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política 07/03/2012

O dinheiro do aquário

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O aquário da Praia de Iracema está entre os empreendimentos mais polêmicos do governo Cid Gomes (PSB), mas raramente o foco do debate está onde deveria. A despesa de R$ 250 milhões é tratada como se o dinheiro estivesse nos cofres do Estado pronto para ser usado como o governo bem entendesse. Falso. A quantia virá de financiamento externo, especificamente para esse fim. Não poderia ter outro destino. É fato, por outro lado, que o empréstimo terá de ser pago um dia. Mas o que se espera é que o próprio equipamento seja capaz de financiar a quitação. Ao menos no plano da intenção, o desejo é de que traga retorno aos cofres do Estado. Mais ou menos como o cidadão comum que pede empréstimo para abrir uma padaria, por exemplo, com objetivo de pagar a dívida com o apurado da venda dos pães. Pode ser um bom ou mau negócio. Dependerá das condições do financiamento e do potencial daquilo em que se irá investir. Esse debate técnico é fundamental para o mérito financeiro da obra. A consistência das estimativas é passível de questionamento, mas isso não vem sendo feito com o mínimo rigor técnico. O Governo do Estado afirma que o local receberá 1,2 milhão de visitantes e movimentará mais de R$ 20 milhões por ano. O custo da manutenção será superior a R$ 1 milhão. A qualidade dessa informação é crucial para que seja formado juízo sobre a instalação do equipamento. Mas o foco das críticas parece distorcido.

AS RAZÕES DO INVESTIMENTO


Por extravagante que possa parecer, a ideia de construir o aquário tem fundamentos interessantes. O principal retorno que se projeta não é a bilheteria. O argumento central do governo é de que ele lançará o turismo da Capital em novo patamar. Com isso, atrairá mais turistas, mais movimentação na economia, mais dinheiro que poderá, inclusive, para ser usado em saúde, educação, segurança. Isso é o que esperam os responsáveis pelo empreendimento. Caso seja assim mesmo, pode ser vantajoso também para ajudar a sanar as múltiplas carências do Estado. Efetivamente, ações do gênero não podem ser vistas apenas sob a ótica do gasto. Às vezes, é preciso ousadia para ir mais longe. Por outro lado, há risco concreto de se comprar gato por lebre, a expectativa não se concretizar e o investimento se mostrar furado. Se vale à pena ou não, depende de cálculos e da precisão dos estudos sobre o potencial turístico que o aquário pode representar. Isso é sempre difícil de se prever com exatidão. É necessário debate técnico mais embasado a esse respeito. Isso em relação aos aspectos econômicos. Mas o assunto não se encerra por aí.

 

PROBLEMAS E SOLUÇÕES


Independentemente do retorno financeiro, o aquário pode ser vantajoso sob vários outros aspectos. Há benefícios intangíveis, como a possibilidade de requalificação da Praia de Iracema e o potencial ganho cultural e científico que um equipamento do tipo pode propiciar. Dependerá, evidentemente, da efetividade e da forma como tudo isso se dará – se é que haverá. O Centro Dragão do Mar tinha propósito semelhante, mas ficou patente que a mera construção de um trambolho no local não significa necessariamente favorecer o entorno. A preocupação que os críticos vêm expressando em relação aos moradores das proximidades é crucial e pertinente. As coisas são construídas naquela área e recorrentemente ignoram que há gente que vive ali. Mas é mais fácil resolver essa questão e promover a integração com o equipamento que sem ele. Hoje, há ali apenas um terreno baldio à espera de obras. Deixar como está não seria o que se possa chamar de solução. Assim como, por anos, ali permaneceu um prédio abandonado. A interlocução com a comunidade precisa melhorar, e muito, mas não é problema intransponível. É mais fácil haver melhorias efetivas àquela população com o investimento que sem ele.

 

Já quanto ao possível benefício científico e educacional, essa questão nunca recebeu status de prioridade, o que é uma pena. A criação de um centro de excelência em pesquisa marinha tem inclusive mais chances de atrair a curiosidade de visitantes que um mero parque temático de peixes. O potencial existe, mas a exploração é duvidosa. O diálogo com as entidades de pesquisa tem ocorrido, mas é preciso ver qual o espaço a produção de conhecimento efetivamente terá. Também nesse caso, é possível corrigir rumos sem jogar o todo na lixeira.


HEITOR E AS PREOCUPAÇÕES PALACIANAS


Sem lá grande entusiasmo da cúpula partidária, Heitor Férrer parece consolidar a condição de candidato do PDT. A candidatura é anunciada como irreversível. O partido tentará enquadrar Heitor em relação às críticas ao Governo do Estado. O partido é situação e ocupa espaços relevantes na administração. Mas o agora único pré-candidato é o parlamentar mais crítico ao governador. O Palácio acompanha o assunto com atenção. Existe o temor de que, em caso de rompimento entre PSB e PT, o pedetista volte sua artilharia contra o candidato do partido de Cid Gomes. De forma involuntária ou não, poderia assim atuar como linha auxiliar petista. Em função desse receio, a postura de Heitor será cuidadosamente acompanhada e, seguramente, objeto de acordos bem amarrados com o comando partidário.


Além disso, já há entendimentos para firmar acerto prévio entre PDT e PSB para apoio mútuo em caso de segundo turno – isso se a legenda de Cid Gomes lançar mesmo candidato próprio.

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Costa 08/03/2012 13:00
Só vale a pena o aquário se erradicar a favela do Poço da Draga, levando junto a boca de fumo que existe ali.
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Fernando Leitão 08/03/2012 10:49
Acho que o aquário é um investimento importante para consolidar nossa vocação turística,além de proporcionar meios para pesquisas na área.
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Ihvna Chacon 07/03/2012 21:24
aguardando tb novas informações de érico firmo.
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Valéria Pinheiro 07/03/2012 19:02
Érico, se conseguir informações, favor compartilhar. Quem sabe pra imprensa o governo não repasse algo relevante... Quero saber direito desse projeto...
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Érico Firmo 07/03/2012 18:33
Caro Enrico, estou atrás de informações extras e posso buscar esclarecer outras dúvidas que se tenha. Quanto a mudar de opinião, estou sempre aberto a isso. Mas não acho que se deve cobrar isso do interlocutor. Debate bom é debate com diversidade.Do contrário, é um monólogo com muita gente.
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