ausência foi sentida por quem deseja ver o Banco forte e prioritário para o Palácio do Planalto. 

 

HORIZONTAIS

 

- O anúncio da expansão do Grupo Estácio no Ceará, feito pelo presidente Rogério Melzi (O POVO de sexta), fortaleceu a diretora no Estado, Ana Flavia Chaves - Amanhã, na Fiec, tem o “Encontro de Líderes”, promovido pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e Movimento Brasil Competitivo (MBC), com o Movimento Ceará Competitivo. - A operadora Vivo deitou e rolou diante das restrições impostas pela Anatel a Claro, oi e TIM. n De segunda a sexta tem Vertical S/A em quatro edições por dia na Calypso FM 106.7. 

Jocélio Leal leal@opovo.com.br
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espaço do leitor
Pedro Neto 23/07/2012 14:42
A coluna realmente verticalizou o conteúdo. Só há espaço para o BNB.
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