A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), já deu demonstração de que tem instinto político aguçado. Tem habilidade e é, em si, uma importante marca da política local. Mas isso vem mudando muito nos últimos anos. Há tanto tempo no poder - que em si empurra os governantes para o conservadorismo - a petista entregou-se ao pragmatismo. O toque cosmético que as ruas da cidade vem recebendo é um exemplo disso. As grandes obras, explicitadas em ano eleitoral, idem. A ausência de discussão sobre os problemas da cidade, fora do âmbito meramente partidário, reforça a ideia de uma gestão conservadora e sem planejamento. Mas é no trato com aliados, responsáveis diretos pela reeleição dela, em 2008, que Luizianne está convencida de um controle da situação que não tem. A máquina é importante em qualquer eleição. Mas está longe de ser o fator decisivo. Apegar-se a isso e ignorar ou maltratar quem deveria receber mais atenção é um erro que pode ser fatal. Por exemplo: como o PT vai fazer para massificar seu candidato, se for um ilustre desconhecido, como parece, sem tempo de rádio e TV suficiente? Onde o partido buscará estrutura de campanha ampla, fora dos já conhecidos agentes que orbitam em torno da Prefeitura? Em outras palavras, como o PMDB do senador Eunício Oliveira e outras grandes forças estão sendo considerados?
A CRISE QUE O PT NÃO QUER VER
Há dentro do PT, presidido em nível estadual por Luizianne Lins, uma linha que defende o limite dos prazos eleitorais para a definição de nomes da sucessão de outubro. É legítimo que pensem assim. Afinal, antecipar o processo prejudica a administração. Mas também demonstra -além do reforço do conservadorismo político - uma crise dentro do partido. Os controladores do PT não souberam - ou não quiseram - que novas lideranças surgissem no horizonte. O resultado disso aparece agora, às vésperas do processo. Em anos anteriores, essa crise não surgiu, ou quando apareceu deu os resultados inesperados, que conhecemos. 2004. O PT oficial foi de Inácio Arruda (PCdoB). Luizianne se impôs como candidata. Quatro anos depois, a prefeita era, naturalmente, candidata à reeleição. Em 2012, a situação é bem diferente. Cinco petistas - Acrísio Sena, Artur Bruno, Elmano de Freitas, Guilherme Sampaio e Camilo Santana - concorrem entre si à indicação. Dois pontos. Luizianne diz não ver problema em levar o impasse para as prévias. É um falso democratismo. Ou alguém duvida que a força da Prefeitura não abençoaria o nome de Elmano, o preferido declarado da prefeita? Segunda questão: se o candidato sairá do quinteto, por que ela já avisou que o senador José Pimentel está no banco de reservas?O MOVIMENTO DO GOVERNO DO ESTADO
SEM ACORDO, CHAPA PCDOB-PMDB PODE VINGAR
Assim como Luizianne, hoje todos os aliados trabalham - também - com um cenário de possível rompimento político. E conversas já estão acontecendo. Atentem para a seguinte composição: a Coluna apurou que o PCdoB poderá lançar Inácio Arruda com o apoio do PMDB. Os dois senadores tem conversado muito nessa linha. O último tête-à-tête aconteceu na última quinta-feira, em um voo particular Brasília-Fortaleza. No diálogo, foi cogitada a participação do PSB de Cid. Também chegou a informação, ainda não confirmada, de que o governador teria tratado do assunto com Eunício, na Capital Federal. Cid tem dito que não é pretensão dele lançar nome do partido na disputa - o que, nas entrelinhas, significa apoiar um aliado - não, necessariamente, um petista. A tendência é que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareçam onde o palanque dos aliados estiver dividido, o que seria péssimo para Luizianne. O PMDB tem tudo a ganhar com uma eventual chapa com o PCdoB. Faturaria uma vaga no Senado por dois anos, já que o primeiro suplente de Inácio é o peemedebista Raimundo Noronha Filho, e fortaleceria Eunício para o Governo do Estado em 2014. Simples assim. Bom Carnaval a todos.
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