Não por acaso, a relação entre PT e PSB em Fortaleza é o principal assunto da política cearense no período pré-eleitoral. A manutenção da aliança significaria o surgimento de um candidato que larga como forte favorito à Prefeitura. Já o rompimento tornaria a disputa imprevisível, com formação de pelo menos dois grandes polos, e abriria espaço para surpresas. O PCdoB está decidido a ter candidato próprio. PMN, PHS, PSL e PRTB formaram bloco e dizem que também irão concorrer a prefeito. O PMDB dá sinais de profunda insatisfação na parceria com o PT municipal. Se o governador Cid Gomes (PSB) abandonar a coalizão governista, é quase certo que os peemedebistas farão o mesmo. Ou seja, em caso de rompimento com o PSB, há perspectiva real de o candidato da prefeita Luizianne Lins (PT) ficar quase isolado, abandonado pelos principais componentes do latifúndio partidário que hoje integra a base de sustentação da Prefeitura. É algo desse porte que está em jogo na discussão sobre a aliança eleitoral. No entanto, para o povão, isso não é o mais importante.
A Prefeitura de Fortaleza está certa ao cobrar da Cagece que, ao realizar obras em vias públicas, entregue o local nas condições em que estava antes. Assim como estava correta ao cobrar a preservação da estação da Parangaba. Tudo bem que se trata de réplica da original, mas já constituíra sua própria história. Fortaleza tem relação tão predatória com seu patrimônio que a maioria das construções mais antigas não datam de muito mais de meio século. No entanto, se não forem preservadas e caso seja mantido o ritmo de destruição dos prédios que completaram poucas décadas, nunca se constituirá acervo histórico algum. Por outro lado, o Governo do Estado está certo ao cobrar que a Prefeitura assuma a gestão do equipamento. Assim como tem razão em vários outros conflitos nos quais a solução poderia ser mais simples, a bem do interesse da população.
Se a aliança vai se manter ou não é assunto político da maior importância, decisivo para o resultado da próxima eleição. Mas, a despeito da relevância inegável, isso é, a rigor, problema da prefeita, do governador e dos partidos de um e outro. Para a população, o mais importante é a sintonia administrativa que permita tirar projetos do papel, sem sobressaltos. O crucial é que os humores políticos não atrapalhem as ações governamentais. O resto são projetos de poder que batalham para se sustentar. Nesse processo, mexem inevitavelmente com a vida de todo mundo. Mas são eles que devem se preocupar com esse assunto. Para o andar de baixo, importa o resultado.
PARA ALÉM DA BOATARIA
No O POVO de ontem, o repórter Tiago Braga mostra que, infelizmente, houve muito mais que a boataria - da qual o governador Cid Gomes reclamou - no descalabro que tomou o Ceará durante a greve dos policiais militares. Os números impressionam. A média de janeiro foi de assustadores 10 assassinatos por dia. Durante os três primeiros dias do mês, quando a Polícia Militar estava em greve, saltou para 24 homicídios/dia. O dado supera a média da trágica greve baiana, quando a média, em 12 dias, foi de 15 homicídios. A situação cearense é ainda pior se for levada em consideração a proporção em relação à população - a baiana é quase o dobro.PARA GOVERNO, FALTA DO EXÉRCITO NA RUA FOI A DIFERENÇA
Érico Firmo
ericofirmo@opovo.com.br
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