No último Menu Político de 2012 nada mais justo que o espírito de balanço prepondere nesse momento. Em sendo assim, me permito fazer rápida avaliação do primeiro ano do governo Dilma Rousseff, na perspectiva de que a grande incógnita sobre ela no início do mandato recaia sobre a sua capacidade de lidar com as pressões políticas. Preocupação, diga-se, plenamente justificável, diante às circunstâncias que a levaram a ser indicada para concorrer à presidência. Com perfil de executora e pouco afeita as barganhas e picuinhas políticas, era natural que se nutrisse certo receio quanto a desenvoltura da presidente nesse campo.
Ao fim dos primeiros 12 meses à frente da presidência, todavia, Dilma foi a grande personalidade política do Brasil neste ano. Se no aspecto de gestão, manteve-se de certa forma a continuidade do governo Lula, coube a ela, no aspecto político, dar em pouco tempo uma marca a sua gestão que deve perdurar no futuro. É bom ressaltar, que uma das lições do marketing político para quem está começando uma gestão, deve ser a definição de um perfil que a diferencie das anteriores. Nesse sentido, a presidente não só superou o receio inicial de seus próprios eleitores, como imprimiu estilo hoje elogiado até por opositores.
Outro ponto importante no qual a presidente ditou o tom, foi na relação com a imprensa. Claramente rejeitada pelos grandes veículos de comunicação do eixo Rio-São Paulo na época de campanha, havia certa expectativa de como se daria esse embate durante o governo. Ao contrário de Lula, porém, Dilma não partiu para o confronto, nem fez concessões para além do que permite o jogo democrático. Pontos para a presidente, que termina o primeiro ano sem estar refém dos jornalões, revistas e emissoras de TV, e, ao mesmo tempo, cada vez mais respeitada por posições tomadas ao longo do governo.
Os críticos podem alegar que o governo Dilma tem sido desastroso em vista das trocas de ministro em situações traumáticas (nunca antes nesse país). Mas nem isso parece abalar o governo da presidente, como têm mostrado as pesquisas de opinião. Ora, em que governo anterior a esse, a queda de tantos auxiliares diretos ainda lhe garantiria tanta popularidade? O que parece claro e seria bom que ficasse como legado, é a demonstração de que é possível governar sem se render a partidos ou se ajoelhar a quaisquer barganhas em troca da manutenção do poder. Dilma, até agora, tem dado bela lição, que poderia ser aproveitada pelos futuros governos no país.
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