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mapa-múndi 20/12/2011 - 05h00

O legado dos EUA no Iraque

O arriamento da bandeira norteamericana em Bagdá põe fim a oito anos e médio de intervenção militar no Iraque. Os últimos 4.000 soldados norteamericanos devem abandonar o país, até o 31 de dezembro, quando se completa a retirada definitiva das tropas, segundo o estipulado no acordo de segurança assinado em 2008 entre ambos os países.

 

Os Estados Unidos deixarão o Iraque antes do fim do ano sem ter resolvido as dúvidas sobre a estabilidade no país árabe, onde os confrontos sectários e os atentados ainda continuam sendo uma realidade cotidiana.


A saída das tropas marca o fim da divisiva guerra que deixou um saldo de milhares de mortos: 4.500 estadounidenses e mais de 100.000 iraquianos e fragilizou ainda mais a precária infraestrutura do país.


A guerra que começou com uma série de bombardeios aéreos com a intenção de derrocar ao ditador Saddam Hussein e seus seguidores, foi concluída de forma silenciosa, o que foge dos padrões americanos.


Tentando explicar,talvez o novo modelo de “fazer guerra”,o presidente Barack Obama afirmou durante reunião com o primeiro ministro iraquiano que “os soldados estão se preparando agora para realizar sua marcha final através da fronteira e fora do país e que apartir desse momento o futuro do Iraque estrá nas maos de seu povo”.


A fala de Obama,entretanto não restabelece a certeza de dias melhores para o povo iraquiano. Seu alívio pelo fim do regime de Saddam, que foi enforcado o último dia do 2006, viu-se contrarrestado por uma guerra longa que foi lançada para achar as inexistentes armas de destruição em massa e esteve a ponto de precipitar o Iraque numa guerra civil sectaria.


Internamente surgem sentimentos anti-americanos que podem ser explicados através de declaraçoes como a de Mariam Jazim, cujo pai foi morto por um disparo de morteiro na Cidade de Sadr, que afirma “que o governo americano e suas tropas não deixaram escolas modernas nem grandes fábricas. Deixaram ao contrário, milhares de viúvas e órfãos. Os estadounidenses não deixaram para trás um povo e um país livre, senão um país arruinado e uma nação dividida.”


Ainda que a situação da violência no Iraque tenha melhorado e que há dois anos os EUA tenha começado a passar para as mãos dos iraquianos a responsabilidade por sua segurança interna,surge o temor de que as forças nacionais não sejam capazes de responder a uma nova escalada de ataques.
Um sinal da incerteza que ainda vive no país árabe é que o anúncio da sexta-feira do presidente Barack Obama coincide com uma operação turca no norte de Iraque onde 10 mil soldados perseguem aos milicianos curdos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão).


Por outro lado,a retirada das tropas americanas do Iraque pode trazer uma grande dor de cabeça para a Casa Branca,já que o maior beneficiado nessa história pode ser o Irã,pois o país vizinho, de maioria xiita, tenta aumentar sua influência sobre o governo iraquiano.


A partir de agora, se reforçam as dúvidas se a nação árabe se manterá como fiel aliado dos Estados Unidos.

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