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Política 01/02/2012 - 01h30

Estado teme comprometer as contas

O ritmo de crescimento é considerável e não pode ser mantido no longo prazo, sem comprometer a saúde financeira e a capacidade do Estado de investir


Está em curso o que provavelmente se revelará uma das mais árduas negociações com servidores públicos da história do Governo do Estado. Na carona da greve dos policiais militares, todas as categorias estão dispostas a arrancar o máximo que puderem. Os PMs mostraram que a radicalização pode valer à pena. O discurso que a administração estadual vinha sustentando – de não negociar com categorias em greve – caiu por terra. O momento é promissor para o funcionalismo, mas pode ser ruim para o Estado como todo - não apenas para o governo do momento. Gente de dentro da administração teme que a pressão por reajustes possa até comprometer o equilíbrio fiscal do Ceará e provocar drástica redução na capacidade de investimentos.


O PAPEL DOS SERVIDORES

Mais até que o governador ou seus secretários, os servidores são o aspecto mais determinante para o sucesso ou fracasso das políticas de Estado. São eles que estão na ponta do atendimento e nenhum serviço público pode funcionar adequadamente sem seu envolvimento. Todavia, a razão de existir da máquina estatal não é sustentar seu quadro de pessoal. O número de empregados do governo é tão grande que não é raro que os interesses desse setor se confundam com os do conjunto da sociedade. Não é bem assim. Eles são parte, mas não o todo. Muitas vezes, um governo é avaliado como bom ou ruim pelo tratamento dispensado ao funcionalismo. Trata-se de distorção. Claro que dificilmente uma administração será boa sem dar tratamento adequado ao seu corpo funcional. Mas apenas isso também não constitui uma boa gestão. Não são poucos os servidores que agem como se a principal função do governo fosse pagar bem aos trabalhadores. Não é. A razão pela qual o Estado existe é a mesma pela qual o funcionalismo também existe: servir ao público, à população em geral, à coletividade. Nunca se pode perder isso de vista.

 

O RISCO DE COMPROMETIMENTO

Todo trabalhador tem de ter tratamento digno, e mais ainda nas funções estratégicas. O atual nível de atraso do Brasil está relacionado diretamente à ridícula remuneração conferida aos professores. Como em outros países que buscam superar seu atraso, deveriam estar entre as profissões mais bem remuneradas. Ao invés disso, ocupam lugar oposto na lista. A categoria é numerosa e por isso recebe tão mal. É necessária política de Estado, coordenada pela União, para superar esse patamar. Também os policiais são pessimamente pagos, o que contribui decisivamente para a corrupção que corrói a segurança pública. Por outro lado, todos os esforços do Estado não podem ser voltados para isso. Conforme expôs o secretário do Planejamento, Eduardo Diogo, a folha de pessoal cresceu 82,69% em cinco anos de governo Cid Gomes. No mesmo período, a inflação foi de 30,16%, segundo o IPCA. O ritmo de crescimento é considerável e não pode ser mantido no longo prazo, sem comprometer a saúde financeira e a capacidade do Estado de investir. Isso não interessa nem mesmo aos próprios funcionários. O preço a ser pago aparecerá no médio e no longo prazo.

 

Também na Prefeitura de Fortaleza o aumento da folha de pessoal avançou em ritmo quase descontrolado. Mesmo assim, as duas esferas vêm tendo problemas seguidos com servidores. Ou há falha na comunicação, ou há visão diferente sobre quais demandas deveriam ser atendidas. O certo é que a afinação nesse diálogo é crucial para todos os envolvidos.


PIMENTEL E A “FACA NOS PEITOS” DE CID

Luizianne Lins tentou ser sutil, mas o recado da possível candidatura de José Pimentel (PT) é uma inequívoca ameaça a Cid Gomes (PSB). Conforme aqui foi dito na semana passada, o senador serviria para “assustar” o Governo do Estado. O suplente de Pimentel é Sérgio Novais, ex-presidente municipal do PSB que Cid operou para que fosse destituído. O ex-marido de Luizianne se converteu no mais incômodo desafeto do governador. E a prefeita deu seu recado: se não quiser correr o risco de vê-lo por seis anos no Senado, é bom Cid apoiar o candidato do PT. Se não, Pimentel pode ser acionado. A estratégia tem dois problemas: o governador não reage bem a pressões. A mensagem já havia sido dada em 2010, por intermédio do irmão, Ciro Gomes: “Cid não vai aceitar faca no peito nem de Luizianne nem de Tasso Jereissati”, disse o então deputado, em meio às tensas negociações simultâneas com PT e PSDB. O tucano apostou na “faca nos peitos”. Deu no que deu. Outro problema é com o próprio senador. Pimentel vem mantendo sepulcral silêncio desde que seu nome foi trazido de volta à tona. Segundo a prefeita, ele topa ser o nome “para unificar o PT”. A questão é: ele aceitará concorrer mesmo se a aliança naufragar, como Luizianne cogitou? O cenário é adverso e parece improvável a perspectiva de Pimentel largar a boa vida de Brasília para colocar a mão nessa cumbuca.

 

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