A direção nacional do PT tem apregoado que a eleição de 2012 em Fortaleza é prioridade do partido. Para isso, não tem faltado afagos ao governador Cid Gomes na perspectiva da manutenção de aliança, que convenhamos, é bem mais vantajosa para o Partido dos Trabalhadores, do que propriamente para a gestão cidista. Prova disso, são os diversos desencontros de opinião e visões administrativas entre a prefeita Luizianne Lins e o governador. Mas como na política tudo é contornável em época eleitoral, é bem provável que os dois estejam no mesmo palanque no próximo ano.
Caso se confirme a manutenção da aliança com o governador, não há dúvida de que o PT já dá grande passo para manter-se à frente da prefeitura da Capital por mais quatro anos. Um grande passo em política, todavia, nunca foi garantia de vitória em eleição alguma. Mesmo porque, apesar dos conchaves partidários, há o elemento muitas vezes esquecido, mas que pesa bastante, que é o eleitor. E é nesse sentido que a prefeita Luizianne Lins pode estar fazendo aposta de risco ao tentar lançar goela abaixo o seu coordenador da ação governamental, Waldemir Catanho, como candidato.
De estrita confiança da atual prefeita, desde a época do movimento estudantil, Catanho construiu sua história política nos movimentos sociais de forma discreta. Com perfil de articulador, entrou na prefeitura para ser o homem forte da gestão, mas não conseguiu ter a visibilidade esperada. Como resultado, foi preterido na condição de vice do segundo governo Cid, e acabou sendo premiado com a suplência do senador Eunício Oliveira. Para além disso, pouco se pode acrescentar em ternos de passagem pela gestão atual sobre a figura de quem a prefeita quer oferecer ao eleitor em 2012.
De resto, Catanho é pessoa habilidosa politicamente e de convivência agradável, apesar de posições firmes. Características importantes no jogo político, mas que pouco acrescentam na disputa eleitoral. Pode-se alegar que Lula elegeu Dilma praticamente do nada. Mas querer comparar a gestão do presidente com a da prefeita é querer ir longe demais. Luizianne, mesmo com as obras previstas para serem entregues no decorrer de 2012, consolidou forte rejeição em setores importantes da Capital, e o reflexo disso, com certeza respingará em seu candidato. Principalmente se ele for apontado como braço, perna e cabeça da atual gestão. Com Catanho, porém, talvez a eleição fique mais animada, diante da falta de candidatos naturais da oposição.
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