A última pesquisa O POVO/Datafolha aponta situações interessantes em relação aos levantamentos anteriores e que servem de indicação do que pode vir a acontecer faltando 20 dias para a votação. Um primeiro ponto é a consolidação da tendência de queda de Moroni, o que já não mais garante com certeza sua presença em um segundo turno. O candidato do DEM, ao que parece, conseguiu cumprir bem uma etapa da campanha que foi funcionar como contraponto a força de Lula na periferia. Talvez, por isso, tenha sido até agora o postulante mais poupado pelos demais candidatos que temiam a força do ex-presidente no eleitorado de perfil mais palatável ao símbolo petista.
Com a queda de Moroni, era normal que os dois candidatos com maior apoio das máquinas e bem situados nas últimas pesquisas passassem a despertar a atenção sobre quem iria para o segundo turno, no caso Roberto Cláudio (PSB) e Elmano de Freitas (PT). O levantamento recente, todavia, não só desfez essa certeza, como jogou lenha na fogueira de uma disputa que começava a ganhar ares de polarização. O crescimento de Heitor Férrer dá novo fôlego à campanha dele, que demonstrava desgaste, e o coloca novamente no páreo pelo índice de penetração em diversos segmentos e, principalmente, por ter a menor rejeição entre todos os adversários. Não será novidade se o deputado aparecer como a terceira via em uma cidade onde fatos do gênero não são incomuns, como mostra a história.
No que diz respeito a Roberto Cláudio, vem mantendo tendência de crescimento dentro do esperado por sua coordenação de campanha e seria o único a vencer Moroni no segundo turno, de acordo com a pesquisa recém-divulgada. Parece ser o voto mais consolidado até agora e a pecha lançada por adversários, de que será um secretário do governador Cid Gomes, não tem alterado o seu desempenho nas pesquisas de intenções de voto. O candidato do PSB conta ainda com baixa rejeição e trata-se da segunda opção de muitos dos eleitores de outros postulantes. Nesse cenário, tem a seu favor o programa eleitoral mais bem avaliado, o que não é indicador a ser desprezado neste momento de entrada na reta final. Isso, sem contar que possui a campanha mais cara e mais bem estruturada.
Quanto a Elmano de Freitas, talvez seja o que esteja com as piores perspectivas pela frente. O petista apostou tudo na figura de Lula para alavancar sua candidatura e se, no começo, teve aumento considerável, o que se nota, porém, é que parece ter se esgotado esse efeito no eleitorado. A presença do ex-presidente de forma massiva por mais de dez dias não alterou em nada o percentual de intenções de voto no candidato na última pesquisa. Para quem tinha Lula como a bala de prata nessa campanha, os números recentes são preocupantes. Após o efeito Lula, Elmano agora terá de lidar com o efeito Luizianne, o que não será fácil.
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