Produzido nas entranhas da gestão Luizianne Lins (PT), o candidato Elmano de Freitas tem uma dificuldade prática nessa primeira fase da campanha à Prefeitura de Fortaleza. Pela ênfase com que vem defendendo a atual administração, nos debates de que participou, há um distanciamento cada vez maior – caminhando para um isolamento – dele para os demais concorrentes. Isso por causa do recorde de rejeição da prefeita e da nota baixa atribuída ao governo do PT na Cidade. Os índices entregaram de bandeja o discurso antiluiziannista para os outros nove postulantes. O próprio Elmano já delineou isso, quando, ao final do debate da TV O POVO, do qual oito nomes participaram, disse tratar-se de “sete contra um”.
A questão é: como o candidato petista pretende conciliar essa fidelidade a um tom conciliador? Até aqui, a corrida eleitoral já construiu dois pontos claros. O de que o pleito está em aberto e de que será em dois turnos. Quase não há discordância quanto a isso. Este colunista acrescentaria um terceiro aspecto, derivado diretamente dos dois anteriores: vai tomar posse em janeiro de 2013 o candidato que conseguir costurar o melhor palanque no segundo round.
DISCURSO PARA MILITANTE
Pelo visto, com o discurso de escudeiro-mor da gestão Luizianne, o candidato Elmano caminha célere para inviabilizar eventuais apoios, se estiver no páreo depois do dia 7 de outubro. O discurso relatorial que o petista vem adotando é eficiente para a militância. Mas diz pouco para potenciais aliados e a Cidade, que esperam, no mínimo, algumas autocríticas. Nesse quesito, o candidato Roberto Cláudio (PSB) abre uma boa vantagem sobre Elmano. Não tem uma gestão desgastada para defender, é um nome vinculado ao governador Cid Gomes (PSB) - que tem melhor imagem e aceitação em Fortaleza do que Luizianne - e ainda conta com a maior coligação do primeiro turno.CADA VEZ MAIS DISTANTES
Com a campanha ainda pegando ritmo, é muito cedo para se saber quem estará em um possível segundo turno. Temos uma longa caminhada até lá. Especialmente a fase eletrônica da disputa, vista também como decisiva. Junte-se a isso o fato de os candidatos das duas maiores coligações, Roberto Cláudio e Elmano de Freitas, ainda serem pouco ou quase nada vinculados aos respectivos padrinhos políticos. Desconhecidos, os dois nomes precisam ser massificados. É justamente daí que sai a avaliação de que a polarização Roberto/Elmano pode acontecer. Em outras palavras: que os dois cresçam e apareçam, à medida em que a corrida eleitoral se avolume.Entretanto, como registrado acima, só a campanha vai dizer. Inclusive em relação à participação do ex-presidente Lula e seu efeito na disputa. Mas de um cenário poucos duvidam. Roberto ou Elmano indo para o segundo turno, é remotíssima a possibilidade de quem ficar de fora apoiar quem for. Rompidos, Cid e Luizianne (a prefeita, principalmente), não fazem o perfil de fácil reconciliação política. E em um cenário com pelo menos cinco dos dez candidatos com chances reais de vir a ser prefeito, o acirramento torna-se quase um requisito da disputa – o que potencializa o distanciamento ainda maior entre a prefeita e o governador.
A ENCRUZILHADA DE TOFFOLI
A dúvida sobre a participação do ministro Dias Toffoli no processo do mensalão, no Supremo, foi um dos destaques da primeira rodada de julgamento. Ex-advogado do PT, ex-assessor do “chefe da quadrilha” José Dirceu e amigo pessoal do ex-presidente Lula, o magistrado está sob pressão para se declarar impedido de votar. Mas Toffoli já deu sinais de que não pretende fazer isso. Seria o mais prudente. Mas também o mais arriscado, já que isso implicaria em suspender o rito, para substituição do ministro. Essa é a razão, avalia-se, porque Roberto Gurgel não apresenta, formalmente, o pedido para a saída de Toffoli. Para não retardar o julgamento, sob o risco de os crimes prescreverem. Pedindo o afastamento do ministro, Gurgel cairia na estratégia da defesa. O curioso de tudo isso é que será impossível deixar de vincular a trajetória de Dias Toffoli à sua futura posição em relação aos réus. Independentemente do voto que ele dê. Sendo pela absolvição, a associação será óbvia. Até votando pela condenação, poderá ficar a pecha de que ele o fez, justamente, para exorcizar seu passado.
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