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Política 15/02/2012 - 01h30

Não vote em quem suja a cidade


A articulação por um pacto por eleições limpas é a mais bem-vinda novidade que a pré-campanha em Fortaleza trouxe até agora. Os líderes partidários na Câmara Municipal estão, a princípio, de acordo. A organização e o zelo pelo espaço público estão entre as tarefas primordiais do prefeito e dos vereadores. Mas, em regra, o período eleitoral é a antítese desses valores. Os candidatos emporcalham a cidade, bagunçam os locais de uso coletivo, promovem poluição visual e sonora. A Câmara Municipal pretende articular acordo entre os partidos para que seja abolido o uso de paredões de som e pintura em muros. Embora haja lei contra a poluição sonora na Capital, ela não se aplica durante a campanha. A lei eleitoral, de abrangência nacional, permite todas essas formas arcaicas de propaganda, que não podem ser restritas por legislações locais. No entanto, o que se propõe é que os partidos firmem compromisso para evitar o barulho e a sujeira ao pedir voto. O Ministério Público e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) foram chamados para debater o assunto. Mas o mais importante é a fiscalização feita pelo próprio eleitor. Não vote em quem usa a poluição visual e sonora como formas de obter voto. Tais práticas, na campanha, são sinalizações da visão de cidade que esses candidatos colocarão em prática no poder. São formas ultrapassadas de fazer campanha, remontam ao tempo em que o eleitor tinha acesso a volume de informação incomparavelmente interior. As pinturas hoje servem menos para conseguir votos e mais para movimentar o mercado - ilegal, pois a cobrança é proibida - de venda de espaços em muros para os candidatos. Quanto aos paredões de som, os vereadores protagonizarão papelão e tanto caso se valham do mesmo mecanismo cujo uso eles proibiram para a população em geral. Os partidos, por outro lado, darão bela demonstração da sua visão de cidade caso decidam banir todas essas práticas da próxima campanha.


CID E A CRISE DE AUTORIDADE

Nos dias que se seguiram ao fatídico 3 de janeiro, na greve dos policiais, O POVO destacou a crise de autoridade que se instaurou no Ceará. O governador baiano Jaques Wagner (PT) relatou, em matéria no jornal O Estado de S.Paulo de ontem, conversa com seu colega cearense. A declaração é demonstração eloquente de que a mesma percepção de autoridade esfacelada era sentida dentro do governo. “Conversei muito com o governador do Ceará (Cid Gomes), durante a greve de lá, e ele disse que a sensação era que, a qualquer momento, eles iam entrar na sala e dizer que iam governar”, disse Jaques Wagner, segundo matéria do Estadão.

 

QUEIXA SOBRE EXÉRCITO FOI LEVADA A DILMA

A coluna informou ontem que o fato de o Exército não ter ocupado as ruas de Fortaleza foi considerado pelo Governo do Estado o fator determinante para o colapso durante o auge da greve da PM. Tal reclamação sobre a postura das forças armadas foi levada pelo governador Cid Gomes à presidente Dilma Rousseff, no dia seguinte ao encerramento da paralisação. Já na greve dos PMs na Bahia e no Rio de Janeiro, o Exército teve postura bem diferente.

 

A cúpula estadual ficou particularmente incomodada com o comportamento de representantes das Forças Armadas que, no auge da crise, portavam-se como se estivessem num evento social, trocando tapinhas nas costas e conversando amenidades. E, enquanto o Palácio tentava encerrar o movimento, houve declarações de que ninguém deveria ter esperança de desfecho rápido, pois, em todos os estados, as greves se prolongaram.


PREFEITURA ACREDITA QUE CRISE DOS BURACOS PODIA TER SIDO EVITADA

A Prefeitura de Fortaleza considera que os desencontros com o Governo do Estado em relação aos buracos provocados pela Cagece poderiam ter sido evitados antes mesmo da crise do ano passado, quando a prefeita Luizianne Lins (PT) ameaçou romper o contrato com a companhia estadual de água e esgoto. O Município já havia apresentado proposta de convênio à Cagece. Isso se deu quando o governador Cid Gomes (PSB) estava ainda em seu primeiro mandato. Segundo os termos discutidos, o reparo do asfalto danificado pelas obras do órgão estadual seria feito pela Prefeitura. Caberia ao Estado, pelo convênio, ressarcir a administração da Capital pela despesa. Segundo as informações que chegaram ao Paço Municipal, a proposta teve aval de Cid Gomes. No entanto, não teria tido andamento. Gente da Prefeitura responsabiliza a antiga administração da Cagece – então sob condução do próprio PT.

A Prefeitura também nega que o Estado tenha sido surpreendido pelas mudanças no padrão de asfaltamento. Antes, o asfalto era recuperado apenas no local da obra. Formava, assim, as chamadas “espinhas de peixe”. São “mondongos” no asfalto, provocados justamente pelos remendos localizados. Todo motorista sabe bem do que se trata. Desde 2010, o Município decidiu que o asfalto deveria ser recuperado de uma calçada a outra, para evitar as irregularidades. A decisão foi comunicada em reunião do Comitê Ordenador de Obras (CCO), realizada na sede da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC). A Cagece tem assento no CCO e estava lá representada por Jurandir Santiago, ex-dirigente da empresa, hoje à frente do Banco do Nordeste.

 

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Comentários
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Ivan Monte 16/02/2012 05:47
Na Bahia e no Rio, o governador estava sempre presente, Cid se omitiu, se escondeu. Queria que os militares saissem à sua caça?
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Ivan Monte 16/02/2012 05:45
Preferível, mil vezes, muros temporariamente pintados, dentro do que prevê a legislação a milhões de panfletos espalhados pelas ruas. Até porque os muros podem ser fiscalizados facilmente pelo poder público. Depois de um prazo, multas para quem não limpar...
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