Há exatos dois anos, assistimos em choque e horror como as imagens de destruição do terremoto no Haiti foram mostradas em todo o mundo. O cismo de magnitude devastadora ( 7,0 na escala Richter) deixou um rastro de ruina e destruição com causando a morte de mais de 300.000 pessoas e muitos mais feridos.
Aqueles que sobreviveram continuam enfrentando condições inimagináveis com uma infraestrutura destruída, escassez de alimentos, os surtos recorrentes de cólera e outras doenças. Apenas na capital do país, Porto Príncipe, meio milhão de habitantes ainda está vivendo em alojamento temporário.
Nos dias que sucederam o fatídico 12 de janeiro, pudemos ouvir as inúmeras promessas de diversos países, ONGs, entidades financeiras de que ajudariam a reconstruir o Haiti.
Recordo que no final de janeiro de 2010,vários líderes mundiais, reunidos em Montreal (Canadá) concordaram que a reconstrução do Haiti levaria décadas. Mas de forma altruísta, o Primeiro Ministro canadense Stephen Harper disse que "era chegada a hora da comunidade internacional fazer a sua parte e que todos deveriam se sentir responsáveis pela reconstrução do país.” Seguindo o mesmo discurso, em março de 2010, os presidentes René Preval e Barack Obama, renovaram o compromisso da reconstrução haitiana.
Mas, passados dois anos do terremoto que destruiu o pouco que existia no Haiti percebe-se que o esforço de recuperação do país ainda está longe de terminar.
A comunidade internacional não pode esquecer a difícil situação do povo haitiano e principalmente deve honrar os compromissos assumidos de ajudar o país mais pobre do continente americano. Dos 4,6 bilhões de dólares prometidos pelos Estados Unidos, somente 43 por cento foram recebidos.
Por outro lado,não podemos deixar de lado o fato de que milhares de haitianos, em busca de melhores condições de vida, desencanto com a instabilidade econômica do país e promessas de aproveitadores, se deram conta que sua única alternativa é emigrar para outros países.
Além dos Estados Unidos, que durante décadas foi o sonho de desejo de milhões de latino americanos, outros países também despertam o interesse daqueles que buscam condições dignas de vida. E um desses destinos é sem dúvidas o Brasil, onde especialmente a diáspora haitiana começou a projetar uma vida melhor, e desde janeiro de 2010, aproximadamente 4.000 cidadãos haitianos moram em terras brasileiras.
O fato é que desde que o Brasil começou a liderar a Missão de Estabilização da ONU no Haiti, -Minustah- em 2004, o país entrou na consciência coletiva dos haitianos como um possível destino.
E para escapar de uma invasão descontrolada de imigrantes haitianos, o governo brasileiro decidiu limitar a concessão de vistos, pois não resta nenhuma dúvida que a chegada de novos grupos constitui um problema jurídico e legal bastante intrincado, já que, ao entrar em território brasileiro, os haitianos pedem asilo.
O Brasil precisa voltar suas atenções para o Haiti, e insistir que a comunidade internacional cumpra, portanto seus compromissos de reestruturação do país caribenho, onde principalmente muito ainda há carência de infraestrutura, habitação, saúde e educação.
O Haiti e os haitianos merecem dias melhores.
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