A saída do ministro dos Esportes, Orlando Silva, depois da semana de martírio por conta do bombardeio da mídia, encerrou mais um período de crise no governo Dilma Rousseff. Anteriormente, quatro outros já tinham pulado fora em virtude de não terem conseguido enfrentar a dura batalha da opinião pública alimentada por parte da mídia, muitas vezes mais interessada em confundir, do que propriamente explicar os fatos.
Com enredo previsível, a queda do gestor é sempre o objetivo final, comemorado como vitória por quem primeiro o denunciou. Caiu o ministro; acabaram-se as denúncias. E assim caminha a nossa pobre e frágil democracia. Alimentada por denúncias, sobrevive da agenda negativa na perspectiva de que se possa tirar migalha que seja de proveito. É uma pena que seja assim. A cada denúncia se cria a comoção nacional no sentido de expor as pessoas até sangrá-la publicamente.
Após a demissão, volta o estado de torpor geral à espera de que o próximo escândalo consiga ganhar a capa do final de semana das grandes revistas. É interessante, isso. Quem, sinceramente, lembra com detalhes os motivos que derrubaram os ministros Alfredo Nascimento, Palocci, Wagner Rossi, Novais, e agora Orlando Silva? Mas, não. O que importa é gerar a indignação até poder mostrar o troféu.
Pobre sociedade que se deixa pautar. Pobre sociedade que não consegue seguir o seu caminho. Pobre sociedade que se limita ao escárnio. Pobre oposição que não consegue construir alternativa viável para o país. Pobres tempos na política brasileira. Culpa do povo, dos políticos, da mídia? Quem sabe. Talvez por sermos nação ainda jovem tenhamos que enfrentar o fastio por muito tempo, para entrarmos em nova era onde a política não seja a arte da dissimulação. Tempos bons esses que estão por vir.
O povo não merece isso
O escárnio com que o ex-presidente Lula tem sido tratado nas redes sociais após a divulgação de sua doença deveria merecer reflexão mais aprofundada por estudiosos de nosso país. Nunca antes nesse país um político conseguiu angariar tanto apoio quanto ele. Lula, sem dúvida, é diferenciado e já entrou para a história brasileira. Até opositores reconhecem seus méritos. No campo internacional seu reconhecimento é inconteste, elevando o nome de nosso país. Por tudo isso, apesar das divergências políticas, deveria no mínimo ser respeitado nesse momento de dificuldade em relação a seu quadro de saúde. O rancor e o ódio, porém, com que algumas pessoas tem tratado o ex-presidente é algo que ultrapassa o racional.
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