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Política 02/02/2012 - 01h30

Ipea expõe tamanho do atraso do Ceará

 

O estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) deve servir como choque de realidade para os dirigentes políticos do Ceará nas últimas décadas. O fato de escancarar o tamanho do atraso não chega a ser novidade. Surpreende, sim, o quanto o Estado permanece, em diversos indicadores, em situação ainda pior que a média do Nordeste. Por sucessivos governos, apresentou-se a perspectiva de que o território cearense era uma espécie de oásis em meio ao atraso. Nunca se deixou de admitir que a pobreza ainda é enorme, mas se vendeu a imagem de que se estava melhor que o resto da região. Em muitos aspectos, isso até é verdadeiro. Em outros tantos, contudo, nosso atraso consegue ser ainda mais brutal. Nas últimas décadas, o avanço foi considerável, mas o Estado permanece mais próximo do lugar de onde saiu - e que esperava deixar para trás - que de onde pretende chegar. Os números do Ipea sinalizam quanto houve de fracasso em uma geração política que sempre procurou se apresentar como a mais bem-sucedida da história estadual.


PIOR QUE O NORDESTE

O Ceará se sai pior que a média nordestina, por exemplo, na esperança de vida da população aos 60 anos - que mede o tempo de vida estimado para uma pessoa dessa idade. “Os indicadores de previdência social fornecem uma sinalização de como a população do Ceará vive de maneira mais precária que os demais cidadãos nordestinos e brasileiros”, afirma o estudo do Ipea, em sentença devastadora para os dirigentes políticos do Ceará do passado e do presente. A renda média per capita também é inferior à regional. E o mais cruel é que existe abismo entre os rendimentos do meio urbano e os da população rural - esta última é menos da metade da primeira.

 

CRIMINOSA NEGLIGÊNCIA COM O INTERIOR

Outro sinal do quanto o Interior foi negligenciado está nos indicadores de extrema pobreza. Na média de todo o Estado, o percentual da população nesse patamar é menos numeroso no Ceará que no Nordeste. Contudo, quando se observa apenas o meio rural, a proporção de habitantes em extrema pobreza no Ceará supera a do resto da região. E, mais dramático, a proporção desses habitantes do campo em situação de extrema pobreza cresceu entre 2008 e 2009, ano ao qual se refere o dado mais atualizado dessa estatística. Ou seja, esse trágico indicador está em alta. E outro dado diretamente relacionado: o rendimento médio do trabalhador rural cearense é muito inferior ao nordestino em geral e praticamente a metade da média de remuneração do trabalho rural em todo o Brasil. Nesse aspecto, como em praticamente todos os demais, a situação do Interior é mais drástica. Mas o problema também não termina aí: também no meio urbano, o rendimento médio do trabalho no Ceará fica muito abaixo do que se paga no Nordeste.


BOAS NOTÍCIAS, MAS NEM TANTO

Se procurar com cuidado, a pesquisa também apresenta boas notícias. Uma é velha conhecida das propagandas de seguidos governos cearenses: a queda da mortalidade infantil. A mais bem-sucedida política pública do Estado em décadas mostrou resultados e deixou o Ceará bem melhor que o resto do Nordeste. Contudo, a situação ainda é consideravelmente pior que a média nacional. O que mostra que não é tão verdadeiro o argumento de que, depois de cair muito, a gordura já foi queimada e, agora, a mortalidade cairá mais lentamente. A verdade é que ainda há muito por melhorar. Outro dado positivo pode ser justificado pela desatualização da estatística. O Ipea mostra o Estado com taxa de homicídios de homens melhor que a do resto do Nordeste e do Brasil. Mas o número data de 2007, antes de a situação da segurança pública no Ceará degringolar de vez. E, àquela altura, a tendência já era crescente.


DEBATE SOBRE INSPEÇÃO VEICULAR AVANÇA NO GOVERNO DO ESTADO

No fim do ano passado, a coluna tratou da perspectiva de o Ceará adotar a controversa inspeção veicular ambiental. A legislação é nacional, mas cabe a cada estado ou município instituir seu modelo. O assunto já causou muita polêmica em outros estados e há gente atrás das grades por escândalos relacionados a isso. No governo cearense, ainda não há decisão política de instituir a inspeção. Ontem, o secretário da Ciência e Tecnologia, René Barreira, reuniu-se com o presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Paulo Henrique Lustosa, e com o superintendente do Detran, João Pupo, para tratar do assunto. Ainda não foi tomada a decisão, pelo Palácio da Abolição, de iniciar a inspeção. Contudo, os órgãos começaram a discutir uma proposta unificada, para quando tal definição sair e eles forem chamados pelo governador Cid Gomes. O objetivo é definir um conjunto de procedimentos em comum. As condições objetivas para realizar a inspeção começaram a ser discutidas. “Você conhece o governador. Ele é engenheiro. A pergunta dele não é filosófica, é técnica”, ressaltou à coluna Paulo Henrique Lustosa. Por exemplo: a princípio, a proposta era submeter à fiscalização, a cada ano, todos os veículos com mais de três anos de uso. Isso talvez não seja possível no primeiro momento. Ontem, já se discutiu a possibilidade de escalonamento: primeiro, apenas os veículos antigos serão incluídos. Depois, os mais recentes, até chegar naqueles com até três anos. Para que seja estabelecida taxa pela inspeção veicular, a cobrança precisará ser aprovada pela Assembleia Legislativa no ano anterior. Ou seja, só poderá começar em 2013, caso seja votada ainda este ano.

 

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Comentários
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Costa 02/02/2012 10:40
Essa história de inspeção veicular vai gerar uma corrupção sem tamanho.
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