Dez anos atrás, no dia 01 de janeiro de 2002, num desafio sem precedentes, o euro foi introduzido em 12 Estados Membros da União Europeia e assim, de forma quase que imediata, bilhões de notas e moedas começaram a circular em questão de horas.
Aquele dia, simbolizado por uma grande queima de fogos na sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, iniciou um estado de comemoração dos europeus, pois a entrada em vigor da moeda deveria facilitar as transações monetárias entre os cidadãos de países que já haviam também eliminado suas fronteiras territoriais.
O euro é a moeda oficial de 330 milhões de habitantes espalhados por 17 nações e de forma quase que compulsória tornou-se um símbolo da Europa, mas muitos de seus consumidores frequentemente se queixam de que o euro de alguma forma elevou a aumentos de preços de diversos bens e serviços.
O romantismo invocado no lema da União Europeia, Unidade da Diversidade, tornou-se uma dura realidade e cada vez mais é notório que as diferenças entre as nações ricas e pobres não poderiam ser eliminadas através de decisões politicas.
Uma década após a criação do euro, a Europa sofre com as incertezas da moeda que a princípio poderia ser a consagração da unificação do continente e o futuro da moeda única provoca preocupação em todo o planeta.
A ideia de ajudar os primos pobres funcionou durante algum tempo, mas agora a história é outra. O que se percebe, é que em vez de provocar uma integração económica e política de parte da Europa, as baixas taxas de juros e o dinheiro fácil que chegou com o euro levou os Estados periféricos, como Espanha, Portugal e Grécia a um caminho de esbanjamento e consumo desenfreado, e alargou o fosso que separava países ricos e pobres.
O resultado é que hoje, vários Estados da UE estão à beira da falência e não resta outro remédio a não ser pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional.
Por outro lado, o grupo de países liderados pela Alemanha está farto de pagar pela irresponsabilidade de outros e temem que, como credores, sofram as conseqüências se o Banco Central Europeu decide cobrar as dívidas dos mal pagadores. No fundo, está a suspeita de que este é um drama que a zona do euro poderia estar condenada a viver mais uma vez.
Certamente uma pergunta não sai da mente de chanceler alemã, Angela Merkel.
Por que não sair agora?
A história das crises monetárias está cheia de acontecimentos que passaram de impensáveis para inevitáveis da noite para o dia. Como exemplos, em 1931, a Grã-Bretanha abandonou o padrão ouro e Argentina desistiu de sua paridade com o dólar em janeiro de 2002.
É claro que o colapso do euro poderia acarretar prejuízos econômicos e políticos sem precedentes, mas os rumores cada vez mais correntes da volta do marco alemão pode ser um sinal de que a paciência dos ricos é finita.
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