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Política 09/02/2012 - 01h30

A briga é antiga


A briga entre a Prefeitura de Fortaleza e a Cagece é velha e sui generis. O assunto não começou no ano passado. Quando Juraci Magalhães administrava a cidade e Ciro Gomes governava o Ceará já havia conflitos. É impressionante como a reclamação é a mesma, 20 anos depois. Os dois lados foram incapazes de construir parceria e diálogo para evitar contratempos que, no fim das contas, sobram sempre para o mesmo lado: o povão velho de guerra. O mais intrigante é que o conflito se dá entre dois governos aliados politicamente e, em tese, administrativamente. A Prefeitura está certa ao exigir que, uma vez realizado o trabalho, a via seja entregue pela companhia de água e esgoto nas condições em que estava antes. No mínimo, é justo que se exija ressarcimento. Se tal exigência não estava no contrato, aí a Cagece tem razão em reclamar da cobrança não prevista. Importante ressaltar que a estatal é controlada pelo Estado, mas o serviço de água e esgoto é municipal. A companhia recebe concessão do Município para explorá-lo. A Prefeitura da Capital é, portanto, cliente da Cagece. A maior cliente, aliás. Mas sujeita aos direitos e obrigações previstos em contrato. Se não havia exigência especificada de que a via fosse entregue em condições mínimas de qualidade, o erro veio lá de trás. O que não deve ser justificativa para que a população seja punida recorrentemente. O ideal é que haja compensações e adequações para que seja feito o trabalho de saneamento e as ruas e avenidas não fiquem ainda mais esburacadas.


O assunto já virou briga política em outras oportunidades e a prefeita Luizianne Lins até ameaçou rescindir o contrato, em 2011. Não seguiu adiante. É evidente que haverá sequelas, ainda mais às vésperas do período eleitoral. Talvez mais esse desencontro seja o estopim para o fim da tal coalizão governista. Ou é possível que seja mais uma entre tantas trombadas dessa convivência masoquista. Com aliança ou sem ela, essa questão é até menor. O que mais interessa à população é que as pendengas politiqueiras não atrapalhem os entendimentos quanto ao serviço que chega às ruas.


A PRESENÇA DE DIRCEU NA DERROTA DE GUIMARÃES

A preocupação com o engajamento de Jilmar Tatto na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo teve lá seu peso, mas foi secundária no processo que levou à derrota de José Guimarães na disputa pela liderança do PT na Câmara. O deputado cearense seria escolhido para comandar a bancada, mas acabou abatido por velhos fantasmas que ainda o assombram. Apenas no segundo mandato de deputado federal, Guimarães tornou-se rapidamente um dos cearenses mais influentes em Brasília. Articulador de mão cheia, mostrou-se um dos mais habilidosos homens de bastidores da base governista. Passou a exercer as funções de vice-líder do governo Dilma Rousseff e vice-presidente nacional do partido. E tinha votos para avançar mais um degrau. Nenhum petista assume isso publicamente, mas ele foi atrapalhado pelo espectro da prisão de seu então assessor, Adalberto Vieira, com dinheiro na cueca, em 2005, durante o auge da crise do mensalão. O movimento para impedir a indicação de Guimarães teve como autor intelectual o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Réu e acusado de comandar o esquema do mensalão, ele é o principal interessado em evitar qualquer respingo que atrapalhe a defesa envolvidos no julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). E argumentou que a escolha de Guimarães para a liderança poderia interferir na ação e prejudicar todo o partido. Chegou ainda à direção petista a informação de que veículos de imprensa nacionais preparavam grandes reportagens para a hipótese de ele assumir a liderança, com objetivo de recapitular em detalhes os acontecimentos de 2005 e o processo que quase levou à cassação na Assembleia. No entanto, o ex-ministro preferiu não intervir diretamente, para não se indispor com Guimarães. Foi assim que Lula foi trazido para as negociações. Embora o desempenho do parlamentar seja bem avaliado, a opção foi por evitar mais desgaste como reflexo dos escândalos passados.

O FATOR ELEIÇÃO EM FORTALEZA

A não ida de Guimarães para a liderança tem efeito na eleição de Fortaleza. O deputado federal Artur Bruno, pré-candidato à sucessão, costurava acordo com Guimarães para apoiá-lo na briga pela liderança. Em troca, pretendia obter o aval de seu grupo para ser o candidato do PT.

METROFOR DIZ QUE REPASSES FEDERAIS NÃO FORAM SUSPENSOS

A respeito da coluna da última terça-feira, a assessoria de imprensa do Metrofor informou que não houve recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender o envio de verba federal para as obras do metrô. O que houve, em 2008, foi a determinação para que o próprio Metrofor retivesse 71,25% do valor a ser pago às empresas envolvidas, enquanto analisava o contrato. A partir de 2009, a retenção, que era total, passou a ser feita sobre 42 itens, de um total de 423. Nesses foram encontrados indícios de sobrepreço na planilha contratual. Ainda segundo a assessoria, a retenção foi feita sobre a diferença entre o preço do contrato e o preço estabelecido pelo TCU. De dezembro de 2008 até hoje, as retenções são feitas a cada pagamento. O Metrofor ressalta que, apesar disso, os trabalhos não foram paralisados e atingem hoje 95% de conclusão nas obras civis. “O Metrofor registrou grande avanço após a inclusão do projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mostra disso é que o período de 2007 a 2011 foi responsável por mais de 58% de todos os investimentos feitos na linha Sul”, informa a assessoria do órgão. O Metrofor prevê concluir neste ano todas as obras das 18 estações e os 24,1 km de linhas férreas da Linha Sul. É previsto para o começo de 2013 o início da operação comercial. Oremos.

 

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