Na economia, um dos ditados mais conhecidos é o que diz que não há almoço grátis. Na imprensa, por sua vez, me arrisco a dizer, não haveria silêncio impune. Digo isso, em sinal de espanto mesmo, por já se passar mais de uma semana e não ver repercutido na nossa valorosa imprensa investigativa do sul do país nada mais aprofundado sobre a figura do suplente do senador Agripino Maia (DEM-RN), João Faustino, e sua participação no escândalo gerado pela Operação Sinal Fechado, da Polícia Federal. Faustino, para quem não sabe, está preso desde o dia 5, em Natal (RN), sob a acusação de receber propina em esquema de corrupção no Detran de seu estado.
É claro que aqui se trata apenas de uma conjectura. Mas a julgar pelo velho roteiro de esquentar escândalos no Brasil, a trama na qual está envolto Faustino não seria digna de tal atenção por parte da grande mídia? Vamos aos fatos: O esquema do qual o suplente de senador faz parte foi deflagrado no mesmo dia que, em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab teve seus bens bloqueados, em razão de contrato supostamente fraudulento na área de inspeção veicular na Capital paulista. O esquema é o mesmo em que Faustino estaria ligado no Rio Grande do Norte.
O potencialmente midiático de Faustino, todavia, não se resume a sua suposta ligação com o Detran. Além de suplente do arauto da moralidade, Agripino Maia, Faustino foi assessor de José Serra quando este governou São Paulo pela última vez. Quer mais? Era subchefe da Casa Civil, pasta ocupada à época pelo hoje senador tucano Aloysio Nunes Ferreira. A proximidade de Faustino com Serra teria feito com que o ex-governador trabalhasse seu nome para ser o suplente de Agripino na última eleição. Além disso, ainda foi um dos arrecadadores de campanha de Serra no ano passado.
Ora, caros leitores. Há ou não elementos suficientes para que nossa grande e valorosa imprensa do sul investigue este senhor? Um dos fundadores do PSDB, Faustino diz conhecer Serra há 50 anos, desde os tempos de movimento estudantil. A relação é tão próxima que, quando deputado federal, o ex-governador o convidou para ser seu vice-líder. Depois, como ministro da Saúde, serviram juntos ao governo Fernando Henrique. Não resta dúvida, portanto, que há ingredientes fortes a serem explorados. Mas ao que parece, não interessam ser explorados. Ou como dizia um amigo meu, o escândalo só é bom quando é do outro lado.
Para desopilar
Com todo respeito aos que tem o livre direito de pensar e agir da maneira que acham mais conveniente. Mas gostaria de reproduzir aqui nota publicada na coluna Vertical S/A da semana passada, sob o título Lições: “Empresário do setor ensina: o setor de educação privada exige posicionamento preciso. Tentativas de ofertar qualidade Classe B a preços classe C tendem a naufragar. A adoção de múltiplas sedes é outra decisão a ser bem planejada, sob pena de perda dos ganhos de escala”. Com todo respeito, mas educação mesmo, ai passou foi longe, né.
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