A briga entre a Prefeitura de Fortaleza e a Cagece é velha e sui generis. O assunto não começou no ano passado. Quando Juraci Magalhães administrava a cidade e Ciro Gomes governava o Ceará já havia conflitos. É impressionante como a reclamação é a mesma, 20 anos depois. Os dois lados foram incapazes de construir parceria e diálogo para evitar contratempos que, no fim das contas, sobram sempre para o mesmo lado: o povão velho de guerra. O mais intrigante é que o conflito se dá entre dois governos aliados politicamente e, em tese, administrativamente. A Prefeitura está certa ao exigir que, uma vez realizado o trabalho, a via seja entregue pela companhia de água e esgoto nas condições em que estava antes. No mínimo, é justo que se exija ressarcimento. Se tal exigência não estava no contrato, aí a Cagece tem razão em reclamar da cobrança não prevista. Importante ressaltar que a estatal é controlada pelo Estado, mas o serviço de água e esgoto é municipal. A companhia recebe concessão do Município para explorá-lo. A Prefeitura da Capital é, portanto, cliente da Cagece. A maior cliente, aliás. Mas sujeita aos direitos e obrigações previstos em contrato. Se não havia exigência especificada de que a via fosse entregue em condições mínimas de qualidade, o erro veio lá de trás. O que não deve ser justificativa para que a população seja punida recorrentemente. O ideal é que haja compensações e adequações para que seja feito o trabalho de saneamento e as ruas e avenidas não fiquem ainda mais esburacadas.
O assunto já virou briga política em outras oportunidades e a prefeita Luizianne Lins até ameaçou rescindir o contrato, em 2011. Não seguiu adiante. É evidente que haverá sequelas, ainda mais às vésperas do período eleitoral. Talvez mais esse desencontro seja o estopim para o fim da tal coalizão governista. Ou é possível que seja mais uma entre tantas trombadas dessa convivência masoquista. Com aliança ou sem ela, essa questão é até menor. O que mais interessa à população é que as pendengas politiqueiras não atrapalhem os entendimentos quanto ao serviço que chega às ruas.
A PRESENÇA DE DIRCEU NA DERROTA DE GUIMARÃES
O FATOR ELEIÇÃO EM FORTALEZA
A não ida de Guimarães para a liderança tem efeito na eleição de Fortaleza. O deputado federal Artur Bruno, pré-candidato à sucessão, costurava acordo com Guimarães para apoiá-lo na briga pela liderança. Em troca, pretendia obter o aval de seu grupo para ser o candidato do PT.METROFOR DIZ QUE REPASSES FEDERAIS NÃO FORAM SUSPENSOS
A respeito da coluna da última terça-feira, a assessoria de imprensa do Metrofor informou que não houve recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender o envio de verba federal para as obras do metrô. O que houve, em 2008, foi a determinação para que o próprio Metrofor retivesse 71,25% do valor a ser pago às empresas envolvidas, enquanto analisava o contrato. A partir de 2009, a retenção, que era total, passou a ser feita sobre 42 itens, de um total de 423. Nesses foram encontrados indícios de sobrepreço na planilha contratual. Ainda segundo a assessoria, a retenção foi feita sobre a diferença entre o preço do contrato e o preço estabelecido pelo TCU. De dezembro de 2008 até hoje, as retenções são feitas a cada pagamento. O Metrofor ressalta que, apesar disso, os trabalhos não foram paralisados e atingem hoje 95% de conclusão nas obras civis. “O Metrofor registrou grande avanço após a inclusão do projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mostra disso é que o período de 2007 a 2011 foi responsável por mais de 58% de todos os investimentos feitos na linha Sul”, informa a assessoria do órgão. O Metrofor prevê concluir neste ano todas as obras das 18 estações e os 24,1 km de linhas férreas da Linha Sul. É previsto para o começo de 2013 o início da operação comercial. Oremos.
Érico Firmo
ericofirmo@opovo.com.br
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