O contexto internacional e o momento que atravessa a América Latina, ao mesmo tempo em que apresenta certos desafios, abre uma janela de oportunidade que os países da região devem aproveitar para desenhar estratégias de desenvolvimento em longo prazo.
Além da paulatina consolidação e fortalecimento dos sistemas democráticos, a grande maioria das economias da região resistiu bem os efeitos da crise econômica e financeira, devido em especial à boa gestão macroeconômica dos últimos anos.
O otimismo sobre as perspectivas para a América Latina foi também expressado pelo Secretário Geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Angel Gurría, que afirmou que a América Latina está preparada para enfrentar as turbulências provenientes da União Européia. No entanto, Gurría afrima também que este otimismo não significa que o continente esteja imune a um aprofundamento da crise que assola a Europa.
É importante destacar que a desaceleração na Europa e nos Estados Unidos, favoreceu o crescimento das economias latino-americanas - 4,4% em média este ano e previsão de 4,0% em 2012.
O crescimento que acumulou a região nos últimos anos, com exceção da queda em 2009 -no meio da crise econômica global- lhe permitiu uma grande estabilidade macroeconômica, liquidez e uma balança comercial favorável.
Mas o desafio maior dos governantes da América Latina reside em transformar esse crescimento em desenvolvimento econômico e social sustentável.
Assim, a América Latina deve aproveitar esta oportunidade e levar a cabo as reformas estruturais e sociais necessárias para garantir um desenvolvimento sustentável, essa é uma maneira de capitalizar os lucros recentes para enfrentar outros desafios a curto e longo prazo.
Os países latino-americanos conseguiram fincar alicerces que permitem atualmente dispor da solidez financeira e a credibilidade necessárias para investir em reformas de longo prazo.
Há de se considerar também que desde já alguns anos, a maioria dos países da região impulsionaram uma série de políticas dirigidas a garantir um maior crescimento, através da promoção do comércio exterior, a abertura aos mercados internacionais, a transformação de suas estruturas produtivas e a geração de maiores facilidades e incentivos para o investimento nacional e estrangeiro, de tal forma que suas economias sejam mais competitivas e possam ter uma melhor integração nas novas dinâmicas da globalização e a mundialização econômica.
Neste contexto, pôs-se de manifesto a importância da criação de marcos jurídicos previsíveis e transparentes, dada sua correlação com a diminuição dos custos de transação e o lucro da competitividade e desenvolvimento econômico, fatores que indubitavelmente estão vinculados à capacidade de promover os investimentos nacionais e estrangeiros, bem como para a implantação e geração de novas atividades produtivas.
A institucionalidade e a segurança jurídica constituem um aspecto preponderante para alcançar tais propósitos, porquanto permitem estabelecer uma maior certeza no desenvolvimento da iniciativa privada, gerando, a sua vez, as condições para que exista a necessária transparência e integralidade nas políticas de desenvolvimento econômico.
Nesta perspectiva, os três países do continente que pertencem ao G-20, Argentina, Brasil e México, desfrutam de uma posição especialmente privilegiada para participar na edificação de uma nova ordem econômica, e integram o grupo de países que procuram a excelência na elaboração de políticas convincentes a fim de criar Estados capazes de abordar as necessidades em matéria de desenvolvimento.
Por outro lado, as nações da América Latina não necessariamente devem transitar pelo mesmo caminho que no passado percorreram os países hoje desenvolvidos.
Os últimos 20 anos na América Latina deixaram um legado de experiências que constituem uma base ampla para aprender e seguir avançando.
É fundamental, portanto evitar reproduz ir instrumentos de gestão sem considerar as diferenças institucionais.
Assim, resulta necessário aprender, adaptar e inovar.
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