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Política 11/02/2012 - 01h30

PSB fica alguns passos mais longe da prefeita


O evento do PSB na noite de quinta-feira foi característico de partido de oposição. Como fio condutor, a exposição do que o Governo do Estado tem feito em Fortaleza. O aspecto que mais chamou atenção: aquilo que a Prefeitura não deixou a administração estadual fazer, segundo reclamou o chefe de gabinete do governador, Ivo Gomes. O desavisado que ouvisse os discursos teria convicção de que não se tratava de governos aliados. O sentimento de lançar candidato próprio é crescente, embora sejam poucos os correligionários do governador que tenham segurança em sacramentar o fim da aliança. A maioria percebe cenário de incerteza. No entanto, vai ficando evidente que não há clima para acordo. É difícil imaginar, por exemplo, Ivo Gomes dividindo palanque com a prefeita. Às vésperas da reunião de anteontem, o irmão do governador tornou públicas reclamações contra a dificuldade para conseguir autorização para obras da Cagece. Já começava a preparar o cenário para a guerra.


O AMBIENTE NO PSB

A maioria das vozes do partido acredita que as chances de a aliança com Luizianne não se manter são hoje maiores que as da continuidade. Um parlamentar estimou em torno de 90% as chances de candidatura própria do PSB. Os nomes mais citados são mesmo o deputado Roberto Cláudio e o secretário da Copa, Ferruccio Feitosa. Houve inclusive várias brincadeiras com os dois, durante o evento de quinta-feira. Mas outras alternativas podem surgir. Por exemplo, o vereador Salmito Filho, que deixou o PT no ano passado, ou o secretário estadual da Fazenda, Mauro Filho.

 

FALTAM GESTOS DO PT

A aliança que dá sustentação à prefeita Luizianne Lins está seriamente ameaçada de se esfarelar. O PSB está mais perto que nunca de ter candidato. O PMDB reclama da falta de atenção que recebe, dada sua importância. Se o PSB romper, é praticamente certo que os peemedebistas também abandonarão a aliança. O PCdoB está decidido a ter candidato próprio. Na última semana, o bloco PMN, PHS, PSL e PRTB também anunciou que pretende ter candidato. Ou seja, a coalizão pode se desmanchar como manteiga numa frigideira quente. As siglas se ressentem da falta de gestos da Prefeitura. Demonstrações de algum esforço para manter a parceria e sinais de boa vontade em relação àqueles de quem espera apoio. Esse sentimento é particularmente forte no governo. Embora ressalte que ainda não há nada definido, o presidente do PSB municipal, Karlo Kardozo, admite que há tendência crescente em defesa da candidatura própria. “Não só pelo partido, mas pelo retorno que nossos camaradas aliados estão dando. Está ficando difícil a defesa da tese de um nome da aliança”. Kardozo disse que o fundamental é a discussão sobre a capacidade do partido de intervir na Prefeitura. “É preciso discutir a real força do PSB dentro da administração. Não é questão de cargo. Queremos realmente participar das políticas públicas e interferir nos rumos da cidade. O espaço está muito restrito dentro da atual conjuntura. É preciso ficar claro qual a participação real a gente vai ter dentro do projeto”.

AS CHANCES QUE A ALIANÇA MANTÉM

O único fator que ainda permite crer em algum futuro para a aliança é o desejo de Cid Gomes. É um fator nada desprezível. Semanas atrás, na TV O POVO, o governador afirmou que, a depender de sua vontade, a hipótese de candidatura própria da legenda é zero. O desejo do ocupante do cargo máximo do Estado não é pouca coisa. Mas não é absoluto. Ele terá de se enquadrar, foi o recado dado pelo diretório municipal. Há, inclusive, precedente. Em 2006, às vésperas de romper com o governo Lúcio Alcântara, Ciro Gomes ficou praticamente isolado - juntamente com Mauro Filho, então secretário estadual da Administração - na defesa da continuidade da parceria. Ele era ministro da Integração Nacional e principal líder político do grupo. Mas sua posição não prevaleceu. O rompimento se deu de forma barulhenta e deixou rancores mútuos não resolvidos até hoje. Pelo caminhar das coisas, no caso de o rompimento entre Prefeitura e Governo, Cid poderá dizer que fez o possível para manter o entendimento, mas foi voto vencido.

O ESTILO CID DE SEDUZIR

Cid Gomes é conhecido pelo esforço para transformar adversários em aliados ou pelo menos neutralizar opositores e potenciais críticos. Ao ser eleito governador, em 2006, derrotou o PSDB e tratou de convidar o partido para seu secretariado. Nelson Martins era um dos mais ácidos e rigorosos parlamentares do PT. Ao tomar conhecimento da entrada dos tucanos no primeiro escalão, queixou-se e disse que o assunto deveria ter sido discutido com os petistas, rivais empedernidos do PSDB. Naquele mesmo dia, Nelson foi anunciado líder do governo Cid. Embora, ao fazer o convite, o chefe de gabinete Ivo Gomes tenha lhe assegurado que nada tinha a ver com as declarações, publicadas na edição do O POVO daquele dia. No segundo governo, foi escolhido líder Antônio Carlos - o parlamentar petista mais próximo a Luizianne, o considerado mais à esquerda e, em tese, com maior potencial para se tornar crítico da administração estadual. Cid chegou a convidar Eliane Novais (PSB) para sua vice-líder. Ela não aceitou e está hoje na linha de frente das críticas ao Palácio da Abolição. Nesta semana, partiu da base governista o convite para despachar Heitor Férrer (PDT), o mais antigo opositor da administração, para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). O deputado declinou. Caso tivesse aceito, ganharia gordo salário, cargo vitalício, poderia direcionar sua veia fiscalizatória para as prefeituras e deixaria o Governo do Estado em paz. Heitor preferiu persistir em sua pré-candidatura a prefeito de Fortaleza e no incômodo que representa para o Executivo estadual.

 

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Comentários
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Duda 12/02/2012 07:17
NÄo sei como esse Heitor Férrer consegue sobreviver na política brasileira sendo um homem tÄo digno! Parabéns ao O Povo, excelente matéria.
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Eduardo 11/02/2012 12:40
Excelente análise... Sempre acompanho a coluna e este tema da aliança (ou quebra de aliança) para disputar a Prefeitura de Fortaleza é sem dúvida um dos assuntos mais interessantes!
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