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Responsabilidade Social e Ética 25/06/2012

Feitiço do tempo

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A importância da Rio+20 é inegável. A reunião da ONU sobre as questões da sustentabilidade colocou o Brasil no noticiário internacional e no centro das discussões e manifestações locais.


É certo que alguns cariocas se surpreenderam com cocares multicoloridos entre os passageiros do metrô, enquanto outros tiveram que mudar o seu trajeto diário, abrindo espaço para reivindicações de arco e flecha na avenida. Mulheres não deixaram por menos e, a exemplo de ativistas ucranianas, desfilaram em bloco o seu protesto seminu. Isto, só para citar algumas das manifestações. Houve outras, muitas outras.


Tudo muito natural em um evento de tamanha grandeza, pautado por objetivos ambiciosos e conduzido por público de diversidade jamais imaginada. Como já foi fartamente divulgado, os resultados finais não corresponderam às expectativas e muitos se sentiram frustrados, o que também era de se esperar. Estranho seria se houvesse a concordância de todos com tudo, em clima de utopia.


No entanto, nos 40 anos de preocupações formais das Nações Unidas com o meio ambiente e o desenvolvimento humano, devemos reconhecer uma evolução. Da Conferência de Estocolmo em 1972, passando pela Eco-92 há 20 anos e pela Cúpula Mundial de Joanesburgo em 2002, chegamos à Rio mais 20 somando mais consciência e mobilização da sociedade e dos governos. Isso não é pouca coisa.


CONTRIBUIÇÃO DOS DIÁLOGOS

A iniciativa dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável –reuniões paralelas abertas à participação da sociedade civil– enriqueceu a Rio+20 com recomendações práticas de quem vive a realidade do planeta. As contribuições decorrentes dos debates entre representantes do setor privado, ONGs, comunidade científica e demais líderes sociais não terão sido em vão. Servirão, mesmo que não incorporadas ao documento oficial da ONU, de guia para um aprofundamento das práticas que já se realizam em diversos setores produtivos.

A título de exemplo, cito a indústria da reciclagem e a da construção civil que avançaram muito através de processos mais racionais, mais econômicos, que melhor preservam recursos naturais e consomem menos energia. São hoje modelos de princípios de sustentabilidade aplicada. No mesmo caminho devem seguir os projetos de geração de energia do lixo.


É bem verdade que ainda temos falta de tecnologia e de recursos para encontrar soluções contra a escassez de alimentos e de água, uso excessivo de energia e catástrofes climáticas que desequilibram a balança do desenvolvimento, enquanto a população mundial não para de crescer.


O tempo encerra o grande desafio e o constante dilema de encontros como a Rio+20. Quanto tempo ainda temos para salvar o planeta? Seria possível parar o relógio a partir do período em que se discute não só o que fazer, mas como fazer, quando fazer e, emblemático da nossa sociedade, quem paga a conta?


CONTRIBUIÇÃO DO CIDADÃO

Nem todos estão atentos a isso, mas, assim como os impostos, a conta da sustentabilidade é paga por todos nós. Ao largo dos temas macro da sustentabilidade, o cidadão comum pode enxergar os esforços da Rio mais 20 como alguma coisa distante do seu dia a dia.

Mas é esse cidadão que tem plenas condições de contribuir com sua parcela de responsabilidade socioambiental em ações do cotidiano. Somadas, elas sem dúvida amenizarão o volume da conta a pagar.


Desde que o tema da sustentabilidade passou a ocupar mais espaço nas escolas, nas iniciativas de empresas e ONGs e nas notícias que diariamente chegam às casas das pessoas, já houve uma evolução notável. O importante agora é não descuidar da continuidade de ações.


Um passo decisivo para isso é o controle do consumo. Consumimos energia demais e desnecessariamente. Desperdiçamos água e alimentos. Produzimos muito lixo.


Protagonistas que somos de uma vida de desafios, cabe a cada um de nós o papel de plantar, cuidar, preservar, reutilizar, reciclar e, acima de tudo, respeitar o planeta, seus habitantes e seus limites. Porque o tempo não para.

 

Lucila Cano lcano@terra.com.br
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