Só no Brasil. Um feriado comprido de quase uma semana, no qual se celebra a alegria e quase ninguém (?) trabalha. Esse festejo faz parte de um planejamento que o cidadão brasileiro faz, por muitas vezes, durante o ano inteiro. Há pessoas, que de tanta importância atribuída, passam a usar o Carnaval como medidor de tempo e explicar feitos e decisões jogando a responsabilidade no feriado. Bendito feriado. Tem gente que descansa, sei lá, trabalha tanto no ano inteiro que durante aqueles dias quer mesmo é deitar em uma rede e esticar as pernas.
Agora vou explicar minha indagação no começo da coluna. Ao contrário do que você pensa, muita gente trabalha durante esse período. Espalhados país afora, são os músicos, produtores, operadores de som, luz e palco, seguranças, e, indiretamente, os ambulantes, garis, fabricantes de cerveja e gerentes de hotéis, que movimentam e suam a camisa para a folia acontecer. Este ano mais uma vez estou dentro desse bolo. Desde que comecei a trabalhar com música foram poucos os carnavais nos quais não trabalhei. Meu tempo de curtir um “paredão de som” já passou. Na verdade, acho que esse tempo nem existiu. O que existiu foi um cara passando perto do auto-falante protegendo o ouvido, pensando, “Ah, minha cama bem quentinha!”
Caia na folia
Olhem bem, não estou incentivando a ficar em casa. Um bom motivo e inquestionável para querer cair na folia é uma boa atração. No nosso caso especificamente, um som digno para apreciar. O Carnaval de Fortaleza tem boas opções. No sábado, o percussionista Otto e a cantora Karina Buhr. Domingo, banda Moinho de Salvador. Na segunda-feira o público tem chance de assistir ao Baile do Simonal, onde um tributo no qual não existe tristeza vibra com as interpretações dos irmãos Simoninha e Max de Castro cantando as músicas que fizeram sucesso na voz do seu saudoso pai, Wilson Simonal. No set list, canções como Sá Marina, País Tropical, Zazueira, Lobo Bobo, Carango, Tonga da Milonga, dentre outras. Outro cara que vai aparecer por aqui é o Arlindão. Sou fã de várias composições do Arlindo Cruz e sinto que ele vem fechar o último dia do Aterro (o grande) com respeito. O rechonchudo vai suar feito tampa de marmita no nosso clima, mas sem ser vencido pelo cansaço. E muito menos o folião.
Bom Carnaval para todos os leitores do O POVO! Sei que é clichê, mas é de EXTREMA utilidade pública: – Se for beber, fuja do volante. Ou procure uma rede para deitar.
Davi Correia
buchicho@opovo.com.br
Veja o jornal de hoje e os cadernos
Newsletter
Copyright © 1995-2012