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menu político 28/01/2012 - 15h00

Mais importante dos que as falas, serão os gestos

Após 21 dias sem conceder entrevistas ou se fazer presente em solenidades públicas o governador Cid Gomes quebrou o silêncio na semana passada ao comparecer no programa Stúdio News, na TV O POVO. No mesmo dia da entrevista, também falou rapidamente ao repórter Pedro Alves do O POVO, tratando sobre os últimos fatos que amedrontaram a população cearense por ocasião da greve dos policiais militares e bombeiros. É claro que a imersão de Cid Gomes nesse período gerou série de especulações e qualquer fala agora nunca conseguirá esgotar as dúvidas que pairam sobre os momentos que marcaram aquele episódio.

 

Se não se esgotam as dúvidas, porém, é inegável que as aparições do governador são importantes em termos simbólicos. O retorno de Cid à planície, reconhecendo erros ou fazendo considerações mesmo que não atendam às expectativas de quem as ouve, é importante para demarcar que seu governo é capaz de superar revezes, que até então pareciam distantes. Mais importante do que as aparições simbólicas e falas, que nem sempre traduzem a realidade dos fatos, todavia, será interessante acompanhar os gestos do governador a partir do que ele pode ter tirado de lição dos últimos acontecimentos.


Com maioria esmagadora na assembleia e ancorado no PT para lidar com os movimentos sociais, nem assim o primeiro ano do segundo governo Cid foi fácil. No parlamento, se conseguiu derrubar todas as pretensões do pequeno número de opositores, teve que lidar com a falta de consistência de sua base na disputa pela opinião pública. Como resultado, apanhou forte quase todos os dias em questões que poderiam ter sido minimizadas através da transparência de informações, na maioria das vezes negadas pelos nobres parlamentares governistas. No tratamento com os movimentos sociais as consequências foram desastrosas, desde a greve dos professores à paralisação dos militares.


Resta portanto, esperar que os fatos recentes tenham servido para o governador refletir sobre determinadas condutas de seu governo. A segunda gestão Cid Gomes tem tudo para levar o estado a dar um salto qualitativo. Há projetos nas áreas de desenvolvimento que levarão o Ceará a patamares nunca antes vistos. Na saúde temos em andamento projetos de grande envergadura, assim como na educação. Isso, sem contar os ganhos que advirão com os eventos anteriores a Copa do Mundo. Por tudo, não se justifica que o governo esteja hoje acuado e passando a impressão de derrota.

 

As esquizofrenias petistas


Vitalidade, falta de pragmatismo, exercício de democracia. Pode-se utilizar todos esses argumentos e até ampliar o leque para definir os processos que levam o PT a tomada de suas decisões, como tem sido o caso da escolha do candidato às eleições de 2012 em Fortaleza. O que não se pode negar é a capacidade que a legenda da estrela vermelha tem para dimensionar fatos que poderiam ser tratados de formas menos complexas. O resultado é a exposição extremada que nem sempre é benéfica em termos de opinião pública. E aqui não venham dizer que a culpa é da imprensa. Primeiro, quem começa a definir candidatura a menos de um ano das eleições colocando 13 nomes, é porque não tem nenhum. Depois, diminuir para quatro, para em seguida aumentar para seis os possíveis postulantes, é a prova de que as coisas no PT podem sempre piorar. Bom, a culpa pode não ser da imprensa. Mas ainda bem que existem as esquizofrenias petistas.

Luiz Henrique Campos
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