A pouco menos de um ano das eleições para a prefeitura de Fortaleza é pobre a movimentação da oposição no sentido de tentar tirar a gestão da capital cearense das mãos do Partido dos Trabalhadores (PT). Com raros eventos partidários, a falta de inserção na sociedade é notória e eu diria preocupante para quem deseja ter opções no pleito de 2012.
No âmbito do PSDB, a oxigenação esperada em Fortaleza com a chegada de um grupo de jovens à direção do partido não se efetivou. Os tucanos, ao contrário, emergiram na capital de forma surpreendente, até. Em nível estadual o quadro não é diferente, com a perda de quadros importantes e que poderiam quem sabe, vir a pleitear o cargo de prefeito.
Já o DEM, eternamente refém de Moroni Torgan, a situação é pior ainda. Como o xerife está em Portugal e não deu sinais de que pretenda disputar o pleito majoritário em 2012, a legenda segue o mesmo caminho do partido nacionalmente, ficando a reboque dos tucanos. Lá, como aqui, não há perspectivas futuras favoráveis.
Restaria ao PPS assumir esse papel de condutor da oposição em Fortaleza. Fato que poderia ter sido alcançado com uma possível projeção de Alexandre Pereira na disputa pelo senado em 2010. Por erro de estratégia, talvez, o empresário acabou saindo isolando e não teve tanto sucesso. Com pouco tempo de campanha será difícil enfrentar a máquina da prefeitura e possivelmente do estado no próximo ano.
O que chama a atenção nessa inanição da oposição em Fortaleza é que não faltam flancos a serem explorados. É inegável o desgaste da atual gestão municipal, apesar da forte propaganda em contrário da Prefeitura. Nos debates, na mídia ou em rodas informais de conversa, percebe-se que a avaliação não é boa.
É bem verdade que muito desse desgaste se deve aos oito anos de governo, que por si, já são um motivador. Mas é impossível desconhecer que a cidade está longe de fazer jus ao slogan “Fortaleza Bela”. Problemas na área urbana, falta de médicos nas unidades de saúde e um calendário escolar totalmente atropelado, são apenas pequena amostra dos problemas.
Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas pela gestão municipal, não há por parte da oposição nem candidato ou projeto que se possa vislumbrar como viável até agora. Nem a média ou a longo prazo.
Lei supera o bom senso
Na semana passada o vereador José do Carmo (PSL), por meio do projeto de lei 0313/11, propôs que seja disponibilizado protetor solar aos agentes comunitários de saúde e agentes de endemias de Fortaleza. “Os protetores de que trata a matéria deverão ter fator de proteção solar (FPS) igual ou superior a 15, assim como proteção contra raios UV-A e UV-B.”
Ao justificar a iniciativa, José do Carmo entende que “a presente proposta visa a proteger a saúde dos agentes de saúde e agentes de endemias, haja vista que estes exercem suas funções na maior parte de tempo expostos aos raios solares”. O projeto encontra-se na Comissão de Legislação, Justiça e Cidadania aguardando parecer.
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