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Política 17/08/2012

Um nome de fora do Nordeste para o BNB

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Dilma Rousseff enviou recado político para o Nordeste com a indicação do catarinense Ary Joel Abreu Lanzarin. A presença externa na região é quase inédita. Dos 16 presidentes que passaram pelo Banco do Nordeste (BNB) em sua história, só o interino Maurício Vasconcelos não era da região. Ligado a Jáder Barbalho, ele ficou no cargo no breve intervalo entre a saída de Mauro Benevides e a entrada de José Pereira e Silva. Roberto Smith era paulista, mas radicado no Ceará e com vínculos políticos no Estado havia longa data. Dos outros presidentes, sete eram cearenses, três baianos, dois pernambucanos, um piauiense e um sergipano. E, nos últimos 20 anos, todos foram indicados pelo Ceará. O ciclo vinha desde a gestão Itamar Franco, com a chegada de João Melo. A rigor, o fundamental não é onde a pessoa nasceu, mas a sensibilidade para os problemas na região. Nesse sentido, é duvidoso seu conhecimento sobre as complexas peculiaridades nordestinas.


A intenção de Dilma parece bastante clara. Lanzarin é técnico dos quadros do Banco do Brasil. E saiu da área de micro e pequenas empresas do BB - justo o foco desejado pela presidente para o BNB. Sua escolha teria sido opção pessoal do ministro Guido Mantega. A presidente pretende evitar qualquer contaminação dos entreveros políticos dos caciques nordestinos, bem como ficar distante dos conflitos entre os estados. O problema é que o coitado será lançado no meio de uma diretoria que, em boa parte, mantém vínculos partidários. E por vezes mergulhada na fervilhante rede de intrigas interna.


MOBILIDADE PARA ALÉM DO TRÂNSITO

A crise da mobilidade em Fortaleza não começa no trânsito e não pode ser resolvida apenas pelo trânsito, conforme aqui apontado ontem. Hoje, a coluna irá se debruçar sobre a questão central para evitar o colapso que se prenuncia para daqui a alguns anos. Claro que há medidas emergenciais necessárias, mas a aspecto crucial é a própria organização e distribuição dos espaços na cidade. O fundamental é o uso e a ocupação do solo. O urbanista Fausto Nilo tem enfatizado essa temática. Ele defende o desenvolvimento de núcleos relativamente autônomos, com acesso a comércio, serviços, trabalho, escola, tudo perto de casa. Essa proximidade permite que o percurso seja feito a pé. Claro que é uma mudança para décadas. Mas depende de rigoroso e meticuloso planejamento, com políticas de uso e ocupação do solo que norteiem a forma de distribuição dos equipamentos urbanos. Em lugares como São Paulo e outras grandes metrópoles, de modo por vezes espontâneo, as pessoas já escolhem a moradia tendo como principal fator a proximidade com o local de trabalho e a escola dos filhos. Essa tendência chega aos poucos a Fortaleza, como imposição de um trânsito que consome tempo cada vez maior. Mas precisa virar política pública de longo prazo.

 

A INVIÁVEL CIDADE DOS DESLOCAMENTOS CONTÍNUOS

Fortaleza foi estruturada para grandes trajetos. Enormes contingentes se deslocam diariamente das periferias para as áreas centrais, ou entre bairros distantes, para trabalhar, consumir ou ter acesso a serviços. Na medida em que a população aumenta, tornam-se cada vez menos viáveis fluxos populacionais de mais de um milhão de pessoas, pelo menos duas vezes por dia, entre os extremos da cidade. Fortaleza é a quinta capital em população e tem a terceira menor extensão territorial. Simplesmente não há espaço para tanta gente perambulando de um lado para outro o tempo todo. Por isso, o planejamento precisa apostar na descentralização e na oferta de alternativas ao uso de veículos motorizados. Como destaca Fausto Nilo, as cidades antigas se distribuíam espacialmente de forma a oferecer o acesso às demandas cotidianas ao alcance de uma caminhada. A mudança se deu a partir da evolução dos meios de transporte. Mas a situação é hoje de saturação urbana.

 

A SOLUÇÃO QUE OS CANDIDATOS APONTAM

As questões citadas acima são quase completamente negligenciadas nas propostas dos homens que querem administrar Fortaleza. Não interligam o trânsito ao planejamento espacial da cidade. As propostas podem ser divididas em algumas camadas. A mais elementar propõe viadutos, túneis, alargamento e abertura de novas vias. Num segundo patamar, aspectos gerenciais, como vias exclusivas e mudança de fluxo de avenidas. E, finalmente, investimentos em transporte público, ciclovias, integração entre modais e valorização do usuário. Tudo necessário, fundamental até, mas que não chega à raiz da questão. Não avança para a territorialidade da ocupação da cidade, para além do trânsito. O único programa que resvala no assunto é o de Roberto Cláudio (PSB), ainda que de forma vaga e sem detalhamento. Pelo viés da economia, propõe a reestruturação do sistema produtivo, para a criação de uma cidade “policentralizada”. Tem como proposta ainda evitar a dispersão espacial, demográfica e econômica. O que, em tese – pois faltam detalhes –, passaria pela concentração de atividades em núcleos e redução de distâncias. E é só.

 

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espaço do leitor
Maclima 17/08/2012 07:46
Juntando com a inércia da prefeita nos últimos 8 anos, o resultado só poderia ser o caos.
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Maclima 17/08/2012 07:46
Para satisfazer um punhado de metalúrgicos paulistas(como ele) o ex-presidente Lula, o dono do PT, e a atual, vem incentivando através de redução de impostos, irresponsavelmente o consumo cada vez em maior de automóveis particulares em detrimento do transporte público. Juntando com a inércia da pre
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Maclima 17/08/2012 07:46
Banco público + políticos = assalto ao erário.
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