Há duas semanas, depois da divulgação do relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) das Nações Unidas confirmando temores de que Irã começou a enriquecer urânio num búnker subterrâneo e agregaram que a notícia é especialmente preocupante porque esse material pode ser melhorado rapidamente para sua possível utilização em ogivas nucleares A AIEA afirma ainda que Teerã estaria desenvolvendo uma bomba nuclear em violação aos tratados internacionais de não proliferação de armas nucleares.
Como reação imediata, os Estados Unidos e os 27 países da União Européia anunciaram novas sanções econômicas ao Irã, incluindo um possível embargo petroleiro europeu.
O governo iraniano, em resposta, avisou que se as sanções econômicas afetarem suas exportações de petróleo, o estreito de Ormuz, por onde passa 35 por cento do petróleo do mundo, poderá ser fechado.
Este fato, agora se junta à visita que esta semana o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad realiza à América Latina. Desta vez,o tour do líder iraniano inclui vistas a Venezuela,Equador,Cuba e Nicaragua.
O que pode causar um pouco de surpresa é o fato de que a viagem do presidente da antiga Pérsia não incluiu o Brasil que especialmente entre 2009 e 2010 onde o comercio bilateral duplicou e no ano passado alcançou a cifra de 2,3 bilhões de dólares.
Há de se considerar, entretanto que,a exclusão do Brasil na agenda de Ahmadinejad é até certo ponto previsível, pois a presidente Dilma Rousseff, diferentemente de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, esfriou os contatos diplomáticos com Teerã.
Mas o que tem a ver as duas situações?
De fato, o governo iraniano tenta diversificar sua economia, que desde muito tempo é dependente do petróleo e agora a gestão de Ahmadinejad tenta mudar esta situação através de investimentos em diversa áreas como a indústria aeroespacial e petroquímica, a produção de automóveis, e o desenvolvimento de tecnologia de ponta.
Por outro lado, a visita de Ahmadinejad serve como um novo folego que lhe permita dissipar ainda que seja em forma circunstancial a forte pressão das potências ocidentais, alarmadas por seu programa nuclear, e as tensões políticas em seu país que dispararam os graves problemas da economia doméstica.
Não resta nenhuma dúvida de que a visita do presidente iraniano a América Latina, em particular aos países de esquerda na região, é uma tentativa de eludir as sanções econômicas e encontrar novos mercados.
Assim, a America Latina,pelo seu potencial de consumo e pela congruência do discurso ideológico de muitos parceiros, o Irã tem fortes razoes para olhar com bons olhos para a região.
Nos últimos anos, Ahmadinejad deu passos decididos para fomentar as relações diplomáticas na região e dessa forma, abriu representações na Colômbia, Nicarágua, Chile, Equador, Uruguai e Bolívia, além de prestar especial atenção às embaixadas já existentes em Cuba, Argentina, Brasil, México e Venezuela.
A nova ordem geopolítica mundial mostra que a América Latina continua despertando interesses.
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