Na política o imponderável é por vezes elemento desencadeador de cenários futuros quase sempre encobertos pela cegueira dos que se apegam ao dia-a-dia. São esses fatos, surpreendentes para determinado momento, os responsáveis por mudanças bruscas na história, que desfazem mitos e reorientam trajetórias. Simples ou complexos, todavia, os fatos imponderáveis nunca são de todo obra do acaso. Por trás de um fato político tido com tal, há muito do exercício da razão dos que acabem se beneficiando da ‘’sorte”.
Eleito para o segundo mandato com larga vantagem ainda no primeiro turno, poderia se dizer que o governador Cid Gomes é um bafejado pela sorte ao receber de bandeja a Copa das Confederações e jogos do Brasil na Copa do Mundo. Para quem até agora só vem enfrentando dificuldades nos primeiros meses da segunda gestão, com greves, escândalos (caso dos banheiros e empréstimos consignados), além da disputa interna no PSB, sair como um dos grandes prestigiados pela Fifa não é nada mal para o gestor de um estado nordestino pobre.
O que Cid colhe agora como sorte, porém, não se deu à toa. Fortaleza recebeu a deferência da entidade maior do futebol mundial não porque a cidade esteja bela. Muito ao contrário. O principal aspecto foi o fato de ser o governo cearense o que demonstrou até agora mais capacidade de cumprir o que prometeu. E é aí que o que pode parecer imponderável se desmancha. Não por acaso, o Castelão é o estádio com as obras mais adiantadas. A sorte do governador, talvez resida na sua capacidade de delegar tarefas.
E nesse ponto, a escolha de um gestor que nunca tinha ocupado cargo público para coordenador os trabalhos da Copa, pode ter sido a grande aposta que garantiu ao governador a deferência da Fifa. O secretário Ferruccio Feitosa não só tem tocado corretamente o projeto, como surpreendido os que com ele atuam, tendo já quem o aponte como possível candidato à prefeito de Fortaleza no próximo pleito.
A sugestão do nome pode parecer precipitada ao se levar em conta seu pouco traquejo político. Outro aspecto é que o governador disse em recente entrevista ao O POVO, ser do PT a preferência em indicar o candidato desde que se apresente viável. E se o candidato não for viável? A história recente nos mostra como a presidente Dilma entrou na disputa. Mera desconhecida, substituiu o todo poderoso José Dirceu, ganhou o apoio de Lula por méritos na condução do PAC e por aí vai. Para os que duvidam da possibilidade de Ferruccio vir a ser um nome, é bom lembrar que o imponderável sempre ronda a política nos momentos mais complicados.
Extremos
O PT, com 7.667, e o PSD, com 5.645, foram os dois partidos que mais receberam filiados nos últimos seis meses no Ceará, de acordo com balanço divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em todo o Brasil as duas agremiações também lideram, com 155.715 e 149.586 inscrições respectivamente. Atualmente há 15.381.121 eleitores filiados a uma das 29 agremiações em todo o país. Desse total de filiados, porém, a grande maioria está concentrada em sete partidos, somando 10.374.547. São eles: PMDB (2.420.327); PT (1.566.208); PP (1.436.670); PSDB (1.410.917); PDT (1.212.531); e PTB (1.203.825); e DEM (1.124.069).
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