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mapa-múndi 10/01/2012 - 02h00

O interesse iraniano na América Latina

Há duas semanas, depois da divulgação do relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) das Nações Unidas confirmando temores de que Irã começou a enriquecer urânio num búnker subterrâneo e agregaram que a notícia é especialmente preocupante porque esse material pode ser melhorado rapidamente para sua possível utilização em ogivas nucleares A AIEA afirma ainda que Teerã estaria desenvolvendo uma bomba nuclear em violação aos tratados internacionais de não proliferação de armas nucleares.


Como reação imediata, os Estados Unidos e os 27 países da União Européia anunciaram novas sanções econômicas ao Irã, incluindo um possível embargo petroleiro europeu.


O governo iraniano, em resposta, avisou que se as sanções econômicas afetarem suas exportações de petróleo, o estreito de Ormuz, por onde passa 35 por cento do petróleo do mundo, poderá ser fechado.


Este fato, agora se junta à visita que esta semana o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad realiza à América Latina. Desta vez,o tour do líder iraniano inclui vistas a Venezuela,Equador,Cuba e Nicaragua.


O que pode causar um pouco de surpresa é o fato de que a viagem do presidente da antiga Pérsia não incluiu o Brasil que especialmente entre 2009 e 2010 onde o comercio bilateral duplicou e no ano passado alcançou a cifra de 2,3 bilhões de dólares.


Há de se considerar, entretanto que,a exclusão do Brasil na agenda de Ahmadinejad é até certo ponto previsível, pois a presidente Dilma Rousseff, diferentemente de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, esfriou os contatos diplomáticos com Teerã.


Mas o que tem a ver as duas situações?

 

De fato, o governo iraniano tenta diversificar sua economia, que desde muito tempo é dependente do petróleo e agora a gestão de Ahmadinejad tenta mudar esta situação através de investimentos em diversa áreas como a indústria aeroespacial e petroquímica, a produção de automóveis, e o desenvolvimento de tecnologia de ponta.

 

Por outro lado, a visita de Ahmadinejad serve como um novo folego que lhe permita dissipar ainda que seja em forma circunstancial a forte pressão das potências ocidentais, alarmadas por seu programa nuclear, e as tensões políticas em seu país que dispararam os graves problemas da economia doméstica.

 

Não resta nenhuma dúvida de que a visita do presidente iraniano a América Latina, em particular aos países de esquerda na região, é uma tentativa de eludir as sanções econômicas e encontrar novos mercados.

 

Assim, a America Latina,pelo seu potencial de consumo e pela congruência do discurso ideológico de muitos parceiros, o Irã tem fortes razoes para olhar com bons olhos para a região.

 

Nos últimos anos, Ahmadinejad deu passos decididos para fomentar as relações diplomáticas na região e dessa forma, abriu representações na Colômbia, Nicarágua, Chile, Equador, Uruguai e Bolívia, além de prestar especial atenção às embaixadas já existentes em Cuba, Argentina, Brasil, México e Venezuela.

 

A nova ordem geopolítica mundial mostra que a América Latina continua despertando interesses.

> TAGS: mapamundi
João Bosco Monte
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Comentários
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HAMILTON SENA BESERRA 14/01/2012 12:06
Qualquer um que fique acuado pela grande maioria de países , procure outros parceiros para viabilizar outras alternativas viáveis, por isso á inclusão da America Latina pelo Irá faz parte do jogo de interesses que qualquer país que se sinta prejudicado na procura de outras alternativas.
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