Passados mais de três anos desde que se verificou o início da crise financeira que abalou o mundo, ainda podem ser percebidos os efeitos na redução da atividade econômica mundial.
Uma situação que num princípio parecia uma crise bancária vinculada à crise das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos e que facilmente poderia ser controlada, evoluiu vertiginosamente para converter-se numa autêntica crise econômica, com marcadas contrações na produção, no comércio e nos investimentos.
Esta conjuntura trouxe um gigantesco impacto às empresas e trabalhadores de todo mundo. O desemprego mundial atingiu máximos históricos, registrando aumentos particularmente importantes em muitas economias desenvolvidas. Outros indicadores do mercado de trabalho revelaram graves dificuldades adicionais: diminuição da relação emprego-população, aumento das formas vulneráveis de emprego, estancamento da produtividade da mão de obra e desalento crescente, em particular entre os jovens.
A aritmética global de desemprego entre os jovens traz uma leitura assustadora: os 81 milhões de jovens que estão hoje sem trabalho agora compõem a maioria dos desempregados do mundo. Para que se tenha uma ideia, o desemprego entre os jovens é de 50 por cento no Egito e na Tunísia, está acima dos 40 por cento na Espanha e Itália. Mesmo a Arábia Saudita, rica em petróleo, está sofrendo seu pior aumento do desemprego entre os jovens. Na maioria dos países da zona, as taxas de desemprego oficial jovens já ultrapassam 20 por cento.
Não restam dúvidas que as altas taxas de desemprego atualmente registradas em diversos países são um problema que tira o sono de muitos líderes mundiais. Por esse motivo, durante a próxima reunião do G20,em Cannes nos dias 3 e 4 de novembro, certamente deverão ser discutidas as alternativas em concreto, para restaurar a confiança do mercado,a recuperação da economia mundial e particularmente a crise que castiga a União Europeia.
Ainda em Cannes, os chefes de governo das 20 maiores economias do planeta, deverão discutir sobre as projeções feitas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) que antevê um crescimento econômico mundial de 4,2 por cento em 2011, abaixo do alcançado no ano anterior, onde a taxa de crescimento chegou a 4,8 por cento.
Assim, à medida que começam a diminuir os efeitos do estímulo fiscal e se constata que são poucas as probabilidades de que o aumento do investimento do setor privado compense por completo a redução do gasto público, prevê-se que todas as regiões sofram desacelerações no ritmo do crescimento, a exceção de Oriente Médio e a África Subsaariana (onde se prevê que se acelere) e África do Norte (onde a previsão é que se mantenha constante).
O que se viu é que a crise induziu aos governos e aos bancos centrais de todo mundo a estabelecer um leque de medidas monetárias e promotoras de estímulo sem precedentes, que, sobretudo teriam que frear a crise mundial e conseguir recuperar o crescimento econômico.
Recordo que em junho de 2009 a OIT (Organização Internacional do Trabalho) apresentou o Pacto Mundial para o Emprego que tem como objetivo orientar as políticas nacionais e internacionais destinadas a estimular a recuperação econômica, a gerar empregos e a proteger os trabalhadores e suas famílias num cenário de crise que gera aumento do desemprego, pobreza e desigualdade, além de que provoca o colapso de numerosas empresas.
Os riscos de desaceleração continuam sendo motivo de grande preocupação.
Veja o jornal de hoje e os cadernos
Newsletter
Copyright © 1995-2012