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o povo nos bairros 16/05/2013

História do Bom Jardim é marcada por muitas dificuldades

FOTOS TATIANA FORTES/ESPECIAL PARA O POVO
A infraestrutura do Bom Jardim melhorou ao longo dos anos, mas ainda há muito a ser feito
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Um povo que teve de sobreviver na adversidade. Assim poderia ser resumida, em poucas palavras, a história do bairro Bom Jardim. Apesar do nome inspirador e bucólico, a vida no bairro ainda é dura e cheia de dificuldades. Porém, os moradores não se acomodaram a essa situação. Ao contrário. Eles vêm lutando, e muito, para transformar a realidade socioeconômica do bairro.


Na memória da cozinheira Juracy Barbosa, 53, está a imagem de um bairro inicialmente povoado por moradias simples. As casas, na maioria, eram feitas de taipa. Ela chegou ao Bom Jardim em 1981, acompanhada dos dois filhos, quando fugia de uma seca que assolou o município de Capistrano (distante 110,5 km de Fortaleza). Foi no bairro que o marido dela encontrou o aluguel mais em conta. “(Naquela época) as ruas tinham muita lama, porque não havia calçamento”, recorda.


Já a aposentada Maria Xavier, 87, conta da dificuldade para conseguir água no Bom Jardim. “Era preciso usar água de cacimba”, afirma. Durante muitos anos, os moradores não contaram com uma rede de abastecimento.


A situação precária foi noticiada diversas vezes pelo O POVO. Em fevereiro de 1968, uma matéria falava sobre “o esquecido Bom Jardim”. No ano de 1978, a comunidade ainda revindicava “água, saúde e esgoto” para o bairro. Em março de 1990, os problemas de infraestrutura ainda atormentavam os moradores e O POVO trazia reportagem com o título “Bom Jardim convive com lama e sujeira”.


História curiosa envolve a origem do nome do bairro. Segundo a coordenadora pedagógica do Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim (MSMCBJ), Ana Cláudia Rodrigues, a explicação está no antigo bordel existente na avenida Oscar Araripe.


As dondocas, que prestavam os mais diversos serviços no local, eram tratadas pelos clientes como flores e rosas. Aquele era um bom jardim. “Aí o nome pegou. Pelos menos, a história que me contaram é essa”, brinca Ana Cláudia. Hoje, o referido estabelecimento não existe mais.


Comunidade organizada


Ao longo dos anos, uma série de projetos sociais foram surgindo no Bom Jardim, com o objetivo de criar um cenário propício para o desenvolvimento do bairro. Um deles foi o MSMCBJ, criado em 1996.


“A primeira vez que eu conheci o Bom Jardim foi em 1993. Uma coisa que tinha me impressionado era a fila das crianças desnutridas na Pastoral da Criança. As mãezinhas ficavam na fila, com uma expressão de sofrimento e angústia”, relembra o padre Rino Bonvini, um dos fundadores do movimento.


O primeiro passo do movimento foi reunir os moradores em terapias comunitárias, com o objetivo de entender os dramas e dificuldades de cada um, melhorar a autoestima e combater a “síndrome da pobreza internalizada”. A diferença é que a própria comunidade ficou responsável por também gerir o projeto. O trabalho foi, inclusive, reconhecido pela Universidade de Harvard, que enviou uma turma de alunos e pesquisadores para conhecer o projeto no início deste ano.


Hoje, a avaliação é de que a situação do bairro já melhorou muito. Isso pode ser observado, por exemplo, no aumento do número de estabelecimentos comerciais na regão. “Nem todos os problemas foram resolvidos, mas agora (os projetos) estão dando respostas”, salienta Bonvini. Os desafios ainda são imensos. A boa notícia é que os moradores seguirão firmes na luta para construir um bairro cada vez melhor.

 

MÁ CONSERVAÇÃO


ESPAÇOS PÚBLICOS PRECISAM SER RECUPERADOS NO BOM JARDIM

1. A comunidade do Bom Jardim pede a recuperação dos espaços públicos do bairro, principalmente das áreas que servem de lazer para as crianças e jovens. As poucas praças existentes, por exemplo, encontram-se em péssimo estado de conservação. “Você tem que oferecer uma alternativa prazerosa ao jovem, com um espaço onde ele possa brincar, estudar, sonhar e realizar”, salienta o padre Rino Bonvini. Outra reclamação é sobre infraestrutura. A maioria das ruas do bairro está esburacada . “Ainda não vi ser feito trabalho de recuperação das ruas”, afirma a aposentada Lourdes Alves, 77, que mora há quase um ano no Bom Jardim.

 

RESPOSTA. A Secretaria Executiva Regional (SER) V informa que as prioridades do órgão são a recuperação dos postos de saúde e reparos nas vias públicas. A SER V diz que as intervenções nas ruas do Bom jardim serão inciados logo após o fim da licitação que a pasta está realizando. Sobre as praças, a Regional V afirma que o Distrito de Infraestrutura realiza um levantamento da situação para poder agendar as reformas. 

 

SEGURANÇA PÚBLICA


VIOLÊNCIA TIRA O SOSSEGO DOS MORADORES

2. Sem dúvida, o maior desafio do bairro Bom Jardim é vencer a epidemia de violência. Segundo dados divulgados pela

Secretaria da Segurança Pública (SSPDS), o Bom Jardim contabilizou 22 homicídios nos quatro primeiros meses deste ano, ficando atrás apenas da Barra do Ceará (28 casos). “Há 30 anos, o bairro era mais calmo. Agora está cada vez mais violento”, comenta a aposentada Maria de Lurdes Oliveira, 65. Para o padre Rino Bonvini, a alta incidência da criminalidade tem relação direta com o tráfico de drogas existente na região, com impacto nos números de homicídios.


RESPOSTA. O comandante da4ª Companhia do 6º Batalhão da PM, capitão Kildare Nascimento, afirma que o policiamento está sendo intensificado no bairro, em conjunto com o Batalhão de Choque, Raio e Pelotão de Motos. Alegando razões de segurança, ele preferiu não informar o número de policiais atuando no Grande Bom Jardim. Já o secretário da Segurança Cidadã de Fortaleza, Francisco José Veras, informa que até o fim do mês será fechado o Plano de Segurança do
Município de Fortaleza. A partir dele, serão traçadas as diretrizes de segurança e de políticas públicas.

 

EM ALTA


ORGANIZAÇÃO

O processo de auto-organização dos moradores do Bom Jardim tem permitido que, aos poucos, o bairro supere as dificuldades enfrentadas ao longo da história

EM BAIXA


SUJEIRA

A maioria das ruas do bairro estão sujas e muitos são os pontos de depósito de lixo a céu aberto. Nos córregos, também é percebido o despejo irregular de esgoto

 

RONDA


O Povo nos Bairros publica o telefone de contato dos policiais do Ronda do Quarteirão no bairro Bom Jardim

3457 1006 e 190

37 MIL


Habitantes

O bairro Bom Jardim possui 37.758 moradores, distribuídos numa área de 2,53 km²

 

BOM JARDIM


É a cara do meu bairro

Qual é a imagem que você acha a cara do seu bairro? Participe, envie sua foto para nós: opovonosbairros@opovo.com.br

Centro Cultural Bom Jardim. Inaugurado em 2006, o equipamento oferece atividades artísticas e culturais, além de cursos de formação para os jovens do bairro.

 

PAPICU


OBRAS INCOMODAM VIZINHANÇA

3. A professora universitária Júlia Miranda denuncia a poluição sonora causada pela construção de um edifício na rua Amélia Benebien, no Papicu. Segundo ela, a construtora está “ignorando o direito de descanso dos moradores do bairro e ferindo a legislação em vigor, pois fazem prosseguir os trabalhos da obra, muitas vezes, até às 19h30min.”.

 

RESPOSTA. A Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) informa que obras realizadas em horário comercial (das 7h às 18 horas) devem respeitar o limite máximo de som de 55 decibéis. Entre as 18h e 7 horas, o limite cai para 50 decibéis. Além disso, o órgão afirma que é preciso ter uma licença especial para realizar obras da construção civil aos domingos e feriados. A Seuma assegura que uma equipe de fiscalização será enviada ao local para verificar se as normas estão sendo respeitadas. 

 

Fale com o Geimison

Envie reclamação sobre o seu bairro. Ela será publicada junto com a resposta do órgão responsável.

(De quarta a sexta, das 14h às 19 horas)

85 3255 6114 ou 3255 6118

FAX 85 3255 6139

Escreva para: opovonosbairros@opovo.com.br

(Coloque seu nome e telefone)

 

Av. Aguanambi, 282

Joaquim Távora

Cep: 60055-402

Multimídia: A coluna O POVO nos Bairros também possui uma versão em vídeo no O POVO Online


GEIMISON MAIA é repórter do Núcleo Cotidiano

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Adriano Almeida 03/06/2013 14:44
Vale salientar que a violência urbana (simbólica e material) é estritamente relacionada com as violações de direitos e pelo histórico processo de segregação social espacial da região do Bom Jardim com a cidade de Fortaleza, e que não se resolve com policiamento ostensivo.
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Adriano Almeida 03/06/2013 14:44
Saliento ainda a necessidade de atentar para a escala geográfica e político administrativa da região bem como para os marcos fronteiriços. Quando se fala em Bom Jardim pode-se estar falando de um conjunto de 05 bairros, denominados Grande Bom Jardim
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Adriano Almeida 03/06/2013 14:44
Neste momento, dia 03 de Junho de 2013, às 15h, no Paço Municipal, Centro de Fortaleza, moradores organizados do Grande Bom Jardim, junto a moradores do Jangurussu e Ancuri, estão sentando com o prefeito (PSB) para negociar regulamentação de uma plataforma de políticas públicas
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Adriano Almeida 03/06/2013 14:43
a matéria não diversificou as vozes das organizações sociais que compõem um vasto e rico tecido social local com base num forte capital social.
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Adriano Almeida 03/06/2013 14:42
Sempre é bom ser lembrado, e lembrado pela perspetiva dos próprios moradores, quanto mais pela imprensa que exerce importante papel na formação de opinião pública.
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