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menu político 18/02/2012 - 15h00

Mobilidade urbana é a pauta da vez

"Há algo de novo neste 2012, que nos dá a sensação de que os dois primeiros meses do ano foram mais pesados"

Com a redemocratização e a volta das eleições diretas para a escolha dos governantes nas três esferas de poder no País, temas recorrentes têm tomado a pauta das campanhas de forma quase absoluta. Nos últimos anos, de maneira cíclica, saúde, educação, emprego e segurança pública têm se alternado como mote de discussões, por vezes mais ideologizadas, do que propriamente no sentido de se avançar para a proposição de soluções factíveis. Mesmo assim, não há como negar que em algumas dessas áreas tivemos ganhos a partir desses debates, apesar de desvirtuações próprias do período eleitoral.

 

O crescimento econômico do País, todavia, principalmente durante o governo Lula, impõe para o próximo pleito um tema fundamental e novo nesse menu político eleitoral, que é a mobilidade urbana. Alçado em termos de preocupação da sociedade ao mesmo patamar de temas como saúde, segurança pública e educação ou o emprego, esse problema ganhou tal dimensão nas grandes e médias cidades, que é impossível tratá-lo hoje de forma isolada. O mais grave é que não se vê um debate franco e fora do mero diagnóstico, apontando para perspectivas de melhora a curto ou médio prazo.


Diante disso, penso que em termos de contribuir para a discussão, o primeiro passo são as gestões públicas reconhecerem que foram incapazes de lidar com o problema. E aqui não importa qual o viés ideológico de quem está gerindo no momento determinada cidade. O fato é que o País e o seu desenvolvimento na última década, se geraram inegáveis ganhos à população, trouxeram a reboque essa questão que não pode mais ser ignorada. O pleito deste ano, portanto, até por serem as cidades o locus do problema, oferece uma ótima oportunidade para se pensar em planejamento na área de mobilidade urbana.


Um debate, todavia, que não sirva para escamotear o problema com propostas mirabolantes ou que tenham como pano de fundo o achismo como base fundamental. O enfrentamento da questão da mobilidade urbana exige que haja por parte dos pretensos gestores visão de futuro sobre o que nos espera. A tendência é que o País continue crescendo razoavelmente bem nos próximos, e em vista disso, os grandes aglomerados urbanos serão diretamente afetados e, caso isso não seja discutido agora, estaremos perdendo ótima oportunidade.

 

Dois meses pesados

A máxima de que no Brasil as coisas só começam após o Carnaval parece não ter funcionado bem este ano. Há algo de novo neste 2012, que nos dá a sensação de que os dois primeiros meses foram pesados. Greves, acidentes, mortes de símbolos e outras notícias negativas preponderando levaram muitos a antecipar o retorno à vida normal. No Ceará, particularmente, vivenciamos a histeria coletiva a partir da greve dos policiais, que não nos permitiu começar o ano de alma lavada. Por isso, até quarta-feira, é aproveitar o Carnaval da melhor forma possível, porque ainda faltam dez meses para 2013 chegar.


Luiz Henrique Campos
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