Se há uma organização não governamental exitosa sem dúvidas é a Federation Internationale de Football Association ou simplesmente FIFA, como é muito bem conhecida.
A entidade fundada em 1904 com sete membros: França, Dinamarca, Bélgica, Espanha, Suíça, Suécia e Holanda, depois de mais de um século, tem inscritos atualmente 208 membros filiados. Hoje, é o organismo internacional que regula tudo relacionado com o futebol ,que segundo dados da própria FIFA, tem um bilhão e meio de seguidores em todo o mundo.
O organismo que no final dos anos 70 empregava menos de 10 pessoas e funcionava na base do voluntariado, transformou-se numa instituição de enorme influência global política, cultural e econômica.
Mas foi a partir da Copa do Mundo de 1974 que a FIFA ,transformada pela globalização da televisão e o poder global econômico se transformou em um importante player.
Segundo o sociólogo e historiador esportivo David Goldblatt, a multimilionária organização apenas nos últimos quatro anos, obteve um ganho de 639 milhões de dólares.
Mas qual é a real influência da FIFA no cotidiano dos Estados nacionais?
Para tentar responder esta pergunta, é oportuno definir ator internacional como aquele ente (individuo, país ou organização) cujo comportamento ou ação incide na vida internacional.
Bem, vejamoso caso brasileiro. No mês passado diversos parlamentares brasileiros, usaram a tribuna da Câmara dos Deputados para repudiar a ingerência que a FIFA estava fazendo nas decisões sobre a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014. E nos últimos dias a imprensa noticia que o governo brasileiro deve mudar, por exigência da FIFA, o comando do Comitê Organizador Local (COL) do Mundial.
Mas onde está o poder da FIFA?
Como ilustração, cito trecho de entrevista dada por seu antigo presidente, Joao Havelange, em 2009:
"Estive na Rússia duas vezes convidado pelo presidente Yeltsin. Também estive na Polônia a convite do presidente. Na copa da Itália em 1990, fui recebido três vezes pelo Papa. Quando vou à Arábia Saudita o Rei Fahd me oferece uma esplêndida recepção. Na Bélgica, o rei Alberto me recebeu em audiência durante uma hora e meia. Vocês acham que um Chefe de Estado teria toda essa atenção? Isso é respeito. Esse é o poder da FIFA. Posso falar com qualquer presidente, mas lhes asseguro que eles estarão falando comigo, como se estivessem falando com seu homólogo. Eles têm seu poder e eu tenho o meu: o poder do futebol" .
Mas é indubitável que as cifras astronômicas que envolvem o futebol, mudaram a concepção do esporte.
Para justificar esta afirmação, tomo emprestadas as palavras de Gilberto Galeano, quando afirma que "o jogo se converteu em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores e o espetáculo se converteu num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não se organiza para jogar senão para impedir que se jogue".
A história nos ajuda a entender os fatos. Quando em maio de 1994, Silvio Berlusconi, dono do clube Milan ganhou as eleições italianas com o slogan Forza Italia, prometeu que salvaria a Itália como tinha salvado ao Milan, a super equipe campeã de tudo, e os eleitores esqueceram que algumas de suas empresas estavam à beira da ruína.
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