Se fizermos uma incursão pela história das nações da América do Sul, chegaremos à constatação que no início do século XX, a Argentina estava prestes a se tornar uma das maiores potências do mundo. Na verdade, naquela época, Argentina e Estados Unidos eram bastante semelhantes. Os livros de história mostram que em 1900, a Argentina era a décima maior economia do mundo.
Mais recentemente, sobretudo desde a década de 1970, os fatos mostram que a causa fundamental da decadência econômica da Argentina resulta de uma combinação de excessos: protecionismo industrial, monopólio estatal, ineficiente gasto público, etc.
Especificamente, constata-se que a persistência de um elevado déficit fiscal, financiado de maneira pendular com imposto inflacionário e endividamento externo, gerou uma sucessão de violentos ajustes em preços relativos que impossibilitou a avaliação confiável de projetos de investimento, o que determinou uma redução na dotação de capital por trabalhador, entorpeceu a incorporação do progresso tecnológico e redundou por diminuir o rendimento per capita.
Ao fazermos um avanço no tempo e chegarmos ao ano 2002 até os dias atuais, teremos uma década de uma Argentina muito diferente, onde o colapso parece ser a tradução das ações dos últimos governantes que ocuparam a Casa Rosada.
Numa comparação inevitável, o Brasil é um exemplo sólido na América do Sul,com seu crescente mercado emergente. Já a Argentina é se mostra menos eficiente, sempre se recuperando de algum surto recente de inflação galopante, ou período inoportuno de aperto monetário.
Por outro lado, embora a economia argentina tenha aproveitado os benefícios dos altos preços das commodities globais nos últimos cinco anos, as decisões errôneas de oriundas de Buenos Aires não permitiram que o país alcançasse os mesmos resultados do Brasil.
Agora, no âmbito político-econômico nacional foi a decisão do governo da presidente Cristina Kirchner de proibir quase completamente a compra de dólares por parte de indivíduos que deu destaque internacional à Argentina.
A deliberação gerou um forte incremento no nível de incerteza que repercutirá negativamente sobre o nível das atividades. Na realidade existe um sistema de tipo de mudança dual, com um dólar oficial acessível para uns poucos e um mercado paralelo, que segundo o próprio governo deve ser evitado, por ser ilegal.
Ademais, as restrições crescentes para a compra de dólares no mercado formal impulsionaram o desenvolvimento do mercado paralelo. A intervenção do governo gerou uma forte distorção no mercado cambial (permitindo a possibilidade de arbitragem entre o tipo de mudança oficial e o do mercado em negro) e incrementou a incerteza que hoje tem a população.
A consequência imediata desta medida é que o dólar no mercado informal nestes últimos dias teve um aumento de 25% acima do dólar que se “oferece” no mercado formal, o que evidência as expectativas de desvalorização do setor privado.
O Brasil já passou por esta situação,principalmente nos anos 1980 e 1990 e sabemos muito bem o que isso significa. Recordo a primeira viagem internacional que fiz, no ano 1982. Naquela época, viajar ao exterior era algo muito difícil e caro. O governo controlava e limitava a compra de dólares o que inevitavelmente nos fazia recorrer ao mercado paralelo da compra da moeda americana.
Com uma longa experiência em crise e desvalorizações, o dólar é o refúgio favorito dos argentinos no momento de poupar. A desconfiança nos bancos depois da crise financeira que sofreu o país em 2001 faz que os poupadores prefiram guardar as divisas na casa ou enviá-las ao exterior.
Mas o que levou o governo de Kirchner a tomar esta medida? Uma fuga de capitais de 23 bilhões de dólares em 2011, segundo o próprio Banco Central da Argentina, foi o detonador da decisão do governo a impor limites à compra da divisa estadounidense.
Essa medida pode, de fato ser uma faca de dois gumes. O governo, ao decidir proteger a economia sem atacar o principalmente problema, a saber, a inflação, gera mais incertezas e principalmente oferece condições paras operações ilegais principalmente nas fronteiras com os países vizinhos, como Brasil e Paraguai. Estas medidas geram mais incerteza.
Na Argentina com uma inflação alta e instabilidade também alta, outra saída não existe para defender as economias individuais senão a procura pelo dólar. Esse mesmo filme foi visto no Brasil.
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