O surgimento da TV Assembleia no Ceará abriu a possibilidade de melhor acompanhamento das atividades do parlamento por meio do eleitor, seja nas sessões plenárias, ou através de audiências públicas ou das reuniões de comissões. O ganho nesse aspecto é duplo, tanto para a Casa, que divulga suas ações, quanto para o eleitor em relação a ficar informado sobre o dia-a-dia da instituição. Mas como em tudo existe dois lados, a TV Assembleia também proporciona o ônus, que nesse caso, recai diretamente sobre o que muitas vezes deixa de ser discutido ou tangenciado no parlamento. E é justamente aí que os vícios da política acabam sendo expostos à exaustão desgastando imagens.
É o que temos visto nos últimos meses, por exemplo, com relação a defesa cega que a maioria parlamentar proporciona ao governo Cid Gomes. Mesmo com ampla maioria na casa, os dois ou três parlamentares que ainda ousam ir contra a maré, tem se destacado mais que os outros, apesar do rolo compressor existente. Isso só tem sido possível pela exposição proporcionada pela TV Assembleia. Para recordar, já se vão quase quatro meses de fogo cruzado contra o governo, que mesmo negando tudo que a oposição pede, não consegue respirar. Podemos citar como primeiro episódio a briga interna no PSB, que acabou se acostando à Assembleia graças a deputada Eliane Novais que vem se utilizando fartamente desse espaço para expor suas insatisfações.
Como resultado, o governo terminou sendo defendido pelos parlamentares Perboyre Diógenes e Osmar Baquit, e todos vimos no que deu. Logo em seguida entra em cena o escândalo dos banheiros, fato que a Assembleia, usando a prerrogativa da maioria governista, simplesmente se eximiu de investigar. Apesar da vitória dos governistas, o discurso apresentado via TV Assembleia gerou mais desgaste para o parlamento e alguns parlamentares. Por fim e mais recentemente, foi a vez do caso Promus. Mais uma vez o que fez a nossa Assembleia? Entendeu a grave denúncia como coisa menor e abafou qualquer iniciativa de esclarecimentos.
Tudo bem que em política o que vale é a maioria. Faz parte do jogo democrático. Jogo, porém, que nunca tem fim, e está sempre sujeito a mudanças. É bom não esquecer também que na política, há derrotas com gosto bem mais saboroso que determinadas vitórias. Ainda mais quando tudo isso passa ao vivo na TV.
O tempo conspira contra
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