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Thomas Friedman 17/08/2012

O desempenho médio acabou

Para os políticos, o importante é ser "fabricado nos Estados Unidos", mas, para os empresários, as coisas são "fabricadas no mundo"
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Um grande desajuste existe hoje entre como os diretores executivos norte-americanos olham para o mundo e como muitos políticos norte-americanos e pais olham para o mundo – e isso pode estar nos impedindo de assumir nosso desafio de educação tão seriamente quanto precisamos.


Para muitos políticos, “terceirização” é uma palavra feia, porque envolve os empregos saindo “daqui” e indo para “lá”. Mas, para muitos empresários, terceirização não existe mais. No mundo absolutamente conectado de hoje, não há mais “externo” e “interno”. Só há lugares “bons”, “melhores” e o “melhor de todos” para se produzir e, se eles não encontrarem o lugar mais eficiente quanto aos custos, onde quer que seja, os competidores deles vão encontrar.


Para os políticos, o importante é ser “fabricado nos Estados Unidos”, mas, para os empresários, as coisas são “fabricadas no mundo” – um mundo no qual cada vez mais produtos são imaginados em todo lugar, desenhados em todo lugar, manufaturados em todo lugar com cadeias de fornecedores mundiais e vendidos em todo lugar. Os políticos norte-americanos ainda são cidadãos de nossos estados e cidades, enquanto os empresários são cada vez mais cidadãos do mundo, com fidelidades mais amplas. Para os políticos, todos os clientes deles estão aqui; para os presidentes, 90% dos seus novos clientes estão no Exterior. O credo do político hoje é: “Por que você não está contratando mais pessoas aqui?” O credo do presidente da empresa hoje é: “Você só contrata alguém – onde quer que seja - se absolutamente precisar”, se não houver uma máquina mais inteligente, um programa de computador ou robô disponível.


Sim, isso é uma simplificação, mas a tendência é clara. A tendência é que, para cada vez mais empregos, o desempenho médio acabou. Graças às fusões, aos avanços na globalização e a revolução da tecnologia da informação, cada chefe hoje tem acesso fácil e barato a softwares, automação, robótica, trabalho barato e cabeças mais baratas do que nunca. Então, apenas fazer um trabalho médio não dará mais um estilo de vida mediano. Sim, eu sei, foi isso que disseram sobre a “ameaça” japonesa nos anos 1980. Mas o Japão só desafiou duas indústrias – de carros e eletrônicos - e apenas uma cidade norte-americana, Detroit. A globalização e a revolução da internet/telecomunicações/computação desafiam todas as cidades, cada trabalhador e seu emprego. Não existe um bom emprego hoje que não exija uma formação cada vez maior para conquistá-lo e mantê-lo.


É por isso que é perturbador quando novos estudos mostram que as escolas K-12 norte-americanas continuam a ficar para trás em relação a outros grandes países industrializados nos testes de educação internacionais. Como os políticos, também muitos pais acham que, se a escola de seu filho está melhor do que a vizinha, está tudo bem.


Bem, uma dose de realidade está a caminho, graças a Andreas Schleicher e à equipe dele da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que coordena o programa de Avaliação de Estudantes Internacionais, conhecido como o teste Pisa. A cada três anos, a OCDE vem submetendo uma amostra de estudantes de 15 anos de idade ao teste Pisa, em 70 países, para avaliar leitura, matemática e habilidades científicas.


Os Estados Unidos não têm destaque. Estão apenas na média, mas muitos pais têm certeza de que os filhos estão acima da média. Com a ajuda de várias fundações nos Estados Unidos, Schleicher acaba de terminar um estudo piloto em 100 escolas norte-americanas para capacitar os diretores das escolas, os professores e pais a verem não apenas como os Estados Unidos se comparam com a China, mas como sua própria escola se compara contra escolas similares nos países de melhor formação educacional, como Finlândia e Cingapura.


“O bilhete de entrada para a classe média hoje é algum tipo de formação de terceiro grau”, mas muitas crianças que estão saindo das K-12 não são preparadas para isso, e muitos pais não entendem, diz Jon Schnur, o diretor da America Achieves, que é a organização parceira da OCDE nesse projeto, como parte de um esforço para ajudar todo norte-americano a entender a conexão entre as conquistas educacionais em suas escolas – para todas as faixas etárias - e o que será exigido para desempenhar seus trabalhos do futuro.


“Imagine, em poucos anos, você poderá entrar em um site e ver como sua escola se compara com outra em qualquer outra parte do mundo”, diz Schleicher. “E, então, você leva essa informação para o seu superintendente local e pergunta: ‘Por que não estamos nos saindo tão bem quanto às escolas na China ou na Finlândia?’”


A equipe de Schleicher está avaliando todos os resultados – e os perfis socioeconômicos de cada escola - para ter certeza de que têm os dados adequados para fazer comparações mundiais. Eles esperam ter uma plataforma de comparação disponível no início do próximo ano.


Acrescenta: Schleicher “Se os pais não souberem, não vão exigir um serviço educacional de alta qualidade. Eles vão apenas dizer que a escola dos filhos é tão boa quanto a que frequentaram”. Se essa plataforma de comparação puder ser feita, ele diz, poderá dar aos pais, diretores e professores força para exigirem algo mais.


“Isso não é para ameaçar as escolas”, informa. Ele visa dar a cada uma delas “as alavancas para fazerem as mudanças” e o ritmo de reforma que é possível quando cada participante em uma escola tem os dados e pode dizer: veja como outros fizeram melhorias dramáticas no mundo inteiro. Por que nós não podemos?


Tradução: Daniela Nogueira


danielanogueira@opovo.com.br

 

Thomas Friedman

Colunista de assuntos internacionais do New York Times, Friedman já ganhou três vezes o prêmio Pulitzer de jornalismo. É autor do best-seller O Mundo é Plano

 

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Giovna 31/08/2012 10:42
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