Janeiro é tradicionalmente um período fastioso para a crônica política. Casas legislativas de recesso; Executivo em compasso de espera por conta das férias da maioria dos principais gestores, enfim... Trata-se de um mês no qual o que ocorre é lucro para os jornalistas que lidam com o noticiário.
Salvo as honrosas exceções, é um mês no qual os gestores podem se dar ao luxo de passar incólume às críticas e recuperar energias para os demais meses de tensões políticas. Mas o que seria da história se não fossem as honrosas exceções. Quase sempre peças do destino, ssas tais circunstâncias existem e são capazes de mudar a rota das coisas.
É o que parece estarmos vivendo nesses primeiros dias de janeiro. Não somente em relação ao plano estadual, que não adianta nem mais falar sobre o estrago causado. Refiro-me ao âmbito federal também, onde a presidente Dilma Rousseff não está tendo sossego em virtude das estripulias de mais um de seus ministros.
Após término de ano bastante positivo para ela, 2012 não começou nada bem. Não bastasse o desgaste proporcionado pelas ações do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, eis que a presidente enfrenta ainda o fato negativo das tragédias que assolam os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Tragédias, não custa lembrar, que ano a ano se repetem sempre no mesmo período, com os mesmos desgastes causadores de vítimas. Para agravar o quadro, é o próprio Fernando Bezerra quem está a cuidar das atividades de combate às catástrofes. O início do ano, portanto, não está sendo fácil, tanto que em apenas 15 dias, a impressão que se tem é que o mês já acabou.
É bom ressaltar que 2012 é ano de eleição e, quando isso acontece, os governos ficam paralisados. No caso de Dilma, até fevereiro, se não surgirem novos escândalos, o fato mais importante politicamente será a reforma ministerial. Passada esta etapa, praticamente começam as articulações para as eleições e o país mais uma vez vai deixar de lado reformas importantes que precisam ser feitas.
E assim caminha a nossa política institucional, voltada exclusivamente para o varejo, sem que se abra perspectivas de maiores transformações. Felizmente, Dilma tem dado provas de sua impaciência em relação a essa mesmice do jogo político. Resta aguardar e torcer para sermos surpreendidos.
Não é normal
A reclusão pública do governador Cid Gomes nos primeiros dias do ano, deixando de comparecer a solenidades que normalmente se faria presente, não pode ser encarada como normal. Adepto do debate e muitas vezes surpreendendo ao manter contato direto com a sociedade por formas as mais ousadas, o governador foge ao seu estilo e parece ter acusado o golpe bem mais intensamente do que se poderia imaginar.
Não custa ressaltar que isso é capaz de gerar reflexos muito mais negativos à gestão do que se pensa. Nesse momento, diversas categorias estão se arregimentando em torno de possíveis movimentos paredistas, e o governo, na pessoa do governador, ao demonstrar fraqueza, não só alimenta especulações, como abre o flanco escancaradamente.
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