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o povo nos bairros 04/03/2013

Paupina: Entre silêncio e verde, a vida segue tranquila no extremo da cidade

FOTO: THIARA NOGUEIRA/ESPECIAL PARA O POVO
A lagoa da Paupina faz parte da paisagem tranquila do bairro
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Paupina

A Paupina é um bairro que mexe com os sentidos do visitante. Basta começar a seguir pelas vias do bairro para que os ouvidos deixem de lidar com os ruídos do trânsito e se encontrem com pios dos pássaros e das galinhas, berros dos bodes e com o silêncio. Aliás, estranha “ouvir” o silêncio nesta Fortaleza barulhenta - ainda que o bairro esteja lá onde a Capital termina.


No percurso, olhos se deparam com muito verde, uma lagoa e vida tranquila que segue sob as árvores, e com o Mosteiro de São Bento - vistoso no alto do bairro.


E eis que, nesse passeio dos sentidos, vêm o aroma e o sabor da tapioca. Se o prato é típico do Ceará, para os moradores do bairro, é - antes e mais do que isso - a cara da Paupina. Para encontrá-la, é só seguir pela avenida Barão de Aquiraz - antigamente único acesso para o litoral leste. Está ali a origem do Centro das Tapioqueiras que existe hoje na avenida Washington Soares.


Pelo caminho, há tapioca como a feita há mais de cinco décadas na Tapioqueira Santa Cecília. A pioneira, segundo ostenta placa em frente ao comércio e conta, orgulhosa, Maria do Socorro Pereira da Silva, de 57 anos. Dona Socorro lembra da meninice ajudando o pai, João Inácio, a ralar o coco. Naqueles tempos, ele saía em um jumento rumo ao Mercado São Sebastião para vender tapioca.


Entre risos, ela diz que na Paupina falta “muita coisa. Só não falta tapioca!”. Entre as “coisas”, dona Socorro pede uma farmácia.


Já a reclamação da comerciante Vera Lúcia Bezerra, 51 - “nascida e criada” na Paupina - é a precariedade do posto de saúde. Segundo ela, é um posto para atender sete comunidades. “Tem poucas fichas, só um médico”, reclama. Apesar disso, a moradora diz viver em um “bom bairro”. “Tem silêncio, é calmo”. Vera lembra como era ao chegar por ali: “só mato. Era uma casinha aqui, outra acolá, uma terra de sítios, com cajueiro, mangueira”.


As árvores ainda estão pela Paupina, especialmente nos sítios que resistem numa área que ganha cada vez mais condomínios fechados. Um dos sítios pertence a Manoel Bezerra da Silva, de 78 anos. Talvez mantendo vivo um hábito da meninice vivida ali, o portão do terreno amplo, cheio de pássaros, não se fecha. Casas vizinhas também mantêm portas abertas. Inevitável não pensar que a Paupina é Fortaleza, mas não é.


“Aqui é tudo casa de família. Antigamente é que era muito bom, era o lugar mais calmo que existia”, relembra Manoel - balançando compassadamente na rede.


Porém, o “clima de Interior” que o bairro ainda ostenta - alegria dos mais antigos - não agrada a todos. “Acho que precisa mais praças pra gente poder ficar, mais cantos pra ir. Só tem lá pra Messejana”, lamenta a estudante Cíntia Carneiro, de 14 anos.


A dona de casa Rosa Maria de Sousa, de 39 anos, defende que a Paupina é ótima “para criar os filhos”. “Mas é um bairro grande e não tem um posto de saúde direito”, diz.

Posto recebeu médicos


O posto de saúde do qual os moradores reclamam é o Anísio Teixeira, que fica na comunidade Itamaraty. Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que sexta-feira a unidade recebeu dois novos médicos. “Informamos ainda que está sim prevista reforma na unidade, por meio do Programa Requalifica UBS (Unidade Básica de Saúde) do Ministério da Saúde. Sobre a falta de medicamentos, esclarecemos que já estão sendo providenciados o abastecimento e as reposições necessárias”, disse o texto da SMS.

 

EM ALTA


NATUREZA

A tranquilidade do bairro é motivo de permanência de muitos moradores. Na Paupina, há poucos carros circulando. E há

silêncio.


EM BAIXA


RUAS

Em muitas ruas e esquinas do bairro, que tem poucas calçadas, há lixo acumulado e vias com esgoto

correndo a céu aberto.

 

14 MIL

A Paupina tem 14.665 habitantes, segundo o Censo 2010 do IBGE. São 7.042 homens e 7.623 mulheres.

 

RONDA

O Povo nos Bairros publica o telefone de contato dos policiais da Ronda do Quarteirão no bairro Paupina

3457 1077 e 190

 

PAUPINA


É a cara do meu bairro

Qual é a imagem que você acha a cara do seu bairro? Participe, envie sua foto para nós: opovonosbairros@opovo.com.br


Tapioca. O prato é característico da Paupina. Ali, décadas atrás, começaram a surgir vários comércios vendendo tapioca que continuam funcionando todos os dias, como o de Maria do Socorro.

 

MEIRELES


CANTEIRO CENTRAL DESTRUÍDO É ESPAÇO DE CONVERSÕES PROIBIDAS

1. O leitor Ielton Raulino Leite reclama da destruição do canteiro central na esquina da avenida Senador Virgílio Távora com a rua Silva Jatahy, no Meireles, além da presença de um buraco no mesmo cruzamento. Segundo ele, o problema existe há três anos e os motoristas aproveitam o desgaste do canteiro para fazer conversões proibidas. Em outubro, a mesma reclamação já havia sido divulgada na nossa versão multimídia da coluna O POVO nos Bairros. Na época, a Secretaria Executiva Regional (SER) II comprometeu-se a resolver o problema o mais rápido possível.

RESPOSTA. Em nota, a SER II informa que “será enviada ao local uma equipe de fiscalização para verificar a real situação do canteiro central da avenida Virgílio Távora com a rua Silva Jatahy. Após a conclusão do diagnóstico, serão tomadas as devidas providências”.

 

PARQUE ARAXÁ


MORADORES RECLAMAM DE MUDANÇA EM NOME DE RUA

2. Leitor Alexandre Leitão diz que moradores da rua Professor Castelo Branco, no bairro Parque Araxá, estão fazendo abaixo-assinado contra a retirada de placas com o nome da rua e substituição pelo nome rua Escritor Pedro Ferreira de Assis. Este nome, segundo ele, foi dado pelo desembargador Ferreira que, em 1970, enquanto presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE) governou por alguns dias o Estado e alterou o nome da rua no trecho entre a Bezerra de Menezes e a rua Azevedo Bolão para homenagear o pai. “Este ato autoritário causou revolta nos moradores que protestaram em vão na ocasião”, comenta Alexandre. Em janeiro, ele diz, houve a retirada das placas com o nome “original”, o que provocou nova manifestação. “Esperamos que a vontade dos moradores seja considerada. E se outra autoridade vier morar na rua e quiser mudar o nome da rua novamente?”, questiona o leitor.


RESPOSTA. A assessoria de comunicação da Prefeitura foi procurada, mas, até o fechamento desta coluna,não deu nenhuma resposta à reclamação.

 

PAPICU


VIA ESTREITA TEM TRÂNSITO CONFUSO

3. Leitora reclama que na esquina das ruas Comandante Haroldo Aroeira e Gilberto Studart, no Papicu, “o trânsito está impossível”. Segundo ela, a rua Comandante Haroldo Aroeira é estreita e o estacionamento é permitido nos dois lados, o que gera “muita confusão”, ela diz.

 

RESPOSTA. Em nota, a Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC) informa ter incluído o local na rota de fiscalização “a fim de inibir o cometimento de infrações”. “Além disso, a divisão de Engenharia do órgão irá avaliar a possibilidade de adotar medidas que facilitem e garantam mais segurança para a circulação viária de ambas as ruas, como a proibição de estacionamento em um lado da via, por exemplo”, diz.

> TAGS: verde bairro paupina
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espaço do leitor
DEFENSOR DA FAVELA 07/03/2013 12:54
Não sei onde é essa tranquilidade. Fica próximo do tráfico de drogas e muitos assaltos próximos a CE 040.
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