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Política 07/02/2012 - 01h30

Dilma e o escândalo do Metrofor

 

Mais um adiamento da visita de Dilma Rousseff ao Ceará priva a presidente de conhecer um escândalo in loco. O Metrofor atravessou cinco anos de governo Tasso Jereissati, quatro anos de Lúcio Alcântara (ambos do PSDB) e mais cinco de Cid Gomes (PSB). No âmbito federal, passou por cinco anos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), oito de Luiz Inácio Lula da Silva e um de Dilma Rousseff (os dois últimos do PT). Os adversários dos governos tucanos, por anos a fio, responsabilizaram Tasso e FHC pela ridícula situação. Hoje, porém, o escárnio é tristemente suprapartidário. Ninguém tem o direito de apontar o dedo. O projeto data da década de 1980. Começou a deslanchar em 1997. Obras, mesmo, começaram em 1999, com previsão de término – contenha o riso – em 30 meses. Deveria estar em operação em 2002. O atraso completa 10 anos de tumulto no trânsito, transtorno e nenhum retorno à população que paga a conta. O valor atualizado do primeiro trecho, de 24,1 km entre o Centro de Fortaleza e Pacatuba, é de R$ 1,705 bilhão. Descontada a inflação, o custo excedente em relação à previsão inicial ainda supera a marca dos R$ 200 milhões. Em algumas oportunidades, o Tribunal de Contas da União (TCU) já apontou sobrepreço irregular e mandou suspender os repasses financeiros. O metrô de Fortaleza é motivo de vergonha para toda uma geração da política cearense.


A TRAGÉDIA DE QUE O CEARÁ ESCAPOU

O Governo do Estado cometeu muitos erros no dia que a greve da Polícia Militar paralisou Fortaleza, em 3 de janeiro, e mais ainda nos dias que antecederam o colapso – equívocos que permitiram que a situação se agravasse tanto. No entanto, seu grande e talvez único acerto tenha sido - ao se dar conta que a vaca tinha ido para o brejo e a situação era desesperadora - assegurar a solução do conflito o mais rápido possível. Se a greve no Ceará entrasse pelo dia 4, o cenário seria de previsível terror generalizado. A boataria de que falou o governador Cid Gomes ganharia cores bem mais concretas. Na Bahia, Jaques Wagner (PT) não aceita negociar com trabalhadores em franco conflito com a lei. Enquanto a autoridade sobre a Polícia cearense se esfarelou, lá se tenta preservá-la a todo custo – e o preço se mostra altíssimo. A adesão dos grevistas baianos é até menor que aqui, mas a tragédia já se consuma. O número de mortos gira em torno das centenas. Em certos dias da paralisação, chegou a ser quatro vezes superior à média diária do mês anterior. Nesse caso, os equívocos aqui cometidos não são maiores que os do governador petista da Bahia. Em tais situações, acima de tudo deve estar a preservação da vida. A postura do governo cearense foi marcada pela sucessão de trapalhadas. No entanto, não se cometeu o pecado capital do governador baiano.

 

A LA KADHAFI

Como ocorreu no Ceará, os policiais da Bahia repetem a tática de usar mulheres e crianças como escudo humano. Não bastasse a ilegalidade flagrante do movimento, a atitude é de uma covardia extrema. Coisa de Muamar Kadhafi. As reivindicações podem ser justas como forem - e provavelmente o são, dadas as condições precárias em que PMs trabalham, como regra nacional. Aquilo que recebem como profissionais está em total dissonância com a importância da função que exercem. Mas isso não justifica, em absoluto, as práticas absurdas que vêm adotando.

AEROPORTOS PRIVATIZADOS

Aprofundo aqui comentário que fiz ontem nos 140 caracteres do Twitter @firmoerico: positivo que o leilão dos aeroportos tenha arrecadado quase cinco vezes o previsto. Mas a diferença é intrigante. Dificilmente empresários se dispõem a gastar com um negócio mais do que ele vale. Portanto, ou eles erraram no cálculo e pagaram acima do que a concessão dos aeroportos mereceria, ou foi o governo que estabeleceu preço abaixo do que seu produto valia.

O ATRASO CEARENSE E O MODELO DE DESENVOLVIMENTO

Na quinta-feira passada, 2, a coluna tratou dos números do Ipea, que demonstram o atraso social do Ceará, mesmo em comparação com os estados nordestinos. Sobre o assunto, escreveu o leitor Francisco Samuel Portela Vidal. “As suas comparações com o Nordeste são todas pertinentes, mas o fato de continuarmos onde estávamos há 20, 30 anos em comparação ao Nordeste não representa um fracasso, apenas mostra que o discurso ufanista está equivocado e que o resultado não foi nem ruim nem ótimo, foi mediano, regular. (...) Crescemos medianamente porque focamos na indústria e não avançamos no setor agrícola e mineral, justamente o que puxou a economia do Brasil nos últimos anos com a ajuda dos preços internacionais. E esse avançou trouxe o câmbio para um nível que prejudicou enormemente a indústria. Se esse cenário continuar nos próximos 10 anos continuaremos com problemas à vista”. Ele defendeu, para além das grandes obras em curso, olhar para esses setores que aponta. “Reconheço que tanto a mineração quanto a agricultura não têm grandes alternativas viáveis hoje, mas porque não semear o futuro? Buscar investir pesado em uma agência de pesquisa mineral que outros estados como a Bahia tem, investir forte em pesquisa na caprinocultura para tentar fazer da atividade no futuro o que a pecuária bovina representa no Centro-Oeste do Brasil (tanto as cabras aqui quanto o gado lá quase não precisam de ração). Investir no funcionamento dos perímetros irrigados já construídos ao invés de manter o obrismo”, defende.

 

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Francisco das C Pinto Alcantara 07/02/2012 10:17
Sua coluna esta otima. Sugiro que vc como jornalista, também, saia da superficialidade nas abordagens de seus colegas. O superfaturamento é verídico ?, porquê tantos atrasos ? Rem um trecho com trilhos e trens sem funcionar ? Quanto levaram os metros de São Paulo ?, de Paris ?, N York ? Mergulhe!...
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Marcelo Pimentel 07/02/2012 09:17
A crônica política de esquerda é mesmo casuística. Uma privatização de aeroportos passa apenas em uma notinha mixuruca, só mesmo num governo "trabalhista". Cadê o grande debate sobre "neoliberalismo".
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